TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0804250-89.2020.8.18.0026
APELANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
APELADO: SILVESTRE ALMEIDA
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
Advogado(s) do reclamado: RODRIGUES JUNIOR REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ANTONIO RODRIGUES DOS SANTOS JUNIOR
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA – FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO – DANO MORAL NÃO CONFIGURADO – RECURSO PROVIDO.
1. Ainda que a oscilação de energia elétrica cause aborrecimentos ou desconfortos aos consumidores, deve-se considerar como necessária a conjugação de outros fatores, capazes de ofender os atributos da personalidade e de se ter como inconteste o dever do ofensor de indenizar o ofendido, pelos danos morais.
2. Sentença modificada.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0804250-89.2020.8.18.0026
Origem:
APELANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
APELADO: SILVESTRE ALMEIDA
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
Advogado do(a) APELADO: ANTONIO RODRIGUES DOS SANTOS JUNIOR - PI17452-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Trata-se de apelação intentada por EQUATORIAL PIAUÍ DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A, a fim de modificar a sentença pela qual foi julgada procedente a AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS aqui versada, contra SILVESTRE ALMEIDA, ora apelada.
A decisão consistiu, essencialmente, em condenar a apelante ao pagamento de honorários sucumbenciais arbitrados em 15% sobre o valor da condenação, bem como a arcar com a condenação de indenização por danos morais arbitrados em R$ 3.000,00 (três mil reais).
Inconformada, a apelante, em síntese, alega, essencialmente, inexistência da obrigação de indenizar, vez que a parte autora não conseguira demonstrar adequadamente a relação entre o nexo causal dos supostos prejuízos e da conduta da concessionária. Por fim, requesta, alternativamente, a redução do quantum indenizatório.
Nas contrarrazões, o apelado, em síntese, contesta os argumentos expendidos no recurso, de forma a deixar transparecer, em suma, que o magistrado dera à lide o melhor desfecho.
A procuradora de justiça oficiante nos autos não opina por entender inexistentes as hipóteses legais necessárias à sua intervenção.
É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.
VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (votando): Senhores julgadores, como relatado, a apelante alega, essencialmente, inexistência da obrigação de indenizar, vez que a parte autora não conseguira demonstrar adequadamente a relação entre o nexo causal dos supostos prejuízos e da conduta da concessionária.
Decerto, assiste-lhe razão. Na situação em apreço, ao que se observa das provas acostadas aos autos, em especial pelo apelado, vê-se que não fora anexado sequer protocolos que demonstrem a tentativa do autor em solucionar a problemática por vias administrativas, ou ao menos para assegurar a existência de fato das adversidades aqui contestadas durante o período em que ocorreram os supostos problemas.
Ora, os documentos acostados aos autos com essa finalidade, tais como informes publicitários ou mesmo o relativo a julgados envolvendo a apelante, não têm, por si só, esse condão comprobatório.
Nesse sentido, embora seja inconteste que a oscilação de energia elétrica causa aborrecimento aos consumidores, há que se considerar como necessária a conjugação de outras circunstâncias, devidamente comprovadas, para a certeza da existência dos danos morais, o que, contudo não ocorreu. A propósito desta assertiva, traz-se o seguinte aresto pertinente à matéria em liça, in verbis:
Responsabilidade civil – oscilação de energia elétrica que causou a queima de aparelhos ELÉTRICOS - dano material – comprovado em parte – dano moral – inocorrência.
1. Responsabilidade objetiva da concessionária de energia elétrica pela falha na prestação do serviço. Precedentes desta Corte.
2. A ocorrência de danos a equipamentos elétricos por conta de deficiência no fornecimento de energia elétrica dá ensejo à indenização por danos materiais. Prova parcial dos prejuízos, formalizada pela parte autora e não rebatida pela ré.
3. A interrupção do fornecimento de energia elétrica e perda do aparelho, por si, não configura dano moral.
DERAM PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO. UNÂNIME.
(Apelação Cível n. 70069586485, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 30/06/2016).
EX POSITIS e sendo o quanto basta asseverar, VOTO para que seja dado PROVIMENTO ao recurso, a fim de que se inverta a condenação aos honorários sucumbenciais, de modo que se configure como condenado o apelado, e, por fim, que seja retirada a condenação indenizatória imposta à parte apelante.
Teresina, 22/06/2022
0804250-89.2020.8.18.0026
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalEnergia Elétrica
AutorEQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
RéuSILVESTRE ALMEIDA
Publicação23/06/2022