PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
Gabinete Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
APELAÇÃO CÍVEL N.° 0001197-87.2017.8.18.0140
Apelantes : MARCOS JORGE EID PESSANHA e COMERCIAL EVEREST LTDA. – ME.
Advogado : Pedro Henrique de Alencar Martins Freitas (OAB/PI nº. 11.147).
Apelado :BANCO DO BRASIL S.A.
Advogado(s) : Sérvio Túlio de Barcelos (OAB/PI nº. 12.008) e José Arnaldo Janssen Nogueira (OAB/PI nº. 12.033).
Relator : Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO.
EMENTA PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CIVIL. PREPARO. REQUISITO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. NÃO COMPLEMENTAÇÃO DO PREPARO. INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NO ART. 1.017, 3°, C/C O ART. 932, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. RECURSO DESERTO. NÃO CONHECIMENTO.
I- O preparo do recurso deve ser comprovado no ato de sua interposição, sob pena de deserção. Intimado a complementar o preparo, o Apelante deixou transcorrer, in albis, o prazo.
II — Com o fulcro no art. 1.007, §2° do CPC, nos moldes da fundamentação supra, e diante da ausência de preparo, o recurso interposto pelo autor não será conhecido.
III- Recurso deserto, não conhecido.
Vistos etc.,
Compulsando os autos, vê que, a priori, trata-se de processo proveniente da 9ª Vara Cível da Comarca de Teresina/PI, regularmente distribuído à minha Relatoria, por meio do PJe, após interposição da Apelação Cível nº 0001197-87.2017.8.18.0140.
Em análise a preliminar, com fulcro no art. 1.017, 3°, c/c o art. 932, parágrafo único, do CPC, restou determinado a intimação dos Apelantes, através de seu advogado, para que, no prazo de 05 (cinco) dias, apresentassem documentação contábil que comprove a condição de hipossuficiência e escassez de recursos financeiros para arcar com as despesas do preparo.
Nos moldes do §2°, do art. 1.007, do CPC (despacho id n° 3720069), determinou-se a intimação dos Apelantes, através de seu advogado habilitado nos autos, para, no prazo de 05 (cinco) dias, recolhesse, em dobro, o preparo recursal, apresentando nos autos a devida comprovação, sob pena de deserção.
Os Apelantes deixaram transcorrer in albis o prazo alhures mencionado, conforme consta nos autos.
É o Relatório.
D E C I D O
Inicialmente, incumbe ao Relator antes de adentrar no mérito recursal, proceder a análise da admissibilidade da Apelação.
Com efeito, do exame dos autos, verifica-se, inicialmente, que não há controvérsia quanto a sua tempestividade, no entanto, constata-se que os Apelantes, apesar de intimados para efetuarem o pagamento em dobro das taxas referentes ao preparo recursal, através de seu patrono habilitado nos autos, deixou transcorrer, in albis, o prazo, sem manifestar-se.
Ocorre que o legislador impõe aos Apelantes, no ato da interposição do recurso, o dever de comprovar o pagamento do preparo para a sua admissibilidade, sob pena de deserção, conforme previsto no art. 1.007, §2°, do CPC, in litteris:
"Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.
§ 1º (...).
§ 2º A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias."
No caso sub examen, não houve a comprovação do pagamento do preparo da Apelação interposta, nos moldes traçados pelo art. 1.007, §2°, ressaltando-se, ainda, que os Apelantes não se acautelaram de demonstrar, sob qualquer forma, motivo suficiente que ensejasse uma justificativa plausível para a falta de recolhimento do preparo, notadamente após a sua intimação que determinou prazo para que efetuasse o seu recolhimento.
Não obstante, repise-se que é ônus da parte Recorrente o recolhimento das custas no ato da interposição da Apelação ou quando instado a fazê-lo, como ocorreu neste caso, de modo que, não tendo o apresentado justo motivo para o não cumprimento do ato, consequentemente, não se tem como admitir o recurso, por deserção.
Portanto, faltando o pagamento do preparo, a deserção é patente, devendo ser declarada para fins de inadmissibilidade do recurso interposto, consoante entendimento perfilhado pelos tribunais pátrios, inclusive por precedentes deste TJPI, in verbis: "Apelação Cível N° 2014.0001.007704-4 Relator Des. JOSÉ JAMES GOMES PEREIRA 1ª Câmara Especializada Civel, Data de Julgamento: 20/03/2018; Apelação Cível N° 2014.0001.005549-81 Relator Des. JOSÉ RIBAMAR OLIVEIRA, 2ª Câmara Especializada Cível, Data de Julgamento: 24/10/2017".
A par disso, sem a presença dos requisitos extrínsecos necessários à admissibilidade da Apelação, dentre os quais o recolhimento do preparo (custas e porte de remessa e retorno), mostra-se impossibilitado o conhecimento do recurso, via de consequência, a análise do mérito pela preclusão recursal.
Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DA APELAÇÃO CÍVEL, uma vez que o mesmo é DESERTO, ante a ausência do pagamento do preparo recursal, NEGANDO-LHE SEGUIMENTO, com o fulcro no art. 1.007, §2° do CPC, nos moldes da fundamentação supra.
Custas ex legis.
Transcorrido, in albis, o prazo recursal, DETERMINO à COOJUDCIV que providencie:
i) a certidão do trânsito em julgado do decisum;
ii) o arquivamento dos atos, dando-se a respectiva baixa na Distribuição; e
iii) a devolução do autos ao Juízo a quo.
Publique-se, Intimem-se. Cumpra-se, imediatamente.
Teresina/PI, data de assinatura eletrônica.
Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
* RELATOR *
0001197-87.2017.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador DIOCLÉCIO SOUSA DA SILVA
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO EUFRASIO ALVES FILHO
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalCitação
AutorMARCOS JORGE EID PESSANHA
RéuBANCO DO BRASIL SA
Publicação04/03/2022