Acórdão de 2º Grau

Dever de Informação 0830327-50.2021.8.18.0140


Ementa

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. PRETENSÃO RESISTIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. No caso dos autos, verifica-se que o apelante contestou o feito e não apresentou o contrato objeto da lide, postulando o acolhimento da preliminar de carência de ação, com a consequente extinção do feito, ou alternativamente pela improcedência do feito, caracterizando assim a resistência à pretensão deduzida na inicial. 2. Assim, havendo pretensão resistida, justifica-se a condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios. 3. Entendo como razoável o quantum arbitrado pelo juízo a quo, a saber, 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, visto que arbitrado no percentual mínimo, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC. 4. Recurso conhecido e improvido. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0830327-50.2021.8.18.0140 - Relator: ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 07/03/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0830327-50.2021.8.18.0140

APELANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado(s) do reclamante: NEY JOSE CAMPOS

APELADO: MARIA ETEVALDA GOMES CHAVES
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado(s) do reclamado: HENRY WALL GOMES FREITAS REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO HENRY WALL GOMES FREITAS

RELATOR(A): Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

 


EMENTA


 

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. PRETENSÃO RESISTIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. No caso dos autos, verifica-se que o apelante contestou o feito e não apresentou o contrato objeto da lide, postulando o acolhimento da preliminar de carência de ação, com a consequente extinção do feito, ou alternativamente pela improcedência do feito, caracterizando assim a resistência à pretensão deduzida na inicial.

2. Assim, havendo pretensão resistida, justifica-se a condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

3. Entendo como razoável o quantum arbitrado pelo juízo a quo, a saber, 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, visto que arbitrado no percentual mínimo, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC.

4. Recurso conhecido e improvido.

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0830327-50.2021.8.18.0140

APELANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. 
Advogado do(a) APELANTE: NEY JOSE CAMPOS - MG44243-A

APELADO: MARIA ETEVALDA GOMES CHAVES
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado do(a) APELADO: HENRY WALL GOMES FREITAS - PI4344-A

RELATOR: Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA


RELATÓRIO

 

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL (ID 7952125) interposta por BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, contra sentença do Juízo da 8a Vara Cível da Comarca de Teresina/PI (ID 7952122), nos autos da AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS, ajuizada por MARIA ETEVALDA GOMES CHAVES, ora apelada.

 

Na sentença (ID 7216343) o Magistrado a quo, homologou sem exame de mérito, a prova produzida nos autos de PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA, para que surta seus jurídicos e legais efeitos, condenando a apelante ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, estes arbitrados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa.

 

Nas suas razões recursais (ID 7952125), o apelante alega que o valor arbitrado pelo juiz não é justo e deve sofrer alteração, sob pena de causar enriquecimento ilícito. Por fim, pugna pela reforma da sentença, para a redução dos honorários advocatícios.

 

Intimada, a Apelada apresentou contrarrazões ao recurso (ID 7952129), aduzindo que o presente apelo é ardiloso, precário, inconsistente e revestido de caráter procrastinatório. Defendendo o acerto da sentença recorrida no que pertine a condenação da apelante ao pagamento de honorários sucumbenciais.

 

Juízo de admissibilidade positivo realizado nos termos da Decisão de ID 8004386.

 

Seguindo a orientação expedida através do OFÍCIO-CIRCULAR nº 174/2021 – PJPI/TJPI/PRESIDÊNCIA/GABJAPRE/GABJAPRES2, remetido pelo Processo SEI nº 21.0.000043084-3, deixei de determinar o envio do processo ao Ministério Público Superior, por não se tratar de hipótese que justifique a sua intervenção legal (ID 7264507).

 

É o relatório.

 

Encaminhem-se os presentes autos ao Presidente da 1ª Câmara Especializada Cível deste TJPI, para a sua inclusão em pauta de julgamento, nos termos do art. 934, do CPC.

 

Cumpra-se, IMEDIATAMENTE.

 

Teresina-PI, data registrada no sistema.

 

Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

 

 

 


VOTO


 

VOTO

 

I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE

 

Preenchidos os pressupostos processuais exigíveis à espécie, CONHEÇO da APELAÇÃO CÍVEL.

 

II. DO MÉRITO RECURSAL

 

Consoante relatado, nas suas razões recursais, o apelante argumenta que, o valor arbitrado pelo juiz a título de honorários advocatícios sucumbenciais não é justo e deve sofrer alteração, sob pena de causar enriquecimento ilícito em favor da apelada.

 

Em regra, a ação de antecipação de prova é procedimento de jurisdição voluntária que culmina com sentença homologatória da prova produzida antecipadamente. Ressalto que a referida ação não é necessariamente contenciosa. Entretanto, em havendo resistência justifica-se fixar a responsabilidade daquele que sucumbir.

 

A condenação do demandado ao pagamento dos ônus sucumbenciais, portanto, só se justifica quando a parte requerida torna contencioso o procedimento.

 

No caso dos autos, verifica-se que o apelante contestou o feito e não apresentou o contrato objeto da lide, postulando o acolhimento da preliminar de carência de ação, com a consequente extinção do feito, ou alternativamente pela improcedência do feito, caracterizando assim a resistência à pretensão deduzida na inicial.

 

Assim, havendo pretensão resistida, justifica-se a condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

 

Acerca da produção antecipada da prova, os artigos 381 e 382, do Código de Processo Civil, assim dispõem:

 

"Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:

I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação;

II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito;

III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.

(…)

 

Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair.

§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso.

§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas.

(…)"

 

Como se vê, no procedimento escolhido pela autora, ora apelada, conforme disposto no artigo 382, § 2º, o juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as consequências jurídicas, de forma que o aludido procedimento servirá apenas para que a parte autora conclua sobre a necessidade de ajuizamento de ação, após ter adquirido o prévio conhecimento dos fatos.

 

Nas ações cautelares de exibição de documentos e produção antecipada de provas considerando os princípios da sucumbência e da causalidade, a jurisprudência vem entendendo que haverá a condenação ao pagamento de honorários advocatícios apenas quando estiver demonstrada a resistência à exibição dos documentos, situação configurada nos autos.

 

Isso, porque mesmo tendo realizado o pedido na via administrativa, a parte apelada obrigou-se ao ajuizamento da ação, uma vez que não foi atendida referida solicitação.

 

Assim, resta inequívoca a resistência ofertada pela parte apelante em não apresentar os documentos na via administrativa, motivo pelo qual deve arcar com a condenação da verba sucumbencial, de acordo com o princípio da sucumbência e da causalidade.

 

O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que, em conformidade com os princípios da sucumbência e da causalidade, são devidos honorários advocatícios em ações cautelares de exibição de documentos e produção antecipada de provas, desde que demonstrada a recusa administrativa, e configurada a resistência à pretensão autoral. Precedentes.” (AgInt no AgInt no AREsp 1193560/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/08/2018, DJe 28/08/2018).

 

A propósito, assim já decidiu a 1a Câmara Especializada Cível deste Egrégio Tribunal de Justiça:

 

"PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE PRODUÇÃO DE PROVA. HOMOLOGAÇÃO DO DOCUMENTO. PRETENSÃO RESISTIDA COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E CONDENAÇÃO EM CUSTAS PROCESSUAIS DEVIDAS. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

1. Trata-se na espécie de ação de exibição de documentos, cujos pedidos foram julgados procedentes, sem a fixação de honorários e com a condenação da autora ao pagamento das custas processuais, o que ensejou a interposição da presente Apelação.

2. A parte autora formulou requerimento administrativo idôneo ao réu para obtenção do contrato firmado entre as partes, tendo a instituição financeira apresentado os documentos apenas após o ajuizamento da demanda, junto com a contestação.

3. Conclui-se encontrar demonstrada a resistência à pretensão exposta na inicial, mostrando-se legítima e necessária a condenação do apelado ao pagamento das custas e honorários advocatícios.

4. Fixação dos honorários advocatícios e custas processuais em 10% (dez por cento) do valor da causa.

5. Apelação Cível conhecida e provida.

(TJPI - Apelação Cível nº 0815794-28.2017.8.18.0140 – Relator: Des. Fernando Carvalho Mendes – Data de julgamento:  28/08/2020."

 

Como é sabido, para a fixação dos honorários do advogado, incumbe ao juiz atentar para o grau de zelo do profissional, ao lugar da prestação do serviço, a natureza e importância da causa, ao trabalho realizado pelo advogado e ao tempo exigido para o seu serviço.

 

Desse modo, entendo como razoável o quantum arbitrado pelo juízo a quo, a saber, 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, visto que arbitrado no percentual mínimo, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC.

 

III. DO DISPOSITIVO

 

Ante o exposto, CONHEÇO do recurso, eis que existentes os seus pressupostos de admissibilidade, NEGANDO-LHE PROVIMENTO, mantendo a sentença recorrida em todos os seus termos.

 

É como voto.

 



Teresina, 07/03/2023

Detalhes

Processo

0830327-50.2021.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Dever de Informação

Autor

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Réu

MARIA ETEVALDA GOMES CHAVES

Publicação

07/03/2023