TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara de Direito Público
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0001159-71.2014.8.18.0046
APELANTE: MUNICIPIO DE COCAL, ANTONIA RODRIGUES GOMES, FRANCISCO ROGERIO DOS SANTOS
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE COCAL
Advogado(s) do reclamante: MAIRA CASTELO BRANCO LEITE DE OLIVEIRA CASTRO, ELISSANDRA CARDOSO FIRMO
APELADO: FRANCISCO ROGERIO DOS SANTOS, ANTONIA RODRIGUES GOMES, MUNICIPIO DE COCAL
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE COCAL
Advogado(s) do reclamado: JOAO PAULO BARROS BEM, ELISSANDRA CARDOSO FIRMO, MAIRA CASTELO BRANCO LEITE DE OLIVEIRA CASTRO
RELATOR(A): Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL. CONDENAÇÃO EM CUSTAS E HORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. RITO COMUM. POSSIBILIDADE.
1. As custas fundamenta-se para cobrir despesas relacionadas a atos processuais e os honorários advocatícios fundamenta-se pelo grau de zelo do profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a importância da causa e o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço no patamar de no mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos, na forma do art. 85, § 2º do CPC.
2. Rito comum adotado em face da Fazenda Pública Municipal.
3. Princípio da Causalidade.
4. Custas e Honorários devidos pela parte sucumbente.
5. Recurso conhecido e improvido.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0001159-71.2014.8.18.0046
Origem:
APELANTE: MUNICIPIO DE COCAL, ANTONIA RODRIGUES GOMES, FRANCISCO ROGERIO DOS SANTOS
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE COCAL
Advogado do(a) APELANTE: ELISSANDRA CARDOSO FIRMO - PI6256-A
Advogado do(a) APELANTE: MAIRA CASTELO BRANCO LEITE DE OLIVEIRA CASTRO - PI3276-A
APELADO: FRANCISCO ROGERIO DOS SANTOS, ANTONIA RODRIGUES GOMES, MUNICIPIO DE COCAL
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE COCAL
Advogado do(a) APELADO: MAIRA CASTELO BRANCO LEITE DE OLIVEIRA CASTRO - PI3276-A
Advogados do(a) APELADO: ELISSANDRA CARDOSO FIRMO - PI6256-A, JOAO PAULO BARROS BEM - PI7478-A
RELATOR(A): Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
RELATÓRIO:
Vistos etc.,
Trata-se, in casu, de Apelação Cível, interposta por MUNICÍPIO DE COCAL, PI, contra sentença prolatada pelo Juízo Direito da Vara Única da Comarca de Cocal, nos autos da Ação de Cobrança de nº 0001159-71.2014.8.18.0046 ajuizada por ANTONIA RODRIGUES GOMES e outros, ora apelados.
Na sentença recorrida, o Juiz de 1º grau, julgou procedentes os pedidos dos autores e condenou o ente municipal em custas e honorários à base de 10% (dez por cento) do valor total da condenação, nos termos do art. 85, §3º, I, do CPC.
Em suas razões recursais de apelação-8147219 o Apelante requer, em suma, a reforma da sentença para ser excluído a condenação em custas e honorários advocatícios. Aduz em síntese que o processo deveria ter tramitado sob o rito do juizado especial da Fazenda Pública, e que desta forma, são indevidos os honorários e as custas.
Nas contrarrazões de apelação-8147225.
Juízo de admissibilidade positivo-8192492 realizado por este Relator, conforme decisão.
O Ministério Público devolveu os autos sem exarar manifestação meritória, ante a ausência de interesse público que justificasse sua intervenção.
É o relatório.
Encaminhem-se os presentes autos para sua inclusão em pauta de julgamento do Plenário Virtual da 1ª Câmara Especializada Cível, nos termos do art. 934, do CPC.
Cumpra-se, imediatamente.
VOTO
V O T O
Juízo de admissibilidade positivo realizado na decisão id nº 8192492, razão por que reitero o conhecimento deste Apelo.
Sem questões preliminares ou prejudiciais, passo à análise do mérito recursal.
II – DO MÉRITO
A questão orbita na condenação em custas e honorários advocatícios da parte recorrente.
Quanto a questão levantada pelo Apelante, entendo que a sentença não merece nenhum reparo, pois está conforme o disposto no CPC. Vejamos:
Art. 82. Salvo as disposições concernentes à gratuidade da justiça, incumbe às partes prover as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipando-lhes o pagamento, desde o início até a sentença final ou, na execução, até a plena satisfação do direito reconhecido no título.
(…)
§ 2º A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou.
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 1º São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente.
§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
No caso, pode-se notar que o juízo de piso não adotou o rito do Juizado Especial da Fazenda Pública. Desta forma, como o juízo a quo julgou procedente o pedido da autora, a condenação do requerido em custas e honorários é medida que se impõe, sobretudo em razão do princípio da causalidade. Nesse sentido, inclusive a jurisprudência. Vejamos:
TRIBUTÁRIO – EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL – CANCELAMENTO DA CDA – FALTA DE INTERESSE RECURSAL COM RELAÇÃO À PRETENSÃO DE NULIDADE DA CDA - FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1- O cancelamento da CDA prejudica o conhecimento do presente recurso quanto ao pedido de nulidade da CDA, eis que a Recorrente deixa de ter interesse recursal haja vista a perda do seu objeto. 2- Segundo a jurisprudência do STJ, sobrevindo extinção da execução fiscal em razão do cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação válida do executado, a Fazenda Pública deve responder pelos honorários advocatícios, em homenagem ao princípio da causalidade. Precedentes: AgRg no AREsp 791.465/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/08/2016, DJe 31/08/2016; REsp 1648213/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/03/2017, DJe 20/04/2017. 3- A verba honorária, nos casos em que a Fazenda Pública for parte, deve ser fixada com esteio nos §§ 2º e 3º do artigo 85 do Código de Processo Civil, mostrando-se razoável fixar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa, considerando que a presente demanda não era de grande complexidade. (TJ-MT - AC: 00256374220158110002 MT, Relator: HELENA MARIA BEZERRA RAMOS, Data de Julgamento: 04/11/2019, Vice-Presidência, Data de Publicação: 13/02/2020)
Além disso, o apelante em sede de contestação não impugnou o valor atribuído à causa ou alegou a aplicação do rito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública.
Portanto, vejo inócua o inconformismo recursal, assim não resta razão ao Apelante, uma vez que o magistrado primevo condenou de maneira correta e observando os dispositivos legais.
III – DO DISPOSITIVO:
Por todo o exposto, conheço da Apelação, por atender a todos os requisitos legais de sua admissibilidade, e NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo a sentença em todos os seus termos.
É o VOTO.
Desembargador ADERSON ANTÔNIO BRITO NOGUEIRA
RELATOR
Teresina, 08/02/2023
0001159-71.2014.8.18.0046
Órgão JulgadorDesembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara de Direito Público
Relator(a)ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras de Direito Público
Assunto PrincipalCorreção Monetária de Diferenças Pagas em Atraso
AutorMUNICIPIO DE COCAL
RéuFRANCISCO ROGERIO DOS SANTOS
Publicação08/02/2023