TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800156-68.2021.8.18.0057
RECORRENTE: MARIA DE FATIMA DE MORAIS SILVA
Advogado(s) do reclamante: SILAS DURAES FERRAZ, VALTER JUNIOR DE MELO RODRIGUES
RECORRIDO: BANCO PAN S.A.
Advogado(s) do reclamado: FELICIANO LYRA MOURA
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO COM PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. LITISPENDÊNCIA AFASTADA. CONTRATOS DISTINTOS. REPRODUÇÃO DE AÇÕES IDÊNTICAS, AINDA EM TRAMITAÇÃO. NÃO VERIFICADA. SENTENÇA ANULADA. CAUSA QUE NÃO SE ENCONTRA MADURA. NECESSÁRIO OPORTUNIZAR A ANGULARIZAÇÃO PROCESSUAL, O CONTRADITÓRIO E A INSTRUÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA REGULAR PROCESSAMENTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800156-68.2021.8.18.0057
Origem:
RECORRENTE: MARIA DE FATIMA DE MORAIS SILVA
Advogados do(a) RECORRENTE: SILAS DURAES FERRAZ - TO7774-A, VALTER JUNIOR DE MELO RODRIGUES - TO6282-A
RECORRIDO: BANCO PAN S.A.
Advogado do(a) RECORRIDO: FELICIANO LYRA MOURA - PI11268-A
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO COM PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS na qual o autor, ora recorrente, alega que teve descontos indevidos em seu benefício previdenciário decorrente de empréstimo consignado que não anuiu. Requereu, ao final, a restituição dos valores cobrados indevidamente de forma dobrada e indenização pelos danos morais ocasionados.
Sobreveio sentença que julgou extinto o processo sem resolução do mérito, ante a existência de litispendência.
Razões do Recorrente, pleiteando o provimento do recurso para anular a sentença ante a inexistência de litispendência, bem como sejam remetidos os autos ao juízo de origem para a apreciação do mérito.
Contrarrazões da parte recorrida pugnando pela manutenção da sentença.
É a sinopse dos fatos.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, passo à análise do recurso.
Compulsando os autos, constata-se que o MM Juiz de primeiro grau, certificando a existência de litispendência entre o processo 0800147-09.2021.8.18.0057 e estes autos, extinguiu o processo sem resolução do mérito.
Ocorre que, a parte autora/recorrente ingressou com a presente ação indenizatória questionando o contrato nº 326422992-7 , enquanto que no processo acima mencionado, questionou-se o contrato nº 934601575.
Sabe-se que o instituto da litispendência encontra-se calcado na teoria da "tríplice identidade", cujo conceito legal encontra-se bem delineado no artigo 337, §§ 1º, 2º e 3º do Código de Processo Civil, verbis:
“Art. 337. Omissis.
§ 1º. Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada.
§ 2º. Uma ação é idêntica à outra quanto tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.
§ 3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. (…)”
Neste norte, para a configuração da litispendência entre duas demandas, é necessário que estas envolvam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir.
Deste modo, entendo que o presente recurso merece provimento, a fim de reconhecer a singularidade da demanda, ante a inexistência dos requisitos necessários à sua configuração da litispendência, previstos no artigo 337, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, o que autoriza o processamento da presente ação.
Esclareça-se que a causa não está madura, tendo em vista que não houve a angularização da relação processual, o contraditório e a instrução, sendo inviável, por essa razão, o julgamento imediato por este Tribunal, nos termos do art. 1.013, § 3º, do novo CPC/15.
Colaciono julgado que se amolda ao presente caso:
“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. CONTRATAÇÃO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL CONSIGNADO. SENTENÇA DE EXTINÇÃO, NOS TERMOS DO ART. 485, V, DO CPC/15 (LITISPENDÊNCIA). INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. ALEGADA A INOCORRÊNCIA DA LITISPENDÊNCIA. TESE ACOLHIDA. INEXISTENTE IDENTIDADE DE PEDIDOS E CAUSAS DE PEDIR ENTRE AS DUAS AÇÕES MENCIONADAS NA SENTENÇA. DISCUSSÃO SOBRE CONTRATOS DISTINTOS, COM DESCONTOS DIFERENTES PROMOVIDOS NO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DA APELANTE/AUTORA. NÃO CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DO ART. 337, INC. VI, §§ 1º A 3º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. LITISPENDÊNCIA AFASTADA. JULGAMENTO IMEDIATO DA LIDE PELO TRIBUNAL, NOS TERMOS DO ART. 1.013, § 3º, DO NOVO CPC. INVIABILIDADE. CAUSA QUE NÃO SE ENCONTRA MADURA. NECESSÁRIO OPORTUNIZAR A ANGULARIZAÇÃO PROCESSUAL, O CONTRADITÓRIO E A INSTRUÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA PROSSEGUIMENTO DO FEITO QUE SE IMPÕE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.(TJ-SC - APL: 50028680420208240103 Tribunal de Justiça de Santa Catarina 5002868-04.2020.8.24.0103, Relator: Mariano do Nascimento, Data de Julgamento: 18/11/2021, Primeira Câmara de Direito Comercial).”
Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso inominado, pois, preenchidos os pressupostos processuais de admissibilidade para, no mérito, dar-lhe provimento no sentido anular a sentença, devendo os autos retornarem à vara de origem para regular processamento do feito.
Sem imposição de ônus de sucumbência, nos termos do art. 55 da Lei nº 9.099/95.
Datado e assinado eletronicamente.
Teresina, 08/08/2022
0800156-68.2021.8.18.0057
Órgão Julgador1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)LUIZ DE MOURA CORREIA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorMARIA DE FATIMA DE MORAIS SILVA
RéuBANCO PAN S.A.
Publicação08/08/2022