Acórdão de 2º Grau

Seguro 0800594-27.2020.8.18.0026


Ementa

EMENTA PROCESSO CIVIL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SEGURO DPVAT. NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE O EVENTO E O RESULTADO DEMONSTRADO POR LAUDO PERICIAL E DOCUMENTAÇÃO JUNTADA PELA PARTE. LEI Nº 6.194/74. RECEBIMENTO INTEGRAL DE INDENIZAÇÃO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. O pagamento da indenização é devido a vítima de acidente de trânsito mediante a simples prova do acidente e do dano decorrente. Liame causal entre o fato e o resultado invalidez demonstrado através de laudo pericial e documentação constante dos autos. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800594-27.2020.8.18.0026 - Relator: HAROLDO OLIVEIRA REHEM - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 16/02/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800594-27.2020.8.18.0026

APELANTE: SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA

Advogado(s) do reclamante: LUCAS NUNES CHAMA, LUANA SILVA SANTOS

APELADO: JOAO BANDEIRA DA SILVA
REPRESENTANTE: SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA

Advogado(s) do reclamado: ELIDA ANDRADE DE LIMA OLIVEIRA, BRUNA LIVIA DE ANDRADE GOMES SILVA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO BRUNA LIVIA DE ANDRADE GOMES SILVA, MIGUEL IBIAPINA ALVARENGA

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 


EMENTA


 

EMENTA

PROCESSO CIVIL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SEGURO DPVAT. NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE O EVENTO E O RESULTADO DEMONSTRADO POR LAUDO PERICIAL E DOCUMENTAÇÃO JUNTADA PELA PARTE. LEI Nº 6.194/74. RECEBIMENTO INTEGRAL DE INDENIZAÇÃO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 

O pagamento da indenização é devido a vítima de acidente de trânsito mediante a simples prova do acidente e do dano decorrente. Liame causal entre o fato e o resultado invalidez demonstrado através de laudo pericial e documentação constante dos autos.

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0800594-27.2020.8.18.0026
Origem: 
APELANTE: SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA 
Advogados do(a) APELANTE: LUANA SILVA SANTOS - PA16292-A, LUCAS NUNES CHAMA - PA16956-A

APELADO: JOAO BANDEIRA DA SILVA
REPRESENTANTE: SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA

Advogados do(a) APELADO: BRUNA LIVIA DE ANDRADE GOMES SILVA - PI18418-A, ELIDA ANDRADE DE LIMA OLIVEIRA - PI18109-A, MIGUEL IBIAPINA ALVARENGA - PI8640-A

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 

RELATÓRIO

 

O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (Relator): Eminentes julgadores integrantes desta colenda 1ª Câmara Especializada Cível, senhor procurador de justiça, senhores advogados, demais pessoas aqui também presentes.

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA para reformar a sentença que julgou procedente a ação de cobrança, ajuizada por JOAO BANDEIRA DA SILVA, ora apelado.

Ingressou a parte autora com esta ação alegando, em síntese, que sofreu um acidente de trânsito na Cidade de Timon - MA enquanto trafegava como pedestre, vindo a ser vítima de atropelamento por um veículo não identificado. Que sofreu uma fratura exposta na região tibial e uma lesão corto contusa na região do Crânio, onde foi submetido a tratamento cirúrgico, na qual resultou em invalidez do mesmo, o que o impossibilitou de retornar as suas atividades normais, inclusive de qualquer trabalho, pois sentia dores constantes ao realizar esforços. Ao final requereu seja julgado procedente o pedido, condenando a Requerida a pagar ao Requerente a indenização devida (R$ 13.500,00) com a devida correção monetária e acrescida de juros legais

Citado, o réu apresentou contestação, alegando que o autor não se desincumbiu do ônus de demonstrar o nexo de causalidade entre o acidente automotivo e as lesões sofridas, que teriam gerado a alegada invalidez permanente. Contudo, não junta aos autos Laudo do Instituto Médico Oficial, documento indispensável para comprovação da suposta invalidez alegada pelo autor. Requereu a total improcedência dos pedidos da parte autora.

Por sentença, Id 7098506 - Pág. 1/3, o MM. Juiz julgou “PARCIALMENTE PROCEDENTE, nos termos do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil, a ação que JOÃO BANDEIRA DA SILVA move contra SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DPVAT, para o pagamento do seguro dpvat no importe de R$ 7.087,50. O termo inicial da correção monetária (INPC) é a data do evento danoso, conforme precedentes do STJ. Os juros moratórios (1% a.m.), por sua vez, incidem a partir da data da citação, como determina a Súmula 426 do STJ, a seguir transcrita: Os juros de mora na indenização do seguro DPVAT fluem a partir da citação. Em razão da sucumbência recíproca, as custas e despesas processuais devem ser distribuídas observando a proporção de 50% para cada uma das partes; bem como os honorários advocatícios, que fixo em R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 para o advogado de cada polo da demanda), com fulcro no artigo 85, §8º, do CPC. Fica suspensa a exigibilidade desta condenação em relação ao autor, por ser beneficiário da assistência judiciária gratuita.”

Inconformada com a referida decisão, a parte ré interpôs esta Apelação, reiterando os argumentos da contestação e requerendo, ao final, a reforma da sentença para que essa julgue improcedente o pedido da autora.

Intimada, a parte autora apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção da sentença combatida.

Instada, a Procuradoria de Justiça deixou de emitir parecer ante a ausência de interesse público.

É o relatório.

 


VOTO


 

VOTO - RELATOR

 

O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (votando): Senhores Julgadores, a apelação cível merece ser conhecida, uma vez que existentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade: tempestividade, preparo, regularidade formal e inexistência de fato impeditivo, e intrínsecos: legitimidade, interesse e cabimento.

Conforme bem fundamentado pelo juízo a quo, os documentos juntados demonstram que o autor apresenta invalidez permanente parcial que se deu em razão do acidente automobilístico, laudo pericial e documentação.

Sabe-se que o seguro obrigatório tem a finalidade de cobrir danos pessoais, envolvendo indenizações por morte, invalidez permanente e despesas de assistência médica e suplementares, como obrigação imposta ao consórcio de seguradoras participantes do sistema DPVAT, que recebem valores embutidos nos respectivos prêmios, destinados a tais reparações.

Assim, existindo sequela pelas lesões sofridas no acidente de trânsito, deve ser efetuado o pagamento da indenização, que será paga de forma proporcional ao grau da invalidez. Realizado o exame pericial constatou-se que a parte autora sofreu lesão exclusivamente decorrente de acidente pessoal com veículo automotor de via terrestre, tendo, em decorrência, sofrido FRATURA PROXIMAL DA TÍBIA ESQUERDA E FRATURA DISTAL DA MESMA TÍBIA. Disse o perito que a autora, por conta das lesões, apresenta invalidez permanente parcial em torno de 75% de sua função.

A propósito, transcrevo o que dispõe o artigo 3º, § 1º, da Lei nº 6.194/1974 (que rege a matéria), com redação dada pelas Leis nº 11.482/2007 e nº 11.945/2009:

Art. 3º Os danos pessoais cobertos pelo seguro estabelecido no art. 2º desta Lei compreendem as indenizações por morte, por invalidez permanente, total ou parcial, e por despesas de assistência médica e suplementares, nos valores e conforme as regras que se seguem, por pessoa vitimada:

§ 1o No caso da cobertura de que trata o inciso II do caput deste artigo, deverão ser enquadradas na tabela anexa a esta Lei as lesões diretamente decorrentes de acidente e que não sejam suscetíveis de amenização proporcionada por qualquer medida terapêutica, classificando-se a invalidez permanente como total ou parcial, subdividindo-se a invalidez permanente parcial em completa e incompleta, conforme a extensão das perdas anatômicas ou funcionais, observado o disposto abaixo:

II - quando se tratar de invalidez permanente parcial incompleta, será efetuado o enquadramento da perda anatômica ou funcional na forma prevista no inciso I deste parágrafo, procedendo-se, em seguida, à redução proporcional da indenização que corresponderá a 75% (setenta e cinco por cento) para as perdas de repercussão intensa, 50% (cinquenta por cento) para as de média repercussão, 25% (vinte e cinco por cento) para as de leve repercussão, adotando-se ainda o percentual de 10% (dez por cento), nos casos de sequelas residuais.

Os documentos constantes dos autos demonstram o nexo causal entre o acidente de trânsito e a lesão sofrida pelo autor/apelado, o que autoriza a pretendida indenização.

Nesse sentido tem se firmado a jurisprudência nos Tribunais Pátrios, verbis:

SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT)- LEI N. 11.482/07 – INDENIZAÇÃO –NEXO CAUSAL DEMONSTRADO - RECURSO DESPROVIDO. Quando as provas trazidas aos autos são perfeitamente capazes de comprovar a ocorrência do sinistro e o dano causado e inexistindo prova em contrário, não incide a improcedência da ação por ausência de provas” (TJMT Apelação Cível 0019323-80.2016.8.11.0002 – DES. CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO, Julgado em 23/01/2019, Publicado no DJE 30/01/2019)

Realizado o exame pericial constatou-se que a parte autora sofreu lesão exclusivamente decorrente de acidente pessoal com veículo automotor de via terrestre, tendo, em decorrência, sofrido fratura proximal da tíbia esquerda e fratura distal da mesma tíbia. Disse o perito que o autor, por conta das lesões, apresenta invalidez permanente parcial em torno de 75% de sua função.

Diante do exposto, VOTO pelo CONHECIMENTO deste recurso e, no mérito, pelo seu IMPROVIMENTO, mantendo-se a sentença a quo em todos os seus termos.

É o voto.

 

 

 



Teresina, 16/02/2023

Detalhes

Processo

0800594-27.2020.8.18.0026

Órgão Julgador

Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Seguro

Autor

SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT SA

Réu

JOAO BANDEIRA DA SILVA

Publicação

16/02/2023