TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0802180-26.2021.8.18.0039
RECORRENTE: GONCALO VALERIO DE SOUSA
Advogado(s) do reclamante: ITALO RENNAN DE FIGUEIREDO RESENDE
RECORRIDO: BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA
REPRESENTANTE: BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA
Advogado(s) do reclamado: EUGENIO COSTA FERREIRA DE MELO
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO NÃO CONTRATADO. ALEGAÇÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS. RÉU DESINCUMBIU DO SEU DIREITO. CONTRATO JUNTADO. TED APRESENTADO. CANCELAMENTO DOS DESCONTOS. SENTENÇA MANTIda. RECURSO CONHECIDO E imPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0802180-26.2021.8.18.0039
Origem:
RECORRENTE: GONCALO VALERIO DE SOUSA
Advogado do(a) RECORRENTE: ITALO RENNAN DE FIGUEIREDO RESENDE - PI15565-A
RECORRIDO: BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA
REPRESENTANTE: BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA
Advogado do(a) RECORRIDO: EUGENIO COSTA FERREIRA DE MELO - MG103082-A
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Visa o recurso a reforma total da sentença (ID nº 6583433), que julgou IMPROCEDENTE os pedidos constantes na inicial, resolvendo o processo em seu mérito, nos termos do art.487,I, CPC.
O recorrente interpôs recurso inominado (ID nº 6583435), alegando em suma: breve relato da lide; da moralidade contratual; do dano moral; da nulidade do contrato; da necessária reforma quanto aos danos morais; e por fim, requerendo o provimento do recurso para julgar procedentes os pedidos iniciais.
O recorrido apresentou as contrarrazões pugnando pela manutenção da sentença.
É o relatório sucinto.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Consigna-se que a relação entre as partes é de consumo, portanto, regida pelo CDC, em que a responsabilidade civil dos fornecedores de serviços, a cujo conceito se amolda a instituição financeira ré, é objetiva, fundada no risco da atividade desenvolvida (CDC, art. 14; CC, arts. 186, 187 e 927), não se fazendo necessário perquirir acerca da existência de culpa.
Em tais casos, basta a comprovação do liame de causalidade entre o defeito do serviço e o evento danoso experimentado pelo consumidor, cuja responsabilidade somente poderá ser afastada/minorada nas hipóteses de caso fortuito/força maior (CC, art. 393), inexistência do defeito (CDC, art. 14, § 3º, I) e culpa exclusiva do ofendido ou de terceiros (CDC, art. 14, § 3º, II).
O ônus da prova incumbe ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, a teor do inciso II do art. 373 do CPC/2015, haja vista que não se pode imputar à parte o ônus de produzir prova de fato negativo.
In casu, a parte autora desistiu da contratação do empréstimo e solicitou o cancelamento do contrato, o que fora feito, conforme extrato juntado pela própria recorrente que consta a devolução do valor disponibilizado em conta para o banco recorrido.
O recorrente se desincumbiu do seu ônus, tendo em vista que juntou aos autos o contrato, TED e o extrato financeiro que comprova o cancelamento dos descontos mensais.(ID nº 6583422)
Assim, constato a inexistência de conduta ilícita do Banco, pois houve o cancelamento dos descontos no benefício do autor.
Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso para negar provimento, mantendo a sentença em todos os seus termos e fundamentos, conforme art.46 da Lei 9.099/95.
Ônus de sucumbência pela parte recorrente em honorários advocatícios, fixados em 15% sobre o valor atualizado da condenação, porém com a inexigibilidade suspensa por 05(cinco) anos, nos termos do art.98 §5° do CPC.
Teresina, datado e assinado eletronicamente.
Teresina, 25/08/2022
0802180-26.2021.8.18.0039
Órgão Julgador1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)LUIZ DE MOURA CORREIA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorGONCALO VALERIO DE SOUSA
RéuBANCO MERCANTIL DO BRASIL SA
Publicação26/08/2022