TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800643-45.2019.8.18.0045
APELANTE: MARIA ISABEL DA CONCEICAO
Advogado(s) do reclamante: EGON CAVALCANTE SOARES
APELADO: BANCO DO BRASIL SA
REPRESENTANTE: BANCO DO BRASIL SA
Advogado(s) do reclamado: SERVIO TULIO DE BARCELOS
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – EMPRÉSTIMO REGULARMENTE CONTRAÍDO – INCLUSÃO DO NOME DO DEVEDOR EM CADASTRO DE DEVEDORES INADIMPLENTES – DANO MORAL NÃO CONFIGURADO – RECURSO IMPROVIDO.
1. Comprovando-se que o contrato de empréstimo bancário fora regularmente celebrado, inclusive, pelo repasse da respectiva quantia, impõe-se a improcedência da ação.
2. Não se configurará o dano moral, quando preexistente legítima inscrição. Incidência da Súmula 385 do STJ.
3. Sentença mantida.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0800643-45.2019.8.18.0045
Origem:
APELANTE: MARIA ISABEL DA CONCEICAO
Advogado do(a) APELANTE: EGON CAVALCANTE SOARES - PI14644-A
APELADO: BANCO DO BRASIL SA
REPRESENTANTE: BANCO DO BRASIL SA
Advogado do(a) APELADO: SERVIO TULIO DE BARCELOS - MG44698-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Trata-se de APELAÇÃO intentada, a fim de reformar a sentença pela qual fora julgada a Ação Declaratória de Inexistência de Débito, c/c Indenização por Danos Morais, aqui versada, proposta por MARIA ISABEL DA CONCEIÇÃO, ora apelante, contra o BANCO DO BRASIL S.A., ora apelado.
A sentença consiste, essencialmente, em julgar improcedente a ação, com base no art. 487, I, do CPC. Deixa, contudo, de condenar a apelante nas custas e honorários advocatícios, face a gratuidade judiciária a ela deferida.
Para tanto, em resumo, entende o douto magistrado sentenciante que o apelado lograra comprovar a origem da dívida e a comprovação do saque do valor refinanciado pela apelante. Entende, ainda, pela improcedência do pedido de indenização por danos morais, ante a preexistência de outra anotação negativa em nome da apelante, nos órgãos de cadastros de inadimplentes.
Inconformada, a apelante, em suma, alega não reconhecer a existência da dívida em questão junto ao apelado, bem como que não fora firmado contrato idôneo, a fim de justificar a sua inscrição em órgão de proteção ao crédito.
Acrescenta que a referida negativação configura ato ilícito, causando-lhe sofrimento e angústia capazes de ensejar a condenação do apelado no pagamento da indenização por danos morais que pedira. Por fim, requer o provimento do recurso, para que seja reformada a sentença e julgada procedente a ação.
Nas contrarrazões, o apelado contesta as alegações da apelante voltando a se valer dos mesmos argumentos que se utilizara na contestação. Clama, enfim, pelo não provimento do recurso.
O procurador de justiça oficiante nos autos, entendendo não presentes as hipóteses legais necessárias à intervenção ministerial, não opina.
É o quanto basta relatar, para se passar ao voto, deferindo-se de logo, por ser o caso, a gratuidade judiciária pedida pela apelante, para efeito de conhecimento do recurso.
VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Votando): Senhores julgadores, são inócuas, diga-se de logo, as razões nas quais se sustentam este recurso. Afinal, em face, sobretudo, dos sólidos fundamentos da sentença, não há motivo para a reforma pretendida.
Comece-se por ver, primeiro, que a apelante, comprovadamente, contraíra, junto ao apelado, a dívida questionada. Depois que, a mesma já possuía inscrições anteriores nos órgãos de cadastro de inadimplentes, isso não lhe dá mesmo o direito de exigir indenização por danos morais.
Daí a razão de ser da Súmula nº 385 do STJ, in verbis:
Súmula nº 385. Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
No sentido do mesmo entendimento, como não poderia deixar de ser, é a jurisprudência pátria, como se pode constatar destes precedentes, dentre outros que, igualmente, poderiam vir à colação, in litteris:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESTRIÇÃO INDEVIDA NO SERASA. PRÉ-EXISTÊNCIA DE OUTRAS INSCRIÇÕES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 385 DO STJ. DANOS MORAIS. INOCORRÊNCIA. RECURSO NÃO PROVIDO. A Súmula nº 385 do STJ dispõe que em havendo prévios registros desabonadores de crédito no nome do consumidor e não demonstrando o devedor que tais anotações são indevidas, descabe indenização por dano moral em decorrência de novo registro, ainda que também indevido, porquanto a única providência possível na espécie é o cancelamento deste.
(TJ-MS - APL: 00182488420128120001 MS 0018248-84.2012.8.12.0001, Relator: Des. Sérgio Fernandes Martins, Data de Julgamento: 19/04/2016, 1ª Câmara Cível, Data de Publicação: 28/04/2016).
EX POSITIS e sendo o quanto basta asseverar, VOTO para que seja DENEGADO provimento à APELAÇÃO, mantendo-se incólume a sentença, mercê dos seus próprios fundamentos, deixando-se, contudo, de majorar os honorários advocatícios, face a gratuidade judiciaria deferida à apelante.
Teresina, 07/03/2022
0800643-45.2019.8.18.0045
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorMARIA ISABEL DA CONCEICAO
RéuBANCO DO BRASIL SA
Publicação07/03/2022