TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0020531-83.2012.8.18.0140
APELANTE: CAOA MONTADORA DE VEICULOS LTDA, HYUNDAI CAOA DO BRASIL LTDA
Advogado(s) do reclamante: ALBERTO LOURENCO RODRIGUES NETO, DIEGO SABATELLO COZZE, TATYANA BOTELHO ANDRE, MARCELO DE OLIVEIRA ELIAS, TATYANA BOTELHO ANDRE, NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES
APELADO: FRANCISCO TIAGO ANDRADE DE CARVALHO
Advogado(s) do reclamado: ALAIRTON BARROSO CASTEDO NUNES
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DOS VÍCIOS APONTADOS - PRETENSÃO DE REEXAME DA LIDE – IMPOSSIBILIDADE – EMBARGOS NÃO PROVIDOS.
1. Inexistem, no acórdão embargado, as supostas falhas suscitadas.
2. Os aclaratórios, como se conclui, buscam revisitar, indevidamente, questões já decididas.
3. Recurso não provido.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0020531-83.2012.8.18.0140
Origem:
APELANTE: CAOA MONTADORA DE VEICULOS LTDA, HYUNDAI CAOA DO BRASIL LTDA
Advogados do(a) APELANTE: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES - SP128341-A, ALBERTO LOURENCO RODRIGUES NETO - SP150586-A, DIEGO SABATELLO COZZE - SP252802-A, TATYANA BOTELHO ANDRE - SP170219-A, MARCELO DE OLIVEIRA ELIAS - SP188868-A
Advogados do(a) APELANTE: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES - SP128341-A, DIEGO SABATELLO COZZE - SP252802-A, TATYANA BOTELHO ANDRE - SP170219-A, MARCELO DE OLIVEIRA ELIAS - SP188868-A, ALBERTO LOURENCO RODRIGUES NETO - SP150586-A
APELADO: FRANCISCO TIAGO ANDRADE DE CARVALHO
Advogado do(a) APELADO: ALAIRTON BARROSO CASTEDO NUNES - PI8682-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
CAOA MONTADORA DE VEICULOS LTDA e OUTROS, inconformados com o desfecho do julgamento da apelação cível versada nestes autos, nos quais contendem com FRANCISCO TIAGO ANDRADE DE CARVALHO, opõem os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fulcrando-os no artigo 1.022, do Código de Processo Civil, a fim de que seja sanada obscuridade que entendem existente no acórdão respectivo.
Para tanto, alegam os embargantes, essencialmente, que a decisão recorrida incorrera no citado vício, vez que, ao que compreendem, a indenização por danos morais deve basear-se nas condições atuais do veículo. Ao final, pedem a procedência dos embargos.
O embargado, devidamente intimado para apresentar as contrarrazões, deixou correr in albis o prazo para fazê-lo.
É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.
VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (votando): Senhores julgadores, como relatado, argumentam os embargantes que o acórdão recorrido incorrera em obscuridade, vez que, ao que compreendem, a indenização por danos morais deve basear-se nas condições atuais do veículo.
Sem razão, no entanto. Com as vênias necessárias, então, traz-se à colação o trecho respectivo do acórdão pertinente à matéria em destaque, ipsis litteris:
“Por último, apenas enfatizar que o dano moral exsurge claríssimo. Afinal, vão muito além de um mero aborrecimento, contrario sensu do que acham as apelantes, a expectativa frustrada e a indignação daquele que adquire um veículo novo e somente passa a ter aborrecimentos, aumentados, inclusive, por uma nunca encontrada solução da parte a quem caberia encontrá-la.
[…]
No tocante ao quantum indenizatório, é cediço que a sua fixação deve atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Implica dizer que não deve provocar o locupletamento sem causa do ofendido e nem punir, severa e injustificadamente, o ofensor.
Exatamente o que se dá na espécie sub examine. De fato, o douto magistrado sentenciante, ao arbitrar o valor da indenização em R$ R$ 5.000,00 (cinco mil reais), ficara preso àquilo que deveria, tanto que as apelantes insurgem-se por se insurgir, ao passo que o apelado sequer recorre.”
Ora, conforme se observa do excerto, a discussão atinente aos danos morais encontra-se apaziguada, porquanto a necessidade da indenização e o valor contestado são tópicos que já foram devidamente apreciados à luz dos consectários legais cabíveis.
Dessarte, verifica-se que os embargantes possuem clara intenção de que ocorra novo julgamento da matéria, manejando o recurso em nítido desvio de finalidade.
De resto, o Código de Processo Civil, em seu artigo 1.025, consagrou a chamada tese do prequestionamento ficto, ao considerar que a simples interposição dos embargos de declaração já é suficiente para prequestionar a matéria, “ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade”. Portanto, entendo que não haverá prejuízo ao inconformismo dos ora embargantes quando, porventura, seja apresentado recurso aos Tribunais Superiores.
EX POSITIS e sendo certo que nada ampara a pretensão dos embargantes, VOTO pelo não provimento deste recurso, por entender inexistente a obscuridade alegada, mantendo-se incólume, consequentemente, a decisão recorrida, em todos os seus termos.
Teresina, 17/05/2022
0020531-83.2012.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalCompra e Venda
AutorCAOA MONTADORA DE VEICULOS LTDA
RéuFRANCISCO TIAGO ANDRADE DE CARVALHO
Publicação17/05/2022