TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Câmara de Direito Público
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0000632-41.2008.8.18.0140
APELANTE: GILBERTO MAGALHAES
Advogado(s) do reclamante: VILMAR DE SOUSA BORGES FILHO
APELADO: INSTITUTO DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DO PIAUI
REPRESENTANTE: ESTADO DO PIAUI
RELATOR(A): Desembargador JOSÉ JAMES GOMES PEREIRA
EMENTA: APELAÇÃO. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO C/C COBRANÇA. VERBAS COMPROVADAMENTE. QUITADAS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1) No caso em espécie, GILBERTO MAGALHÃES, ajuizou AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO C/C COBRANÇA em face da EMATER objetivando o pagamento de valores referentes à gratificação pelo exercício do cargo de coordenador regional do EMATER, na cidade de Parnaíba-PI. Na sentença proferida, julgou improcedentes os pedidos autorais com base no recebido de quitação de fls. 08. Oportuno frisar que constitui direito líquido e certo de todo servidor público a percepção de salário pelo exercício do cargo desempenhado, nos termos do artigo 7º, X, da Carta Magna, considerando ato abusivo e ilegal qualquer tipo de retenção injustificada. 2) Analisando -se os autos, observou-se que através do documento de fls. 08, ficou atestado que o débito foi pago e que o autor recebeu a quantia por ele pleiteada, por ter exercido a função de coordenador regional do EMATER no período de janeiro a setembro de 2007. O documento acostado foi devidamente assinado pelo apelante e a ausência de assinatura do Diretor do Emater não afasta a validade da quitação dada, uma vez que o art. 320 do Código Civil exige apenas a assinatura do devedor. 3) Percebe-se que o artigo não exige qualquer assinatura do devedor, assim, a alegação do apelante não deve prosperar. Assim, a manutenção da sentença, é medida que se impõe. 4) Isto posto, voto pelo Conhecimento e IMPROVIMENTO da apelação, para manter a sentença a quo em todos os seus termos e fundamentos. É como voto. Instado a se manifestar, o órgão do Ministério Público estadual devolveu os autos sem manifestação acerca da questão de fundo, por não vislumbrar motivo que a justifique.
DECISÃO: Acordam os componentes da 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do PIAUÍ, à unanimidade, nos termos do Relator: “voto pelo Conhecimento e IMPROVIMENTO da apelação, para manter a sentença a quo em todos os seus termos e fundamentos”.
RELATÓRIO
Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por GILBERTO MAGALHÃES, devidamente qualificado, em face do INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DO PIAUÍ, também qualificado, com o escopo de combater a sentença proferida nos autos da AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO C/C COBRANÇA de nº 0000632-41.2008.8.18.0140, que julgou improcedente o pedido do autor com base no art. 269, I do CPC (pgs. 65/67 - ID 5657956).
Embargos de declaração em ID 5657956, na qual a parte recorrente, requer seja suprimida a omissão apontada, para conferir o efeito modificativo a sentença.
No entanto, em ID 5657956, pág. 82, o juiz a quo sentenciou dizendo não haver omissão no julgado.
Insatisfeita, a parte autora/apelante, em ID 5657957, aduz a priori, o pedido de justiça gratuita.
Alega que não foi observado pelo Juízo sentenciante que o documento de fl. 07 e 08 dos autos tratam-se de um requerimento com o recibo formulado pelo Apelante ao Diretor-Geral do EMATER-PI requerendo que fosse autorizado o pagamento da gratificação postulada, oportunidade em que foi juntado o recibo de fl. 08 já assinado, pois trata-se de uma exigência da autarquia a apresentação do recibo com a assinatura do servidor para que somente então seja autorizado o pagamento, o que assim procedeu o Recorrente.
Aduz que no recibo de fl. 08 dos autos não consta nenhum visto do Diretor-Geral do EMATER-PI autorizando o pagamento, o que por si só demonstra que o Apelante não recebeu nenhum valor da autarquia pelo exercício da função gratificada no período de janeiro a setembro de 2007, e, dessa forma, implica em inexistência de quitação.
Sustenta que no recibo de fl. 08 dos autos não consta nenhum visto do Diretor-Geral do EMATER-PI autorizando o pagamento, o que por si só demonstra que o Apelante não recebeu nenhum valor da autarquia pelo exercício da função gratificada no período de janeiro a setembro de 2007, e, dessa forma, implica em inexistência de quitação. Ademais, o documento de fl. 07 dos autos trata-se de um ofício datado de 17/09/2007, dirigido ao Diretor-Geral do Emater-PI, com protocolo de recebimento de 19/09/2007, onde solicita a autorização para pagamento da gratificação da função postulada.
Com isso requer:
1 – a concessão dos benefícios da justiça gratuita em favor do Apelante; 2 – no mérito, seja dado provimento à presente apelação para, uma vez reformada a decisão singular, julgar procedente a ação, com a inversão do ônus da sucumbência, eis que o recibo de fl. 08 dos autos não comprova o pagamento pelo EMATER-PI, mas apenas uma exigência da autarquia para recebimento da gratificação postulada pelo Apelante, visto que o ofício e o recibo protocolizados em 19.09.2007 na autarquia são datados de 17.09.2007, ou seja, data anterior ao protocolo.
Em Id 2486531, houve contrarrazões ao apelo, na qual o autor requer a manutenção da sentença a quo.
Instado a se manifestar, o órgão do Ministério Público estadual devolveu os autos sem manifestação acerca da questão de fundo, por não vislumbrar motivo que a justifique.
É o relatório.
Passo ao voto.
Recurso cabível e processado na forma da lei.
No caso em espécie, GILBERTO MAGALHÃES, ajuizou AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO C/C COBRANÇA em face da EMATER objetivando o pagamento de valores referentes à gratificação pelo exercício do cargo de coordenador regional do EMATER, na cidade de Parnaíba-PI.
Na sentença proferida, julgou improcedentes os pedidos autorais com base no recebido de quitação de fls. 08.
Oportuno frisar que constitui direito líquido e certo de todo servidor público a percepção de salário pelo exercício do cargo desempenhado, nos termos do artigo 7º, X, da Carta Magna, considerando ato abusivo e ilegal qualquer tipo de retenção injustificada.
Analisando -se os autos, observou-se que através do documento de fls. 08, ficou atestado que o débito foi pago e que o autor recebeu a quantia por ele pleiteada, por ter exercido a função de coordenador regional do EMATER no período de janeiro a setembro de 2007.
O documento acostado foi devidamente assinado pelo apelante e a ausência de assinatura do Diretor do Emater não afasta a validade da quitação dada, uma vez que o art. 320 do Código Civil exige apenas a assinatura do devedor, vejamos o que dita o artigo:
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
Percebe-se que o artigo não exige qualquer assinatura do devedor, assim, a alegação do apelante não deve prosperar.
A despeito do assunto:
APELAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS. ÔNUS DA PROVA. QUITAÇÃO DO DÉBITO. EXCESSO DE COBRANÇA. REPETIÇÃO. I - A prova da quitação do débito, por se tratar de fato extintivo do direito do autor, é ônus do réu, do qual ele não se desincumbiu totalmente, art. 373, inc. II, do CPC. Mantida a r. sentença que julgou procedente em parte o pedido de cobrança. II - A inclusão de parcelas já quitadas no montante devido configurou erro justificável, e não conduta dolosa. Incabível a repetição do indébito, na forma do art. 940 do CC. III - Apelação do autor provida. Apelação do réu desprovida. (TJ-DF 07002258520208070008 DF 0700225-85.2020.8.07.0008, Relator: VERA ANDRIGHI, Data de Julgamento: 22/04/2021, 6ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 10/05/2021 . Pág.: Sem Página Cadastrada.)
APELAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS. ÔNUS DA PROVA. QUITAÇÃO DO DÉBITO. EXCESSO DE COBRANÇA. REPETIÇÃO. I - A prova da quitação do débito, por se tratar de fato extintivo do direito do autor, é ônus do réu, do qual ele não se desincumbiu totalmente, art. 373, inc. II, do CPC. Mantida a r. sentença que julgou procedente em parte o pedido de cobrança. II - A inclusão de parcelas já quitadas no montante devido configurou erro justificável, e não conduta dolosa. Incabível a repetição do indébito, na forma do art. 940 do CC. III - Apelação do autor provida. Apelação do réu desprovida. (TJ-DF 07002258520208070008 DF 0700225-85.2020.8.07.0008, Relator: VERA ANDRIGHI, Data de Julgamento: 22/04/2021, 6ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 10/05/2021 . Pág.: Sem Página Cadastrada.)
Assim, a manutenção da sentença, é medida que se impõe.
Isto posto, voto pelo Conhecimento e IMPROVIMENTO da apelação, para manter a sentença a quo em todos os seus termos e fundamentos.
É como voto.
Instado a se manifestar, o órgão do Ministério Público estadual devolveu os autos sem manifestação acerca da questão de fundo, por não vislumbrar motivo que a justifique.
Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Des. José James Gomes Pereira – Relator, Des. Manoel de Sousa Dourado e Des. José Wilson Ferreira de Araújo Júnior.
Impedimento/ suspeição: não houve.
Sustentação oral: não houve.
Presente o Exmo. Sr. Dr. Antônio de Pádua Ferreira Linhares, Procurador de Justiça.
O referido é verdade; dou fé.
SALA DAS SESSÕES VIRTUAIS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ. Teresina, 07 de outubro de 2022 a 14 de outubro de 2022.
DILIGÊNCIAS PARA A COORDENADORIA CUMPRIR: Esgotados os prazos recursais, sem que as partes recorram deste acórdão, certifique-se o trânsito em julgado, arquive-se os autos, dê-se baixa na distribuição e remeta-os à origem para os fins legais
Teresina/PI, data e assinatura do sistema.
Des. José James Gomes Pereira
Relator
0000632-41.2008.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador JOSÉ JAMES GOMES PEREIRA
Órgão Julgador Colegiado2ª Câmara de Direito Público
Relator(a)JOSE JAMES GOMES PEREIRA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras de Direito Público
Assunto PrincipalAbuso de Poder
AutorGILBERTO MAGALHAES
RéuINSTITUTO DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DO PIAUI
Publicação14/10/2022