Acórdão de 2º Grau

Serviços de Saúde 0800372-31.2020.8.18.0003


Ementa

EMENTA RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAS E MORAIS. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. DO VÍCIO DO SERVIÇO E DA CONFIGURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. DÚVIDA QUANTO A MATERNIDADE. PULSEIRA DE IDENTIFICAÇÃO EM NOME DE OUTRA GENITORA. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800372-31.2020.8.18.0003 - Relator: ANTONIO LOPES DE OLIVEIRA - 1ª Turma Recursal - Data 29/03/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800372-31.2020.8.18.0003

RECORRENTE: SHIRLEY FEITOSA ALVES

Advogado(s) do reclamante: BARBARA FERNANDA BARBOSA OSTERNO RIBEIRO DE NORONHA

RECORRIDO: FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE, FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAUDE, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
REPRESENTANTE: FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE

 

RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

 

 


RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAS E MORAIS. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. DO VÍCIO DO SERVIÇO E DA CONFIGURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. DÚVIDA QUANTO A MATERNIDADE. PULSEIRA DE IDENTIFICAÇÃO EM NOME DE OUTRA GENITORA.

 

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800372-31.2020.8.18.0003
Origem: 
RECORRENTE: SHIRLEY FEITOSA ALVES 
Advogado do(a) RECORRENTE: BARBARA FERNANDA BARBOSA OSTERNO RIBEIRO DE NORONHA - PI13226-A

RECORRIDO: FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE, FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAUDE, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
REPRESENTANTE: FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE


RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

 

RELATÓRIO


Trata-se AÇÃO INDENIZATÓRIA movida pela parte autora, onde informa que, deu entrada na Maternidade Professor Wall Ferraz e deu a luz à sua filha.Decorrido dois dias foi para casa, e após cerca de 2 meses se deparou com a pulseira de identificação de sua filha em nome de outra genitora. Assim sobreveio a dúvida se ela era de fato a mãe biológica da menor.

Após angustia, tormento foi realizado exame de DNA e em setembro de 2019 obteve o resultado de que era devidamente mãe da criança. Diante de todo o exposto requereu a condenação do requerido a indenização por danos morais.

Sobreveio sentença (ID5849411):


            “Posto isso, consubstanciado nas razões acima elencadas julgo PROCEDENTE o pedido, e o faço para condenar a             ré, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE, a pagar em proveito da autora o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), a título             de indenização por danos morais verificados, acrescido de juros legais a partir da citação, conforme preceitua o             art. 405 do Código Civil, e correção monetária a partir da data de publicação desta decisão, conforme preceitua a             Súmula 362 do STJ.

             Sem Custas e honorários, a teor do art. 55, da Lei nº 9.099/95.”


Inconformada a parte demandada apresenta recurso inominado (ID5849413), sustentando, em síntese: Ausência de Dano; Ausência de Comprovação dos Danos Morais;  Inaplicabilidade do CDC; Por fim, requer a reforma da sentença recorrida pela improcedência da demanda.

Contrarrazão da parte recorrida não apresentada.

É a sinopse dos fatos.



 


VOTO


 


VOTO


Presente os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo à análise.

In casu, em face às razões recursais, ressalto que ficou comprovado o fato da parte autora ter dúvida quanto a maternidade de sua filha, uma vez que encontrou a pulseira de sua filha em nome de outra pessoa (conforme documento em ID5849399). Após exame de DNA, cerca de dois meses depois, verificou de fato que a prole é verdadeiramente sua filha biológica. Logo, tal fato demonstra que houve certa negligência da requerida por não ter diligenciado a fim de garantir a devida identificação da menor.

Assim, induvidosa a responsabilidade da demandada que agiu negligentemente em colocar a pulseira em nome de outra mãe, inquestionavelmente, gerou dano de ordem extrapatrimonial.

Entendo também que não assiste razão a Recorrente no tocante ao valor fixado pelo Juízo de origem a título de danos morais, vez que atende aos requisitos da razoabilidade e da proporcionalidade.

Neste passo, após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto dos art. 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este Acórdão:


“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.”.


Diante do exposto, conheço do recurso e nego-lhe provimento, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Em atenção ao disposto no art. 55, da Lei nº 9099/95, condeno a parte Recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, que arbitro em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação atualizado.

Datado e assinado eletronicamente.

Detalhes

Processo

0800372-31.2020.8.18.0003

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

ANTONIO LOPES DE OLIVEIRA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Serviços de Saúde

Autor

FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE

Réu

SHIRLEY FEITOSA ALVES

Publicação

29/03/2023