TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800587-41.2019.8.18.0100
RECORRENTE: MARIA DO SOCORRO SOUSA
Advogado(s) do reclamante: MARCOS MATHEUS MIRANDA SILVA
RECORRIDO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
Advogado(s) do reclamado: FELIPE GAZOLA VIEIRA MARQUES, LARISSA SENTO SE ROSSI REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO LARISSA SENTO SE ROSSI
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
EMENTA
RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INEXISTÊNCIA DE DÉBITO COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS “IN RE IPSA”. APLICABILIDADE DO CDC. EMPRÉSTIMO. REFINANCIAMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. CONTRATO JUNTADO PELO REQUERIDO. EXTRATOS DA CONTA DA AUTORA COMPROVANDO A DISPONIBILIZAÇÃO DOS VALORES. RÉU SE DESINCUMBIU DO ÔNUS DE PROVAR FATO EXTINTIVO OU MODIFICATIVO DO DIREITO DA AUTORA. ART. 373, II, DO CPC. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800587-41.2019.8.18.0100
Origem:
RECORRENTE: MARIA DO SOCORRO SOUSA
Advogado do(a) RECORRENTE: MARCOS MATHEUS MIRANDA SILVA - PI11044-A
RECORRIDO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
Advogados do(a) RECORRIDO: LARISSA SENTO SE ROSSI - BA16330-A, FELIPE GAZOLA VIEIRA MARQUES - PI10480-A
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
RELATÓRIO
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INEXISTÊNCIA DE DÉBITO COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS “IN RE IPSA” proposta por MARIA DO SOCORRO SOUSA, ora recorrente, em face do BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A., em que aduz sofrer descontos em seu benefício referente a contratos de empréstimos fraudulentos que não anuiu. Requerendo, ao final, a nulidade do contrato, repetição de indébito e indenização por danos morais.
Sobreveio sentença (ID Num. 5780651) que JULGOU IMPROCEDENTE, o pedido da requerente, com a devida resolução do seu mérito.
Razões do recorrente (ID Num. 5780654), requerendo a reforma da sentença de piso, determinando-se a exclusão da condenação por litigância de má-fé, bem como, ante a ausência da TED no valor do contrato com a devida autenticação bancária (Súmula 18 do TJ/PI), que seja declarada a nulidade contratual c/c inexistência do débito que consta no contrato discutido na exordial com a consequente condenação da parte recorrida ao pagamento em dobro dos valores indevidamente cobrados, assim como ao pagamento de danos morais “in re ipsa”, no valor de R$ 20.000,00, devidamente atualizado pelo IPCA.
Contrarrazões apresentadas pelo banco recorrido (ID Num. 5780659) pugnando a manutenção da sentença.
É o relatório.
VOTO
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Inicialmente faz-se necessário consignar que a relação jurídica existente entre as partes litigantes é de consumo, de modo que se aplicam ao caso todas as disposições do Código de Defesa do Consumidor, inclusive no que se refere à responsabilidade objetiva do prestador de serviço considerado defeituoso.
Compulsando os autos, tenho que a instituição financeira recorrida demonstrou a regularidade da cobrança realizada em nome da parte autora, e que culminou com descontos no benefício previdenciário do demandante, uma vez que juntou aos autos o contrato objeto da demanda (ID Num. 5780628), devidamente assinado pela autora. Ademais, dos extratos juntados pelo banco (ID Num. 5780650), verifica-se a disponibilização dos valores contratados na conta da autora. Esclareça-se que o contrato discutido no presente feito trata-se de refinanciamento e parte do crédito disponibilizado à autora foi utilizado para liquidar anterior, sendo o restante (R$ 265,72), liberado à autora por meio de transferência eletrônica, conforme demonstrado no extrato anexado.
Desse modo, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.
Diante do exposto, nego provimento ao recurso.
Ônus de sucumbência pela recorrente em custas e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor corrigido da causa, no entanto, fica suspensa a exigibilidade da condenação nos termos do art. 98, §3º, do CPC.
Teresina, 13/04/2022
0800587-41.2019.8.18.0100
Órgão Julgador2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)JOSE OLINDO GIL BARBOSA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDefeito, nulidade ou anulação
AutorMARIA DO SOCORRO SOUSA
RéuBANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
Publicação13/04/2022