Acórdão de 2º Grau

Tarifas 0800196-57.2020.8.18.0066


Ementa

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – APELAÇÃO CÍVEL – NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS - CONTRADIÇÃO – OCORRÊNCIA – HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA - RECURSO PROVIDO. 1. Os honorários sucumbenciais serão arbitrados considerando o valor da causa somente quando não for possível mensurar o valor da condenação. 2. Impõe-se a retificação da decisão, quando indiscutível o vício de contradição alegado. 3. Embargos providos. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800196-57.2020.8.18.0066 - Relator: RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 10/06/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800196-57.2020.8.18.0066

APELANTE: ARNALDO BORGES DOS SANTOS

Advogado(s) do reclamante: IGO NEWTON PEREIRA ALVES

APELADO: BANCO BRADESCO S.A.

Advogado(s) do reclamado: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 


EMENTA


 

 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – APELAÇÃO CÍVEL – NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS - CONTRADIÇÃO – OCORRÊNCIA – HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA - RECURSO PROVIDO.

1. Os honorários sucumbenciais serão arbitrados considerando o valor da causa somente quando não for possível mensurar o valor da condenação.

2. Impõe-se a retificação da decisão, quando indiscutível o vício de contradição alegado.

3. Embargos providos.

 

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0800196-57.2020.8.18.0066
Origem: 
APELANTE: ARNALDO BORGES DOS SANTOS
 
Advogado do(a) APELANTE: IGO NEWTON PEREIRA ALVES - PI6790-A

APELADO: BANCO BRADESCO S.A.

Advogado do(a) APELADO: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR - PI2338-A

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 

BANCO BRADESCO S.A., inconformado com o desfecho do julgamento da apelação versada nestes autos, nos quais contende com ARNALDO BORGES DOS SANTOS, ora embargado, vem interpor os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fulcrando-os no artigo 1.022, do Código de Processo Civil, a fim de que seja sanada contradição que entende existente no acórdão respectivo.

Para tanto, alega o embargante, em suma, que a decisão recorrida incorrera no citado vício, na medida em que ao condenar a parte, mensurou o valor da condenação e inverteu o ônus de sucumbência. Entretanto, não observou que, na sentença do 1° grau, os honorários de sucumbência foram arbitrados em relação ao valor da causa, tendo em vista que, nesse momento, o valor da condenação não havia sido determinado, cf. dispõe o art. 85, §2° do CPC.

Assim, propugna a parte para que seja corrigida a decisão combatida, a fim de relacionar os honorários de sucumbência ao valor da condenação e não da causa.

Ressalta, por fim, o intento dos aclaratórios em prequestionar a matéria indicada, para interposição de recursos perante as cortes superiores.

O embargado, embora regularmente intimada, deixou correr in albis o prazo para responder ao recurso.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.


 

 

 

 

 


VOTO


 

 

O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (votando):

Senhores julgadores, oportuno transcrever-se o trecho da decisão em que se dá a alegada contradição, verbis:

Ante o exposto, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil, julgo improcedentes os pedidos da parte autora, extinguindo o feito com resolução do mérito.

Em relação às custas processuais, deixo de condenar a parte autora ao seu pagamento, diante do benefício da gratuidade judiciária a ela deferido e da isenção fiscal prevista na Lei de Custas do Piauí (Lei Estadual nº 6.920/2016, art. 8º, I).

Entretanto, condeno-a ao pagamento de honorários sucumbenciais em benefício do advogado da parte ré, os quais arbitro em 20% sobre o valor da causa atualizado, na forma do art. 85 do CPC, mas ressalto que sua cobrança está sujeita às condições previstas no art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal.



(…)



EX POSITIS e sendo o quanto basta asseverar, VOTO pelo PROVIMENTO, em parte, do recurso, a fim de julgar procedente a ação, determinando-se ao apelado que modifique a conta-corrente do apelante, para conta benefício, além de condená-lo a pagar-lhe a quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais), a título de danos morais, bem como a restituir, em dobro, os valores indevidamente descontados do seu benefício previdenciário, invertendo-se o ônus da sucumbência.



De fato, segundo determina o art. 85 do CPC, os honorários sucumbenciais serão arbitrados considerando o valor da causa somente quando não for possível mensurar o valor da condenação, situação não observada no caso em testilha.

Logo, faz-se imprescindível, realmente, sanar a contradição denunciada neste recuso, quanto a arbitragem dos honorários de sucumbência em desfavor da parte ora embargante. Assim, de forma clara e definitiva, deverão ser considerados, na condenação arbitrada por este juízo, os parâmetros do art. 85, §2º do CPC.

EX POSITIS e sendo o quanto se me afigura necessário asseverar, VOTO pelo provimento dos EMBARGOS, a fim de retificar o julgado, determinando que as custas e os honorários advocatícios, estes arbitrados em 20% (vinte por cento) sejam incidentes sobre o valor da condenação.

 

 



Teresina, 10/06/2022

Detalhes

Processo

0800196-57.2020.8.18.0066

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Tarifas

Autor

ARNALDO BORGES DOS SANTOS

Réu

BANCO BRADESCO S.A.

Publicação

10/06/2022