Acórdão de 2º Grau

Abuso de Poder 0811527-76.2018.8.18.0140


Ementa

EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA – LOCAÇÃO - CONTRATO DE LOCAÇÃO EM QUE FIGURA COMO LOCATÁRIO SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA – STRANS - Locação de veículos, contrato nº 020/2015, pregão presencial 036/2015. Relação locatícia suficientemente comprovada. Inadimplemento parcialmente reconhecido pelo réu. Recurso conhecido e improvido. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0811527-76.2018.8.18.0140 - Relator: HAROLDO OLIVEIRA REHEM - 1ª Câmara de Direito Público - Data 09/11/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara de Direito Público

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0811527-76.2018.8.18.0140

APELANTE: STRANS - SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA

 

APELADO: VENILSON DE OLIVEIRA ROCHA - ME

Advogado(s) do reclamado: WYTTALO VERAS DE ALMEIDA

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 


EMENTA


 

EMENTA

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA – LOCAÇÃO - CONTRATO DE LOCAÇÃO EM QUE FIGURA COMO LOCATÁRIO SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA – STRANS - Locação de veículos, contrato nº 020/2015, pregão presencial 036/2015. Relação locatícia suficientemente comprovada. Inadimplemento parcialmente reconhecido pelo réu. Recurso conhecido e improvido.

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0811527-76.2018.8.18.0140
Origem: 
APELANTE: STRANS - SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA
 

APELADO: VENILSON DE OLIVEIRA ROCHA - ME

Advogado do(a) APELADO: WYTTALO VERAS DE ALMEIDA - PI10837-A

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 

RELATÓRIO

Cuida-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por STRANS - SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA contra sentença exarada nos autos da AÇÃO DE COBRANÇA (Processo nº 0811527-76.2018.8.18.0140, Vara DOS Feitos da Fazenda Pública da Comarca de Teresina/PI), ajuizada por VENILSON DE OLIVEIRA ROCHA - ME ora apelado.

Na ação originária, a parte autora alega, em síntese, que em setembro de 2015 celebrou contrato de prestação de serviços de locação de veículos, contrato nº 020/2015, pregão presencial 036/2015. O prazo do contrato sofreu 02 prorrogações, findando em 29 de Março de 2018. Alega que conforme consta no contrato, a STRANS obriga-se a pagar ao contratado, o valor global de R$ 518.400,00 (quinhentos e oito mil e quatrocentos reais). No entanto, afirma que a administração está deixando de honrar com seus compromissos, visto que, não recebeu o pagamento referente aos meses de Setembro a Dezembro de 2017. Aduz que persiste um débito no valor de R$ 87.919,65 (oitenta e sete mil novecentos e dezenove reais e sessenta e cinco centavos).

Requer, enfim, a procedência integral do pedido inicial, para condenação da requerida ao pagamento do principal da dívida, acrescidos de juros e mora.

Na contestação, a STRANS alega que já efetuou os pagamentos cobrados parcialmente no montante de R$ 47.760,18 (quarenta e sete mil, setecentos e sessenta reais e dezoito centavos), requerendo o indeferimento do pedido em relação a esses valores. Quanto aos demais pagamentos, alega que constatou divergência entre o odômetro dos veículos e quilometragem apresentada nos Relatórios de Utilização dos Veículos, não apresentando a empresa a documentação adequada para receber o valor requerido.

Enfim, requer a total improcedência dos pedidos.

Por sentença, Id 4379226 - Pág. 1/4, o MM. Juiz julgou “PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido, resolvendo-se, assim, o mérito, em conformidade com o disposto no art. 487, I do NCPC, para condenar a STRANS ao pagamento de R$ 40.159,47 (quarenta mil cento e cinquenta e nove reais e quarenta e sete centavos), com os consectários legais pertinentes. Condeno a STRANS ainda em custas e honorários advocatícios, os quais arbitro em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, no termos do § 3º, do art. 84, do CPC.”

Inconformada com a referida sentença, a parte Ré interpôs recurso de APELAÇÃO, reiterando os argumentos já expostos e clamando pelo provimento do recurso para reformar a sentença atacada.

Intimado, o Autor apresentou CONTRARRAZÕES, renovando os argumentos dantes lançados e requerendo o improvimento do recurso com a consequente manutenção da sentença recorrida.

Recebido o recurso, foram os autos encaminhados à d. Procuradoria-Geral de Justiça na qualidade de custos legis (art. 178, do CPC), a qual deixou de se manifestar por não restar configurado interesse público que justifique sua intervenção na demanda.

É o relatório.

 


VOTO


 

 

VOTO DO RELATOR

 

A APELAÇÃO CÍVEL merece ser conhecida, eis que nela se encontram os pressupostos de sua admissibilidade.

A questão controvertida nos autos diz respeito ao inadimplemento do contrato de prestação de serviços de locação de veículos firmado entre a VENILSON DE OLIVEIRA ROCHA - ME e a STRANS.

A relação locatícia celebrada, tendo no polo locatário a SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA – STRANS, está suficientemente demonstrada, bem como o inadimplemento da contraprestação locatícia.

Compulsando os autos, verifica-se que a requerida contesta os valores cobrados, e apresenta comprovação de pagamento de parte da dívida, no montante de R$ 47.760,18 (quarenta e sete mil, setecentos e sessenta reais e dezoito centavos), valores estes não impugnados pelo Autor, e condiciona o pagamento do restante dos valores à apresentação de informações pelo autor. Todavia, não logrou êxito em comprovar que solicitou ao autor qualquer tipo de informação ou documentação que alega não ter sido apresentada e que motivou o não pagamento. Pelo contrário, juntou aos autos apenas ofícios internos solicitando informações a funcionários da Prefeitura quanto à diferença de quilometragem.

Por outro lado, o Autor desincumbiu-se do seu ônus probatório (art. 373, I, CPC), comprovando os fatos constitutivos do seu direito, quais sejam, a relação locatícia com o Réu por meio do instrumento contratual, contrato nº 020/2015, pregão presencial 036/2015 e a inadimplência.

Reconhecida a relação jurídica de natureza locatícia e o descumprimento das cláusulas contratuais pelo locatário, mostrou-se acertada a sentença ao condenar o Réu no pagamento dos aluguéis e encargos em atraso.

A requerida contesta os valores cobrados, e apresenta comprovação de pagamento de parte da dívida, no montante de R$ 47.760,18 (quarenta e sete mil, setecentos e sessenta reais e dezoito centavos), valores estes não impugnados pelo autor, e condiciona o pagamento do restante dos valores à apresentação de informações pelo autor

Em relação ao quantum devido, do valor originário do débito cobrado, vale dizer, R$ 87.919,65 (oitenta e sete mil novecentos e dezenove reais e sessenta e cinco centavos), há de ser descontada a quantia parcialmente paga de R$ 47.760,18 (quarenta e sete mil, setecentos e sessenta reais e dezoito centavos), em observância ao princípio da vedação do enriquecimento ilícito.

Diante do exposto, CONHEÇO do recurso, NEGANDO-LHE PROVIMENTO, mantendo-se, consequentemente, a sentença a quo em todos os seus termos.

É o voto.

 

 



Teresina, 09/11/2022

Detalhes

Processo

0811527-76.2018.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara de Direito Público

Relator(a)

HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras de Direito Público

Assunto Principal

Abuso de Poder

Autor

STRANS - Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Teresina

Réu

VENILSON DE OLIVEIRA ROCHA - ME

Publicação

09/11/2022