Acórdão de 2º Grau

Contratos Bancários 0009207-62.2013.8.18.0140


Ementa

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL – PEDIDO DE BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA – PRESUNÇÃO RELATIVA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. A declaração de pobreza, com o intuito de obter os benefícios da assistência judiciária gratuita, goza de presunção relativa, admitindo, portanto, prova em contrário. Não havendo prova em sentido contrário, presume-se a hipossuficiência. Deferimento da assistência judiciária gratuita. Sentença anulada. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0009207-62.2013.8.18.0140 - Relator: JOSE WILSON FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR - 2ª Câmara Especializada Cível - Data 19/05/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 2ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL (198) NO 0009207-62.2013.8.18.0140

ORIGEM: TERESINA / 3ª VARA CÍVEL

APELANTE: DEUSDEDIT SOARES DE ARAÚJO

ADVOGADA: YHORRANA MAYRLA DA SILVA COIMBRA (OAB/PI Nº 13.817)

APELADO: CCB BRASIL S.A – CRÉDITO, FINANCIAMENTOS E INVESTIMENTOS

ADVOGADO: WILSON SALES BELCHIOR (OAB/PI Nº 9.016)

RELATOR: DES. JOSÉ WILSON FERREIRA DE ARAÚJO JÚNIOR


EMENTA

 

APELAÇÃO CÍVEL – PEDIDO DE BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA – PRESUNÇÃO RELATIVA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. A declaração de pobreza, com o intuito de obter os benefícios da assistência judiciária gratuita, goza de presunção relativa, admitindo, portanto, prova em contrário. Não havendo prova em sentido contrário, presume-se a hipossuficiência. Deferimento da assistência judiciária gratuita. Sentença anulada.

 

ACÓRDÃO

 

Acordam os componentes da 2ª Câmara Especializada Cível, do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, à unanimidade, em votar pelo conhecimento do presente recurso e dar-lhe provimento, para anular a sentença, concedendo os benefícios da justiça gratuita e determinando o retorno dos autos à Vara de origem para o regular prosseguimento do feito. O Ministério Público Superior devolve os autos sem exarar manifestação meritória, ante a ausência de interesse público que justifique sua intervenção.

 

RELATÓRIO 

 

Trata-se de Apelação Cível interposta por DEUSDEDIT SOARES DE ARAÚJO, em face de sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 3ª Vara Cível da Comarca de Teresina nos autos da Ação de Busca e Apreensão ajuizada pelo SUL FINANCEIRA S/A - CRÉDITO, FINANCIAMENTOS E INVESTIMENTO, ora Apelado.

Nas razões do recurso (ID. N° 4328460 – fls.180/fls.206), a parte recorrente formula pedido de justiça gratuita, alegando que a declaração de hipossuficiência das pessoas físicas possuiria presunção relativa de veracidade, que enquanto não houvesse impugnação da parte adversa, com prova contrária cabal quanto à negativa de deferimento ao referido benefício, este deveria ser deferido pelo Magistrado

Intimada, a parte apelada apresentou contrarrazões requer que a apelação seja improvida, mantendo a sentença em todos os seus termos. (ID. N° 4653779)

O Ministério Público Superior devolve os autos sem exarar manifestação meritória, ante a ausência de interesse público que justifique sua intervenção. (ID. N° 4433638)

É o relatório.


VOTO DO RELATOR

 

A concessão ou não do benefício está expressamente relacionada à condição financeira do postulante. No caso ora em apreço, a existência de declaração de hipossuficiência econômica é suficiente à concessão do benefício da assistência judiciária gratuita, gerando presunção relativa da veracidade, que pode ser elidida por prova em contrário. 

De acordo com o entendimento desta e de outras Cortes, o fato do requerente ser representado por advogado particular não impede que o mesmo exercite o seu direito à gratuidade:  

 

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. GRATUIDADE JUDICIÁRIA REQUERIDA. COTEJO DOS ELEMENTOS PARA A CONCESSÃO. 1. Para a concessão do beneficio da Assistência Judiciária Gratuita deve estar comprovada a hipossuficiência econômica do requerente, capaz de impossibilitá-lo de arcar com as custas do processo sem prejuízo do seu próprio sustento ou de sua família. Caso dos autos em que a renda mensal e a existência de dependente autoriza a concessão. Precedentes desta Câmara. 2. A contratação de Advogado particular, por si só, não pode obstar a concessão do beneficio da gratuidade judiciária. Inteligência do artigo 99, §4° do Código de Processo Civil. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de Instrumento N° 70073085755, Vigésima Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alberto Delgado Neto, Julgado em 25/07/2017) 

 

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO AO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural, até prova em contrário. A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça (art. 99, parágrafos 2°, 3° e 4°, do CPC). Na hipótese dos autos, o recorrente comprova através de cópia de Demonstrativo de Pagamento de Salários não possuir condições de arcar com o pagamento das custas processuais, levando-se em conta o alto valor da execução. Agravo provido. (Agravo de Instrumento N° 70073583056, Vigésima Primeira Câmara Civel, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marco Aurélio Heinz, Julgado em 12/07/2017)

 

Portanto, não havendo prova em contrário que contradiga a situação econômica alegada pelo apelante, não há outra conclusão senão deferir o pedido de assistência judiciária gratuita.

Isto posto, pelos motivos fáticos e jurídicos acima expostos, voto pelo conhecimento do presente recurso para dar-lhe provimento, a fim de anular a sentença, concedendo os benefícios da justiça gratuita e determinando o retorno dos autos à Vara de origem para o regular prosseguimento do feito.

É o voto.


Sessão VIRTUAL Ordinária, realizada no período de 25 de abril a 02 de maio de 2022, da Egrégia 2ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL, presidida pelo Exmo. Sr. Des. José James Gomes Pereira.

Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Des. José James Gomes Pereira, Des. Manoel de Sousa Dourado e Des. José Wilson Ferreira de Araújo Júnior - Relator. Impedido(s): Não houve.

Presente o Exmo. Sr. Dr. Antônio de Pádua Ferreira Linhares, Procurador de Justiça.

SALA DAS SESSÕES VIRTUAIS DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO, em Teresina, 02 de maio de 2022.



Des. José Wilson Ferreira de Araújo Júnior

- Relator -


Detalhes

Processo

0009207-62.2013.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador JOSÉ WILSON FERREIRA DE ARAÚJO JÚNIOR

Órgão Julgador Colegiado

2ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOSE WILSON FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Contratos Bancários

Autor

DEUSDEDIT SOARES DE ARAUJO

Réu

CCB BRASIL S/A CREDITO FINANCIAMENTOS E INVESTIMENTOS

Publicação

19/05/2022