Acórdão de 2º Grau

Efeito Suspensivo / Impugnação / Embargos à Execução 0003240-82.2007.8.18.0031


Ementa

PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO - EMBARGOS À EXECUÇÃO – PERDA DE OBJETO E AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL – EXTINÇÃO DO PROCESSO – ÔNUS SUCUMBENCIAL DO EMBARGADO – PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – OBEDIÊNCIA AOS PARÂMETROS DO ART. 85, § 2º, DO CPC - RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A extinção dos embargos do devedor, sem resolução do mérito, com base no inc. VI, do art. 485, do CPC, é medida que se impõe, quando evidenciadas a perda do objeto e a ausência do interesse processual. 2. Em respeito ao princípio da causalidade, o ônus da sucumbência cabe ao embargado, não servindo, para eximi-lo do dever, o fato de já ter sido condenado nas despesas processuais da ação que dera origem aos embargos à execução, porquanto tem-se, no caso, procedimentos distintos. 3. Se os honorários incidentes sobre o valor da condenação encontram-se dentro dos parâmetros legais e estão, também, fixados no patamar mínimo, não há porque se cogitar de infringência aos ditames do art. 85, do CPC. 4. Sentença mantida. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0003240-82.2007.8.18.0031 - Relator: RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 20/10/2021 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0003240-82.2007.8.18.0031

APELANTE: BANCO DO BRASIL SA

Advogado(s) do reclamante: SERVIO TULIO DE BARCELOS, JOSE ARNALDO JANSSEN NOGUEIRA

APELADO: CAMAROES ESTRELA LTDA - ME, EMIDIO JOSE CARNEIRO FILHO, ARIOSTO MONTE FONTES IBIAPINA

Advogado(s) do reclamado: EFREN PAULO PORFIRIO DE SA LIMA, LUCAS NOGUEIRA DO REGO MONTEIRO VILLA LAGES, HETIANE DE SOUSA CAVALCANTE FORTES

RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

 


EMENTA


 

 

PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO - EMBARGOS À EXECUÇÃO – PERDA DE OBJETO E AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL – EXTINÇÃO DO PROCESSO – ÔNUS SUCUMBENCIAL DO EMBARGADO – PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – OBEDIÊNCIA AOS PARÂMETROS DO ART. 85, § 2º, DO CPC - RECURSO NÃO PROVIDO.

1. A extinção dos embargos do devedor, sem resolução do mérito, com base no inc. VI, do art. 485, do CPC, é medida que se impõe, quando evidenciadas a perda do objeto e a ausência do interesse processual.

2. Em respeito ao princípio da causalidade, o ônus da sucumbência cabe ao embargado, não servindo, para eximi-lo do dever, o fato de já ter sido condenado nas despesas processuais da ação que dera origem aos embargos à execução, porquanto tem-se, no caso, procedimentos distintos.

3. Se os honorários incidentes sobre o valor da condenação encontram-se dentro dos parâmetros legais e estão, também, fixados no patamar mínimo, não há porque se cogitar de infringência aos ditames do art. 85, do CPC.

4. Sentença mantida.

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0003240-82.2007.8.18.0031
Origem: 
APELANTE: BANCO DO BRASIL SA
Advogados do(a) APELANTE: JOSE ARNALDO JANSSEN NOGUEIRA - MG79757-A, SERVIO TULIO DE BARCELOS - MG44698-A
APELADOS: CAMAROES ESTRELA LTDA - ME, EMIDIO JOSE CARNEIRO FILHO, ARIOSTO MONTE FONTES IBIAPINA
Advogados do(a) APELADO: HETIANE DE SOUSA CAVALCANTE FORTES - PI9273-A, LUCAS NOGUEIRA DO REGO MONTEIRO VILLA LAGES - PI4565-A, EFREN PAULO PORFIRIO DE SA LIMA - PI2445-A
Advogado do(a) APELADO: LUCAS NOGUEIRA DO REGO MONTEIRO VILLA LAGES - PI4565-A
Advogados do(a) APELADO: HETIANE DE SOUSA CAVALCANTE FORTES - PI9273-A, EFREN PAULO PORFIRIO DE SA LIMA - PI2445-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR


O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Relator): Trata-se de APELAÇÃO tencionando reformar a sentença exarada nos EMBARGOS À EXECUÇÃO aqui versados, opostos por Camarões Estrela Ltda., Emídio José Carneiro Filho e Ariosto Monte Pontes Ibiapina, ora apelados, contra o Banco do Brasil S.A., ora apelante.

A decisão consiste, essencialmente, em: i) em extinguir o feito, sem resolução de mérito, em virtude da perda do objeto, fazendo-o com base no inc. VI, do art. 485, do CPC; e, ii) condenar o apelante nas custas e honorários de advogado, estes estabelecidos em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa.

Inconformado, o apelante alega, primeiro, que a sua condenação na verba advocatícia fora estabelecida em patamar excessivo e em desconformidade com os parâmetros do art. 85, do CPC. Depois, diz que o magistrado sentenciante desconsiderara que a sua sucumbência já se teria dado, quando do julgamento da Ação Revisional nº 0000347-26.2004.8.18.0031], ajuizada pelos apelados. Requer, por fim, a reforma da sentença, no tocante aos ônus sucumbenciais.

Por outro lado, os apelados, em síntese, alegam que, embora a sentença na revisional tenha imposto ônus sucumbenciais, estes se deveriam dar, também, nos embargos que opuseram, por se cuidarem de procedimentos distintos.

Afirmam que a fixação dos honorários observara, sim, o art. 85, do CPC, tanto que ficaram estabelecidos no patamar mínimo, além do que a demanda originária não comportaria a condenação nessa verba, por arbitramento. Enfim, asseverando que, como a apelação não procede, os honorários deveriam, ainda, ser majorados.

A procuradora de justiça oficiante no processo, entendendo não presentes as hipóteses legais necessárias à intervenção ministerial, não opina.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao VOTO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


VOTO


 

 

O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Votando): Senhores julgadores, comece-se por ver que o contrato firmado pelos litigantes, objeto da execução embargada, fora declarado nulo, quando do julgamento da Ação Revisional nº 0000347-26.2004.8.18.0031. A sentença, aduza-se, até já transitou em julgado, como mostra a certidão constante do evento nº 1831938, destes autos.

Acertadamente, portanto, os embargos foram extintos, sem julgamento de mérito, à luz do inc. VI, do art. 485, do CPC. De fato, ficara nítida, tanto a perda do seu objeto, quanto, por via de consequência, a falta de interesse processual.

Destarte, impunha-se a condenação do apelante, parte reconhecidamente vencida, no ônus da sucumbência, aliás, o único ponto da sentença do qual discorda. Só que o faz sem razão, porquanto cabe-lhe esse dever em respeito, inclusive, ao princípio da causalidade.

Por outro lado, não há que se falar em condenação excessiva. Basta ver que a estipulação se dá dentro dos parâmetros do § 2º, do art. 85, do CPC, aliás, no mínimo legalmente previsto.

De resto, só deixar claro que o apelante não pode, ainda, querer se eximir da sucumbência, apenas porque fora condenado na revisional que propusera. Afinal, essa condenação não obsta a que lhe fora imposta nos embargos aqui versados, de uma vez que são procedimentos distintos.

EX POSITIS e sendo o quanto suficiente asseverar, VOTO, a fim de que seja denegado provimento à APELAÇÃO, mantendo-se incólume a sentença, pelos seus próprios fundamentos, majorando-se, ainda, a verba advocatícia ali fixada, para 15% (quinze por cento).



 



Teresina, 20/10/2021

Detalhes

Processo

0003240-82.2007.8.18.0031

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Efeito Suspensivo / Impugnação / Embargos à Execução

Autor

BANCO DO BRASIL SA

Réu

CAMAROES ESTRELA LTDA - ME

Publicação

20/10/2021