Acórdão de 2º Grau

Empréstimo consignado 0800541-05.2020.8.18.0072


Ementa

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO – NEGÓCIOS BANCÁRIOS – DANOS MORAIS – TERMO INICIAL – INCIDÊNCIA DOS JUROS - SÚMULA 54 DO STJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – SÚMULA 362 DO STJ - DANOS MATERIAIS - INCIDÊNCIA DE JUROS – TERMO INICIAL – SÚMULA 54 DO STJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – SÚMULA 43 DO STJ - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O julgado se mostra omisso ao não especificar o termo inicial dos juros de mora e da correção monetária sobre o valor o qual fora condenada a parte sucumbente por danos materiais e danos morais. Dessarte, concernente aos danos morais, faz-se imperioso a incidência da Súmula nº 362, do STJ, quanto à correção monetária, e da Súmula nº 54, do STJ, quanto aos juros moratórios. No tocante à condenação por danos materiais, em especial aos juros moratórios, que incida a Súmula nº 54, do STJ, e, quanto à correção monetária, a Súmula nº 43, do STJ. 2. Embargos parcialmente providos. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800541-05.2020.8.18.0072 - Relator: RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 29/06/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800541-05.2020.8.18.0072

APELANTE: GONCALA NUNES PEREIRA E SILVA CARNEIRO

Advogado(s) do reclamante: IAGO RODRIGUES DE CARVALHO

APELADO: BANCO ITAU CONSIGNADO S/A
REPRESENTANTE: ITAU UNIBANCO S.A.

Advogado(s) do reclamado: ENY ANGE SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAUJO

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 


EMENTA


 

 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO – NEGÓCIOS BANCÁRIOS – DANOS MORAIS – TERMO INICIAL – INCIDÊNCIA DOS JUROS - SÚMULA 54 DO STJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – SÚMULA 362 DO STJ - DANOS MATERIAIS - INCIDÊNCIA DE JUROS – TERMO INICIAL – SÚMULA 54 DO STJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – SÚMULA 43 DO STJ - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

1. O julgado se mostra omisso ao não especificar o termo inicial dos juros de mora e da correção monetária sobre o valor o qual fora condenada a parte sucumbente por danos materiais e danos morais. Dessarte, concernente aos danos morais, faz-se imperioso a incidência da Súmula nº 362, do STJ, quanto à correção monetária, e da Súmula nº 54, do STJ, quanto aos juros moratórios. No tocante à condenação por danos materiais, em especial aos juros moratórios, que incida a Súmula nº 54, do STJ, e, quanto à correção monetária, a Súmula nº 43, do STJ.

2. Embargos parcialmente providos.



 

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0800541-05.2020.8.18.0072
Origem: 
APELANTE: GONCALA NUNES PEREIRA E SILVA CARNEIRO
 
Advogado do(a) APELANTE: IAGO RODRIGUES DE CARVALHO - PI15769-A

APELADO: BANCO ITAU CONSIGNADO S/A
REPRESENTANTE: ITAU UNIBANCO S.A.

Advogado do(a) APELADO: ENY ANGE SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAUJO - BA29442-A

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 

BANCO ITAU CONSIGNADO S/A, inconformado com o desfecho do julgamento da apelação cível versada nestes autos, nos quais contende com GONCALA NUNES PEREIRA E SILVA CARNEIRO, opõe os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fulcrando-os no artigo 1.022, do Código de Processo Civil, a fim de que seja sanada omissão que entende existente no acórdão respectivo.

Para tanto, alega o embargante, essencialmente, que a decisão recorrida incorrera no citado vício, vez que não teria sido ali analisada a correção monetária e os juros moratórios dos danos materiais e morais. Para mais, clama para que seja afastada a repetição do indébito em dobro, ante a ausência de comprovação de sua má-fé. Ao final, pede a procedência dos embargos.

O embargado, devidamente intimado para apresentar as contrarrazões, deixou correr in albis o prazo para fazê-lo.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.

 

 

 

 


VOTO


 

 

O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (votando): Senhores julgadores, como relatado, argumenta o embargante que o acórdão recorrido incorrera em omissão, vez que não teria sido ali analisada a correção monetária e os juros moratórios dos danos materiais e morais. Para mais, clama para que seja afastada a repetição do indébito em dobro, ante a ausência de comprovação de sua má-fé.

Sem razão, no entanto, quanto à irresignação atinente à necessidade de prova da existência de má-fé, em ações do credor, para a repetição do indébito. Como se observa a seguir, tal tópico resta apaziguado na fixação de tese em embargos de divergência, pelo STJ, verbis:

A restituição em dobro do indébito (parágrafo único do artigo 42 do CDC) independe da natureza do elemento volitivo do fornecedor que cobrou valor indevido, revelando-se cabível quando a cobrança indevida consubstanciar conduta contrária à boa-fé objetiva.

(STJ. Corte Especial. EAREsp 676608/RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 21/10/2020)."



Logo, a aplicação do artigo em voga prescinde de provas quanto ao alvedrio do cobrador, em relação ao seu intento de executar a dívida.

Adiante, em relação ao índice de correção monetária e dos juros moratórios concernentes aos danos materiais e danos morais, nota-se imprescindível, realmente, suprir a omissão denunciada neste recuso para a correção dos pontos que merecem reparo.

EX POSITIS e sendo o quanto se me afigura necessário asseverar, VOTO pelo PARCIAL PROVIMENTO dos EMBARGOS, a fim de, complementando-se o julgado, determinar-se que: 1) sobre o valor da indenização pelos danos materiais, que os juros aplicados fluam a partir do evento danoso, consoante art. 398, do CC, e Súmula 54, do STJ; 1.1) no que se refere à correção monetária, que se mantenha o decidido e esta seja contada a partir do efetivo prejuízo, segundo os ditames da Súmula 43, do STJ; 2) atinente à indenização por danos morais, que os juros moratórios sejam contados a partir do evento danoso, conforme a Súmula 54, do STJ; 2.1) em relação à correção monetária, que seja mantido o termo inicial à luz da Súmula 362, do STJ.

 

 



Teresina, 29/06/2022

Detalhes

Processo

0800541-05.2020.8.18.0072

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

GONCALA NUNES PEREIRA E SILVA CARNEIRO

Réu

BANCO ITAU CONSIGNADO S/A

Publicação

29/06/2022