Acórdão de 2º Grau

Honorários Periciais 0760489-52.2021.8.18.0000


Ementa

EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUSTEIO DE HONORÁRIOS PERICIAIS PELO ESTADO. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. VALOR RAZOÁVEL. RECURSO IMPROVIDO. 1. A perícia será paga com recursos alocados no orçamento do Estado em valor que será fixado conforme tabela do tribunal respectivo. No caso, o Tribunal de Justiça do Piauí não dispõe de tabela própria, razão pela qual deve ser utilizada a Resolução n° 236/2016 do Conselho Nacional de Justiça, a qual dispõe, em seu art. 2, §§ 1, 2 e 4. 2. em análise ao caso concreto, não se verifica mácula à decisão proferida pelo juízo de primeiro grau, na medida em que os honorários foram arbitrados tendo como base a Resolução retromencionada, o que é cabível ante a ausência de regulamentação no âmbito desta corte. Ademais, como preleciona o artigo supra, é possível a fixação dos honorários em montante superior ao constante na tabela do CNJ, desde que devidamente fundamentado. Ressalte-se que o valor arbitrado pelo juízo de primeiro grau para realização da perícia foi de R$ 1.000,00 (mil reais), ante a complexidade de sua realização. 3. Recurso improvido. (TJPI - AGRAVO DE INSTRUMENTO 0760489-52.2021.8.18.0000 - Relator: OLIMPIO JOSE PASSOS GALVAO - Vice-Presidência do Tribunal de Justiça - Data 08/11/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Câmara Especializada Cível

AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) No 0760489-52.2021.8.18.0000

AGRAVANTE: ESTADO DO PIAUI

 

AGRAVADO: RAIMUNDO NONATO ALVES DOS SANTOS

Advogado(s) do reclamado: LUCIANO HENRIQUE SOARES DE OLIVEIRA AIRES, IGOR GUSTAVO VELOSO DE SOUZA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO IGOR GUSTAVO VELOSO DE SOUZA

RELATOR(A): Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO

 


EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUSTEIO DE HONORÁRIOS PERICIAIS PELO ESTADO. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. VALOR RAZOÁVEL. RECURSO IMPROVIDO.

1. A perícia será paga com recursos alocados no orçamento do Estado em valor que será fixado conforme tabela do tribunal respectivo. No caso, o Tribunal de Justiça do Piauí não dispõe de tabela própria, razão pela qual deve ser utilizada a Resolução n° 236/2016 do Conselho Nacional de Justiça, a qual dispõe, em seu art. 2, §§ 1, 2 e 4.

2. em análise ao caso concreto, não se verifica mácula à decisão proferida pelo juízo de primeiro grau, na medida em que os honorários foram arbitrados tendo como base a Resolução retromencionada, o que é cabível ante a ausência de regulamentação no âmbito desta corte. Ademais, como preleciona o artigo supra, é possível a fixação dos honorários em montante superior ao constante na tabela do CNJ, desde que devidamente fundamentado. Ressalte-se que o valor arbitrado pelo juízo de primeiro grau para realização da perícia foi de R$ 1.000,00 (mil reais), ante a complexidade de sua realização.

3. Recurso improvido.


 

 

I. RELATÓRIO

Trata-se de AGRAVO DE INSTRUMENTO interposto pelo ESTADO DO PIAUÍcontra a decisão que fixou honorários periciais na ação ajuizada por Maria do Socorro Araújo do Nascimento contra o Banco Santander S/A. 

Em síntese, o Estado do Piauí alega: que a decisão agravada deferiu a produção de prova pericial requerida pela parte beneficiada pela gratuidade da justiça, fixando o valor de R$ 1.000,00 (mil reais) a título de honorários em favor do perito; que o magistrado a quo fixou os honorários em valor superior ao estabelecido na Resolução nº 232/2016 do CNJ, sem expor motivos para justificar a quantia arbitrada.

Intimada, a parte agravada deixou transcorrer o prazo para apresentação de contrarrazões.

Em decisão de ID 6331536, foi indeferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo pleiteado no recurso.

Encaminhados os autos ao Ministério Público Superior, este manifestou-se pela desnecessidade de sua intervenção no feito.

É o Relatório.

 


 

VOTO

II. FUNDAMENTAÇÃO

II. 1. Requisitos de Admissibilidade

Preenchidos os requisitos de admissibilidade, CONHEÇO do recurso.

II. 2. Preliminares

Não forma suscitadas preliminares.

II.3. Do Mérito Recursal

Cinge-se o presente recurso acerca da determinação de custeio, pelo recorrente, de honorários periciais pelo fato da parte, no processo de origem, ser beneficiária da justiça gratuita.

Sobre o custeio da perícia quando a parte for beneficiária da justiça gratuita dispõe o Código de Processo Civil:

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes.

(...)

§ 3º Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de beneficiário de gratuidade da justiça, ela poderá ser:

I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e realizada por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público conveniado;

II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de ser realizada por particular, hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Justiça.

Verifica-se, da análise do dispositivo supra, que a perícia será paga com recursos alocados no orçamento do Estado em valor que será fixado conforme tabela do tribunal respectivo.

No caso, o Tribunal de Justiça do Piauí não dispõe de tabela própria, razão pela qual deve ser utilizada a Resolução n° 236/2016 do Conselho Nacional de Justiça, a qual dispõe, em seu art. 2, §§ 1, 2 e 4, in verbis:

Art. 2º O magistrado, em decisão fundamentada, arbitrará os honorários do profissional ou do órgão nomeado para prestar os serviços nos termos desta Resolução, observando-se, em cada caso:

I - a complexidade da matéria;

II - o grau de zelo e de especialização do profissional ou do órgão;

III - o lugar e o tempo exigidos para a prestação do serviço;

IV - as peculiaridades regionais.

§ 1º O pagamento dos valores de que trata este artigo e do referente à perícia de responsabilidade de beneficiário da gratuidade da justiça será efetuado com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal.

§ 2º Quando o valor dos honorários for fixado em montante superior aos definidos em tabela oficial, seu pagamento, a ser realizado pelos cofres públicos, estará limitado àqueles valores estabelecidos pelo Tribunal ou, na sua falta, pelo CNJ, conforme anexo. (Redação dada pela Rsolução nº 326, de 26.6.2020)

(...)

 

§ 4º O juiz, ao fixar os honorários, poderá ultrapassar o limite fixado na tabela em até 5 (cinco) vezes, desde que de forma fundamentada. (negritou-se).

Feitas as considerações supra e, em análise ao caso concreto, não se verifica mácula à decisão proferida pelo juízo de primeiro grau, na medida em que os honorários foram arbitrados tendo como base a Resolução retromencionada, o que é cabível ante a ausência de regulamentação no âmbito desta corte. Ademais, como preleciona o artigo supra, é possível a fixação dos honorários em montante superior ao constante na tabela do CNJ, desde que devidamente fundamentado.

Ressalte-se que o valor arbitrado pelo juízo de primeiro grau para realização da perícia foi de R$ 1.000,00 (mil reais), ante a complexidade de sua realização.

O valor arbitrado não se mostra demasiado e encontra-se condizente com os normativos aplicáveis à espécie.

Desta forma, a manutenção da decisão é medida que se impõe.

4 DECIDO

Com estes fundamentos, CONHEÇO do presente recurso e no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, para manter a decisão de primeiro grau.

Publique-se. Intime-se. Cumpra-se.

Preclusas as vias impugnativas, dê-se baixa na distribuição.

É o meu voto.

 



 

Detalhes

Processo

0760489-52.2021.8.18.0000

Órgão Julgador

Vice Presidência do Tribunal de Justiça

Órgão Julgador Colegiado

Vice-Presidência do Tribunal de Justiça

Relator(a)

OLIMPIO JOSE PASSOS GALVAO

Classe Judicial

AGRAVO DE INSTRUMENTO

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Honorários Periciais

Autor

ESTADO DO PIAUI

Réu

RAIMUNDO NONATO ALVES DOS SANTOS

Publicação

08/11/2022