
poder judiciário
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO Desembargador ERIVAN JOSÉ DA SILVA LOPES
APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0011886-35.2013.8.18.0140
ORIGEM: 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública da Comarca de Teresina-PI
ÓRGÃO: 6ª Câmara de Direito Público
RELATOR: Des. Erivan Lopes
APELANTE(s): ESTADO DO PIAUÍ
APELADO: THAIS MENESES SILVA TAUMATURGO
EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL. SENTENÇA CONCESSIVA DE SEGURANÇA. IMPETRANTE CURSANDO O SEGUNDO SEMESTRE DO 3º ANO DO ENSINO MÉDIO. EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADO DE CONCLUSÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS nº 05 e 27 DO TJPI. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
DECISÃO
Trata-se de Apelação Cível interposta pelo ESTADO DO PIAUÍ contra a sentença que determinou a expedição e autenticação do certificado de conclusão do ensino médio da impetrante THAIS MENESES SILVA TAUMATURGO.
Em razões de apelo, o Estado do Piauí, aduz: que segundo a lei 9.394/96, a carga horária mínima exigida é de 2400 horas e que o curso de ensino médio terá uma duração mínima de 03 anos, e que, portanto os dois requisitos deverão ser atingidos para a obtenção do direito ao certificado, ora pleiteado; que não há que se falar em situação definitivamente consolidada, visto que o certificado fornecido ao Apelado existe no mundo jurídico, continua sub judice e pode ser cancelado, por decisão judicial.
Transcorreu o prazo sem contrarrazões.
É o que basta relatar. DECIDO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do Apelo, e decido monocraticamente, nos termos do art.1.011 do Código de Processo Civil, vejamos:
Art. 1.011. Recebido o recurso de apelação no tribunal e distribuído imediatamente, o relator:
I - decidi-lo-á monocraticamente apenas nas hipóteses do art. 932, incisos III a V ;
Nos termos do art. 932, IV, “a”,do CPC, “incumbe ao relator: (…) negar provimento a recurso que for contrário a (…)a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal”.
No mandamus, a impetrante juntou certidão (Num. 4774435 - Pág. 13), datada de 08 de junho de 2013, de que se encontrava matriculado e cursando o 3º ano do ensino médio, comprovou a obtenção da carga horária mínima exigida à época (2400 horas eram exigidas), já possuindo 3572 horas, inclusive mais de 800 horas por cada ano letivo, nos termos da lei 9.394/96.
De mais a mais, comprovou sua aprovação em vestibular, para o curso de Psicologia, circunstâncias que autorizam a expedição do certificado de conclusão de ensino médio, conforme enunciado sumular deste Tribunal de Justiça:
SÚMULA Nº 27 – Com fundamento no princípio da razoabilidade, revela-se possível o deferimento de medida liminar para que o candidato aprovado em exame vestibular obtenha certificado provisório de conclusão do ensino médio, desde que provada a condição de se encontrar o requerente cursando o segundo semestre do terceiro ano do ensino médio.
Registre-se, ainda, que a concessão de liminar no mandado de segurança consolidou situação fática de desaconselhável alteração, principalmente in casu, tendo em vista que a medida cautelar foi concedida em 11 de junho de 2013, nos termos da redação descrita na Súmula n° 5 deste Tribunal:
SÚMULA Nº 05 – Aplica-se a teoria do fato consumado às hipóteses em que o impetrante, de posse do certificado de conclusão do ensino médio obtido por meio de provimento liminar, esteja cursando, por tempo razoável, o ensino superior.
Portanto, a sentença concessiva da segurança encontra-se em conformidade à jurisprudência deste Tribunal de Justiça.
Em virtude do exposto, com fundamento nos art. 932, IV, “a”, c/c art.1.011, I, todos do CPC[1], conheço do apelo para negar-lhe provimento.
Publique-se e intimem-se.
Desembargador ERIVAN LOPES
Relator
[1] Art. 932. Incumbe ao relator: (…) IV – negar provimento a recurso que for contrário a: a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; Art. 1.011. Recebido o recurso de apelação no tribunal e distribuído imediatamente, o relator:
I - decidi-lo-á monocraticamente apenas nas hipóteses do art. 932, incisos III a V ;
0011886-35.2013.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador ERIVAN JOSÉ DA SILVA LOPES
Órgão Julgador Colegiado6ª Câmara de Direito Público
Relator(a)ERIVAN JOSE DA SILVA LOPES
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras de Direito Público
Assunto PrincipalAbuso de Poder
AutorESTADO DO PIAUI
RéuTHAIS MENESES SILVA TAUMATURGO
Publicação15/10/2021