TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0802781-71.2021.8.18.0026
APELANTE: PEDRO CELESTINO OLIVEIRA
Advogado(s) do reclamante: IANE LAYANA E SILVA SOARES, GILBERTO LEITE DE AZEVEDO FILHO
APELADO: BANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S.A., BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S.A., BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
Advogado(s) do reclamado: CARLOS FERNANDO DE SIQUEIRA CASTRO
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – AÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE – GRATUIDADE DEFERIDA EM PRIMEIRO GRAU AO APELANTE– BENEFÍCIO QUE NÃO O EXIME DA CONDENAÇÃO – INCIDÊNCIA DO ARTIGO 98, §§ 2º E 3º, DO CPC – RECURSO NÃO PROVIDO
1. O artigo 98, § 2º, do CPC, é taxativo ao prever que a concessão da gratuidade não exime o beneficiário do pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios decorrentes da sucumbência.
2. Embora o § 3º, do art. 98, do CPC, deixe claro que permanecerá suspensa a exigibilidade das custas e dos honorários de advogado, o credor poderá cobrá-los, a menos que, no prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença, deixe de comprovar que não mais perdura a hipossuficiência do beneficiário da gratuidade.
3. Sentença mantida.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0802781-71.2021.8.18.0026
Origem:
APELANTE: PEDRO CELESTINO OLIVEIRA
Advogados do(a) APELANTE: GILBERTO LEITE DE AZEVEDO FILHO - PI8496-A, IANE LAYANA E SILVA SOARES - PI19083-A
APELADO: BANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S.A., BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S.A., BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
Advogado do(a) APELADO: CARLOS FERNANDO DE SIQUEIRA CASTRO - PI5726-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Em exame apelação intentada, a fim de reformar a sentença pela qual fora julgada a AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, aqui versada, proposta por PEDRO CELESTINO OLIVEIRA, ora apelante, contra o BANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S/A, ora apelado.
A decisão consiste, essencialmente, em julgar improcedente a ação, com base no art. 487, inc. I, do CPC. Condena o apelante, ainda, nas custas e honorários advocatícios, mediante condição suspensiva, em face da concessão da gratuidade judiciária.
Inconformado, o apelante alega, em síntese, que o douto magistrado sentenciante ignorara que lhe concedera a gratuidade judiciária, eis que não reúne condições de arcar com as despesas processuais, sem comprometer o seu sustento e o de sua família. Por fim, requer a declaração de nulidade da sentença, porque não reconhecera a sua hipossuficiência. Nas contrarrazões, o apelado contesta os argumentos expendidos no recurso, deixando transparecer, em suma, que o magistrado dera à lide o melhor desfecho. Clama, portanto, pela manutenção da sentença. Sem opinativo do Parquet. É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao VOTO, deferindo-se, de logo, por ser o caso, a gratuidade judiciária deferida ao apelante.
VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Votando): Senhores julgadores, o apelante volta-se, unicamente, contra a sua condenação no pagamento das custas e honorários sucumbenciais. Reputa-a indevida, por ser beneficiário da gratuidade de justiça, ainda que sob condição suspensiva.
Não lhe assiste razão, contudo, diante do que a prevê o § 2º, do art. 98, do CPC. Esse dispositivo deixa claro que a concessão da gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
A não bastar, o § 3º do mesmo artigo dispõe que o beneficiário da gratuidade, se vencido, apenas terá direito à suspensão da exigibilidade da condenação. Mesmo assim, aduza-se, a exigência se poderá dar se, nos cinco anos subsequentes ao trânsito em julgado da sentença, o credor demonstrar que deixara de existir a situação de hipossuficiência.
Daí, certamente, o motivo pelo qual, nos nossos tribunais, a matéria em comento está pacificada, a partir de arestos como este, dentre outros que, também, poderiam vir à colação, verbis:
“APELAÇÃO CÍVEL – JUSTIÇA GRATUITA DEFERIDA PELO JUÍZO A QUO – REQUERENTE QUE LITIGOU DURANTE TODO O CURSO DO PROCESSO SOB O PÁLIO DA BENESSE – SENTENÇA QUE RECONHECEU A PRESCRIÇÃO, CONDENANDO A AUTORA AO PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS E DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – DEFERIMENTO DA GRATUIDADE QUE NÃO ISENTA O SUCUMBENTE DA CONDENAÇÃO – A EXIGIBILIDADE DE TAIS VERBAS, NO ENTANTO, RESTAM SUSPENSAS – INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 98, PARÁGRAFO 3º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DA CONDENAÇÃO – RECURSO NÃO PROVIDO. (TJPR - 9ª C.Cível - 0008561-13.2011.8.16.0129 - Pontal do Paraná - Rel.: DESEMBARGADOR DOMINGOS JOSÉ PERFETTO - J. 25.04.2019).”
EX POSITIS e sendo o quanto suficiente asseverar, VOTO para que seja denegado provimento ao recurso, mantendo-se incólume a sentença, pelas suas próprias razões de decidir, inclusive, no tocante às despesas processuais.
Teresina, 27/02/2023
0802781-71.2021.8.18.0026
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalAbatimento proporcional do preço
AutorPEDRO CELESTINO OLIVEIRA
RéuBANCO OLE BONSUCESSO CONSIGNADO S.A.
Publicação27/02/2023