TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0013469-50.2016.8.18.0140
APELANTE: EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICACOES SA, EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S A EMBRATEL, PORTO SEGURO REPRESENTACAO COMERCIAL LTDA
Advogado(s) do reclamante: MARCELO NEUMANN MOREIRAS PESSOA, FABIO RENATO BOMFIM VELOSO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FABIO RENATO BOMFIM VELOSO, JOAO NETO PINHEIRO NAPOLEAO BRAZ
APELADO: PORTO SEGURO REPRESENTACAO COMERCIAL LTDA, EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICACOES SA, EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S A EMBRATEL
Advogado(s) do reclamado: JOAO NETO PINHEIRO NAPOLEAO BRAZ, FABIO RENATO BOMFIM VELOSO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FABIO RENATO BOMFIM VELOSO, MARCELO NEUMANN MOREIRAS PESSOA
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
EMENTA
EMENTA:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. REAL INTENTO INFRINGENTE. RECURSO DE FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. INADMISSIBILIDADE DE REJULGAMENTO DA CAUSA.
I – O manejo dos Embargos de Declaração é admissível nos casos de obscuridade, contradição, omissão e erro material, a teor do art. 1.022, do CPC, razão por que se trata de recurso ordinário de fundamentação vinculada, que não pode ostentar a finalidade de rediscutir a matéria anteriormente julgada. Precedentes.
II - Com relação à tese de omissão quanto à incidência de correção monetária e juros sobre a condenação, é notório o equívoco dos Embargantes, haja vista que o Juízo a quo, em sede de julgamento de embargos de declaração (id n° 3110110 - pág. 35), já havia se manifestado sobre tais pontos, ocorrendo mera repetição de tese genérica.
III – Embargos de Declaração conhecidos e desprovidos.
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
Gabinete do Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL N° 0013469-50.2016.8.18.0140.
Embargantes : EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICACOES AS e EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S A - EMBRATEL.
Advogado : Marcelo Neumann Moreiras Pessoa (OAB/RJ n° 110.501).
Embargada : PORTO SEGURO REPRESENTACAO COMERCIAL LTDA.
Advogados : Joao Neto Pinheiro Napoleao Braz (OAB/PIAUÍ Nº 7763) e Outro.
Relator : Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO.
Vistos etc.,
Trata-se, in casu, de Embargos de Declaração, nos quais os Embargantes, EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICACOES AS e EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S A - EMBRATEL, requer seja o Recurso conhecido e provido, modificando-se o acórdão id 5567692, alegando a ocorrência de vícios de omissão e contradição.
Nas suas razões, os Embargantes alegam, em suma, que: a) das contradições do acórdão; b) das omissões do acórdão.
Nas contrarrazões recursais, a Embargada requer pelo não provimento dos embargos declaratórios.
Constatando que o feito encontra-se apto para julgamento, encaminhem-se os autos ao Presidente da 1ª Câmara Especializada Cível deste TJPI, para a sua inclusão em pauta de julgamento, conforme o art. 934, do CPC.
Cumpra-se, imediatamente.
Teresina/PI, 11 de fevereiro de 2022.
Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO.
RELATOR
VOTO
V O T O
I – DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Em juízo de admissibilidade, CONHEÇO dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, por atenderem aos requisitos legais de sua admissibilidade, nos termos do art. 1.022 e seguintes, do CPC.
II – DO MÉRITO
O manejo dos Embargos de Declaração é admissível nos casos de obscuridade, contradição, omissão e erro material, a teor do art. 1.022, do CPC, razão por que se trata de recurso ordinário de fundamentação vinculada, que não pode ostentar a finalidade de rediscutir a matéria anteriormente julgada.
No caso em espeque, destaque-se que, malgrado os Embargantes aduzam que o acórdão recorrido possui contradições e omissões, fundamenta-se em argumentação que busca a rediscussão da causa julgada, objetivando o rejulgamento da demanda, limitando-se a renovar as mesmas teses já deduzidas e já decididas no acórdão recorrido, conjectura inadmissível pelas estreitas raias dos Aclaratórios, pelo que se evidencia a inadequação da via eleita.
Isso porque, o acórdão recorrido fundamentou, sim, o afastamento das teses que poderiam alterar o resultado do julgamento.
E para melhor demonstrar, transcrevo a ementa do julgado recorrido, que espelha, claramente, as razões de decidir, rechaçando as teses do Embargante, in verbis:
"EMENTA
PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO RESOLUÇÃO CONTRATUAL C/C C/C REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS E MATERIAIS C/C DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. HIPOSSUFICIÊNCIA DA APELADA CONFIGURADA. ELEIÇÃO DE FORO ANULADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL DO PIAUÍ PARA O JULGAMENTO DO FEITO. MULTA POR RESCISÃO INJUSTIFICADA DO CONTRATO. MANTIDA. DOS LUCROS CESSANTES DEMONSTRADOS. DANO MORAL DEVIDO. SENTENÇA MANTIDA.
I – Sobre a cláusula de eleição de foro, deve-se pontuar que a Apelada protocolou documentação comprovando sua hipossuficiência (id 3110108 - Pág. 75/84), sendo, inclusive, declarada, pelo juízo a quo, com os consectários do benefício da justiça gratuita (id 3110108 - p. 99), decisão que, na oportunidade, não foi agravada, razão pela qual, diante da hipossuficiência da Apelada (empresa de representação comercial de abrangência local) frente à Apelante (empresa de abrangência nacional), é inválida a cláusula de eleição de foro, pois, no caso concreto, configura violação do direito de acesso à justiça, uma vez que há inegável desequilíbrio entre as partes contratantes.
II – No que diz respeito à aplicabilidade da multa por rescisão injustificada, da análise do contrato juntado pela parte Apelada pode-se concluir que o mesmo é de prazo de validade indeterminado, bem como não resta comprovado nos autos qualquer denúnciapela parte Apelante, no que tange a suposta desídia da Apelada, o que impossibilita a aplicabilidade da excludente do art. 34, da Lei 4.886/65.
III - Nesses termos, a Apelante deveria ter cumprido com sua parte de emitir ordens de serviços nos termos do contratado assinado, em respeito aos princípios da probidade e da boa-fé, expresso no art. 422, do CC, o que não foi feito, atraindo, assim o direito da Apelada à rescisão indireta, com fundamento na cláusula 15.2 do contrato de representação.
IV – Resta demonstrado que a conduta das Apelantes agiram diretamente na queda de faturamento da Apelada, e por essa razão as mesmas devem ser condenadas ao pagamento de lucros cessantes, estes consubstanciados naquilo que a Apelada deixou de ganhar em razão de ter sido descredenciada do sistema “Activia” bem como de ter tido os equipamentos que vendia retirados da sua sede física.
V – Sobre os danos emergentes, em que pese o contrato de aluguel e as verbas rescisórias laborais sejam verbas que sincretizam os riscos inerentes ao empreendimento, é evidente a deslealdade com que agiram as Apelantes, que após anos de trabalho com a Apelada, simplesmente resolveram encerrar os envios de Ordens de Serviços sem nenhuma contrapartida e em prazo tão exíguo, frustrando o negócio jurídico desenvolvido pela Apelada, que atuava em regime de exclusividade, e, uma vez comprovado o nexo causal entre as atitudes das Apelantes e os prejuízos suportados pela Apelada, devem os mesmos serem ressarcidos.
VI – No que diz respeito aos danos morais o STJ entende que a condenação por danos morais sofridos por pessoa jurídica exige comprovação fática, ainda que seja possível a utilização de presunções e regras de experiência para configuração do dano.
VII - Nesses termos, há elementos concretos de que as atitudes perpetradas pelas Apelantes, de diminuição das OSs, para o posterior descredenciamento da Apelada do sistema “Activia”, através do qual recebia as Ordens de Serviço (OS’s) da Embratel/Apelante, somada, ainda, com a retirada, sem qualquer explicação ou comunicação prévia, dos equipamentos da Apelante que eram vendidos na sede física da Apelada, afetaram não só a imagem, como a própria existência no mundo empresarial da Apelada.
IV - Apelação Cível conhecida e improvida”
Como se vê, inexiste omissão, obscuridade ou contradição sobre qualquer tese ou ponto expendido pelas partes em suas manifestações, pois, o julgado padece de omissão “quando o juiz deixa de apreciar questões relevantes para o julgamento, suscitadas pelas partes ou examináveis de ofício” (ANTÔNIO CARLOS CINTRA, Sobre os embargos de declaração, Em: Revista dos Tribunais, v. 595, 1985, p. 16), hipótese não ocorrente nestes autos.
Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o seu entendimento, in verbis:
“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DA CAUSA. REJEIÇÃO. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou compreensão segundo a qual, nos termos da legislação processual de regência, prestam-se os Embargos Declaratórios ao suprimento de omissão, à harmonização de pontos contraditórios ou ao esclarecimento de obscuridades, com o intuito de se ter por afastados óbices que, porventura, comprometam a viabilidade da execução do decisum. 2. Seguindo a “mesma esteira de posicionamento, a rejeição será inevitável quando ausentes os vícios previstos no art. 1.022, caput, parágrafo único e respectivos incisos, do CPC/2015, sobretudo por não se coadunar a via aclaratória com o propósito de rejulgamento da causa. (…).
(STJ - EDcl nos EDcl no AgInt no REsp: 1589604 DF 2016/0061792-1, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 05/09/2017, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 13/09/2017)”.
E, encampando a compreensão firmada pelo STJ, os Tribunais de Justiça pátrios têm decidido, inclusive este TJPI, consoante os seguintes precedentes listados a seguir: TJPI, Apelação Cível Nº 2017.0001.012955-0, Relator: Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO, data de julgamento: 06/12/2018; TJPI, Apelação Cível Nº 2014.0001.003495-1, Relator: Des. FERNANDO CARVALHO MENDES, data de julgamento: 12/07/2018; TJRS, ED 70075753376, Relator: CARLOS ROBERTO LOFEGO CANIBAL, julgamento: 11/4/2018; TJMG, ED 10079130675147002, Relator: RAIMUNDO MESSIAS JÚNIOR, julgamento: 27/3/2018, etc.
Ademais, com relação à tese de omissão quanto à incidência de correção monetária e juros sobre a condenação, é notório o equívoco dos Embargantes, haja vista que o Juízo a quo, em sede de julgamento de embargos de declaração (id n° 3110110 - pág. 35), já havia se manifestado sobre tais pontos, ocorrendo mera repetição de tese genérica.
Assim, a manutenção do acórdão recorrido é medida que se impõe.
III – DO DISPOSITIVO
Diante do exposto, CONHEÇO dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, mas NEGO-LHES PROVIMENTO, MANTENDO INCÓLUME o ACÓRDÃO RECORRIDO, em todos os seus termos.
É como VOTO.
Teresina/PI, de fevereiro de 2022.
Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
RELATOR
Teresina, 04/05/2022
0013469-50.2016.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador DIOCLÉCIO SOUSA DA SILVA
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO EUFRASIO ALVES FILHO
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalPagamento
AutorEMBRATEL TVSAT TELECOMUNICACOES SA
RéuPORTO SEGURO REPRESENTACAO COMERCIAL LTDA
Publicação04/05/2022