Acórdão de 2º Grau

Defeito, nulidade ou anulação 0825941-79.2018.8.18.0140


Ementa

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – ANULATÓRIA DE NEGÓCIO JURÍDICO – DESCONHECIMENTO - ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE – EMPRÉSTIMO REGULARMENTE CONTRAÍDO – RECURSO IMPROVIDO. 1. Impõe-se afastar a alegação de fraude ou de não realização de negócio bancário, se comprovadas a existência e a regularidade do respectivo contrato, além do repasse da quantia objeto do empréstimo. 2. Sentença mantida, à unanimidade. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0825941-79.2018.8.18.0140 - Relator: RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 13/01/2022 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0825941-79.2018.8.18.0140

APELANTE: WILTON MOREIRA VASCONCELOS

Advogado(s) do reclamante: ITALO ANTONIO COELHO MELO

APELADO: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado(s) do reclamado: WILSON SALES BELCHIOR, NEY JOSE CAMPOS

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 


EMENTA


 

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – ANULATÓRIA DE NEGÓCIO JURÍDICO – DESCONHECIMENTO ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE – EMPRÉSTIMO REGULARMENTE CONTRAÍDO – RECURSO IMPROVIDO.

1. Impõe-se afastar a alegação de fraude ou de não realização de negócio bancário, se comprovadas a existência e a regularidade do respectivo contrato, além do repasse da quantia objeto do empréstimo.

2. Sentença mantida, à unanimidade.

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0825941-79.2018.8.18.0140
Origem: 
APELANTE: WILTON MOREIRA VASCONCELOS
 
Advogado do(a) APELANTE: ITALO ANTONIO COELHO MELO - PI9421-A

APELADO: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogados do(a) APELADO: NEY JOSE CAMPOS - MG44243-A, WILSON SALES BELCHIOR - CE17314-A

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Relatando):

Em exame apelação intentada, a fim de reformar a sentença pela qual foi julgada improcedente a ação anulatória negócio jurídico, aqui versada, proposta por WILTON MOREIRA VASCONCELOS, ora apelante, contra o BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., ora apelado.

A decisão consistiu, essencialmente, em julgar improcedente a ação, com base no artigo 487, inciso I do CPC. Condenou o apelante em custas e honorários advocatícios, estes na base de 10% sobre o valor da causa, mediante condição suspensiva, de acordo com o artigo 98, §3º, do CPC.

Para tanto, entendeu o douto magistrado sentenciante, que restou comprovado nos autos a contratação referente à operação de crédito de renegociação de dívida realizada entre as partes, ratificado pelo extrato bancário, apresentado pelo apelante, comprovando o recebimento do valor em sua conta-corrente.

Daí o recurso em apreço, através do qual o apelante renova os pedidos contidos na inicial, alegando, agora, que fora compelido a contrair empréstimo cujo débito é superior ao contratado, aduzindo a má-fé do apelado, bem como os danos morais sofridos por não se tratar de uma renegociação. Assevera que o contrato apresenta juros exorbitantes e, ainda, uma venda casada de um seguro não contratado. Enfim, entendendo pagar por um empréstimo abusivo, requer o provimento do recurso para que seja reformada a sentença.

Nas contrarrazões, o apelado contesta os argumentos expendidos no recurso, deixando transparecer, em suma, que o magistrado dera à lide o melhor desfecho, não merecendo a sentença, portanto, quaisquer modificações.

O procurador de justiça oficiante nos autos, entendendo não presentes as hipóteses legais necessárias à intervenção ministerial, não opina.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto, prorrogando-se, antes, a gratuidade judiciária, para efeito de admissão do recurso.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


VOTO


 

O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Votando): 

Senhores julgadores, como já relatado, tem-se em exame apelação visando a reforma da decisão que julgou improcedente a ação, extinguindo o feito com resolução de mérito, nos termos do art. 487, I, do CPC.

Salvo melhor juízo, não há como se entender deva a sentença, inclusive em função do contrato tido pelo apelante como irregular, merecer reforma, eis que as provas coligidas para os autos apresentam-se suficientes, para demonstrar que o contrato bancário celebrado por ele, com o apelado, o foi de forma lídima. Nos autos, diga-se de passagem, estão o detalhamento da avença e do extrato da sua conta bancária, desta se podendo ver o depósito do valor do empréstimo. A referida documentação, portanto, comprova a relação jurídica pactuada na sua inteireza.

No sentido desta assertiva, aliás, o seguinte julgado, que bem a resume e esclarece:



PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - EMPRÉSTIMO CONSIGNADO - DESCONTOS EM PROVENTOS DE APOSENTADORIA - REFINANCIAMENTO DO EMPRÉSTIMO COMPROVADO - LICITUDE DOS DESCONTOS - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. I - In casu, verifica-se que os requisitos necessários para configuração da responsabilidade civil objetiva não estão preenchidos, considerando que não houve dano, tendo em vista que a recorrente de fato realizou o refinanciamento do empréstimo, objeto da lide, conforme se constata dos documentos que foram juntados aos autos pela parte promovida. II - Com efeito, apesar de a parte promovente alegar que nunca realizou o refinanciamento do empréstimo, vislumbro que não foi requerida, no primeiro grau de jurisdição, a produção de prova pericial (perícia grafotécnica) para demonstrar eventual falsidade dos documentos e/ou assinaturas, mesmo havendo inúmeras oportunidades no decorrer do trâmite processual, assim como poderia ter requerido por meio de petição avulsa nos autos, antes da sentença de mérito. III - Assim, aferida a presença nos autos de cópia (s) do (s) contrato (s) de refinanciamento do empréstimo (s), bem como as cópias da documentação pessoal da parte promovente, admite-se como comprovada a existência da relação jurídica válida entre as partes, e, por conseguinte, o indeferimento de pleito indenizatório, uma vez que legítimos os descontos implementados pela parte promovida no benefício de aposentadoria da promovente. IV - Recurso conhecido e improvido. Sentença mantida. ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em que figuram as partes acima referidas, ACORDAM os Senhores Desembargadores da Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, a unanimidade, em conhecer do recurso de apelação, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, tudo nos termos do voto do Desembargador Relator. Fortaleza, 01 de dezembro de 2020 FRANCISCO BEZERRA CAVALCANTE Presidente do Órgão Julgador

(TJ-CE - AC: 00072242220108060090 CE 0007224-22.2010.8.06.0090, Relator: FRANCISCO BEZERRA CAVALCANTE, Data de Julgamento: 01/12/2020, 4ª Câmara Direito Privado, Data de Publicação: 01/12/2020)







EX POSITIS e sendo o quanto necessário asseverar, VOTO pelo não provimento desta apelação, a fim de que se mantenha incólume a sentença, por seus próprios fundamentos. Deixo, contudo, de majorar os honorários advocatícios, haja vista que o magistrado sentenciante deferiu ao apelante os benefícios da justiça gratuita.







 

 



 



Teresina, 13/01/2022

Detalhes

Processo

0825941-79.2018.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Defeito, nulidade ou anulação

Autor

WILTON MOREIRA VASCONCELOS

Réu

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Publicação

13/01/2022