TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0002297-49.2013.8.18.0033
APELANTE: DELMIRA GOMES DA SILVA
Advogado(s): DANILO BAIAO DE AZEVEDO RIBEIRO
APELADO: BANCO BONSUCESSO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BONSUCESSO S.A.
Advogado(s): FABIO FRASATO CAIRES
RELATOR(A): Desembargador MANOEL DE SOUSA DOURADO
EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL C/C PEDIDO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. CÓPIAS DE PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO NÃO AUTENTICADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Tenho que a cópia da procuração outorgada pela parte ao seu advogado ainda que não autenticada, atende à exigência do art. 38 do Código de Processo Civil, mostrando-se desnecessária a juntada do instrumento de mandato original. Os documentos juntados pelos litigantes gozam de presunção de veracidade, cujo afastamento não dispensa a impugnação pela parte adversa. 2. Destarte, a determinação de juntada de procuração original ou autenticada, somente é cabível se houver fundado receio de defeito de representação da parte, o que não é o caso dos autos.
RELATÓRIO
Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta pelo DELMIRA GOMES DA SILVA em face de sentença proferida pelo MM. Juiz 3ª Vara da Comarca de Piripiri – PI nos autos da Ação Declaratória de Nulidade Contratual c/c Indenização por Danos Morais ajuizada em face do BANCO BOMSUCESSO S.A, que julgou improcedente a demanda, indeferindo a petição inicial e, consequentemente, procedendo à extinção do processo sem resolução do mérito, com espeque no disposto no art. 485, I, do Código de Processo Civil.
Em suas razões, ID. 1632903, a apelante alega, em suma, que ingressou com a presente demanda, pugnando pelo reconhecimento de nulidade do contrato de empréstimo consignado, descrito no feito, uma vez que não contratou o mesmo e que nunca se dirigiu a qualquer sede da requerida. Assevera, ainda, que, através da sua causídica, juntou aos autos procuração pública original digilitalizada, declarando que a mesma era autêntica e conferia com a original, corroborando com os dispositivos processualistas que conferem ao advogado fé pública. No entanto, “ao apreciar a matéria em comento, o juiz a quo, ao analisar o presente caso acabou por interpretar a real situação em voga de forma imprecisa, extinguindo o processo sem resolução de mérito, resta solar, além da equivocada decisão a extremada injustiça cometida”.
Requer, ao final, a reforma do julgado, com o consequente retorno dos autos à vara de origem para posterior apreciação e seguimento.
Devidamente intimada, a parte apelada não apresenta contrarrazões no feito.
O Ministério Público Superior devolve os autos sem exarar manifestação, ante a ausência de interesse público que justifique sua intervenção.
É o relatório.
Determino a inclusão do feito em pauta.
VOTO DO RELATOR
I- DO CONHECIMENTO DO RECURSO
Preenchidos os pressupostos processuais exigíveis à espécie, conheço do presente Apelo.
Sem preliminares a serem apreciadas, passo a análise do mérito.
II – DO MÉRITO
Conforme relatado, a parte autora, ora recorrente, propôs a presente demanda buscando a anulação do contrato de empréstimo gerado em seu nome, bem como a condenação da instituição financeira recorrida ao pagamento de indenização por dano moral. No entanto, o magistrado de 1° grau indeferiu a inicial e extinguiu o feito, considerando que a recorrente não cumpriu a ordem judicial de emenda à inicial, não acostando ao feito procuração original.
De sorte, da análise dos autos, tenho que a sentença apelada vai de encontro à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que entende pela desnecessidade da juntada de procuração original ou cópia autenticada para o ajuizamento da ação.
Confiram-se precedentes da Corte Superior:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. NULIDADE DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA BRASIL TELECOM. CÓPIAS DE PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO NÃO AUTENTICADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. VALOR PATRIMONIAL DA AÇÃO. BALANCETE MENSAL. UNIFORMIZAÇÃO JURISPRUDENCIAL PELA SEGUNDA SEÇÃO. SÚMULA 371/STJ. ADOÇÃO IMEDIATA. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPROVIMENTO. I. A Segunda Seção desta Corte pacificou a questão da desnecessidade de autenticação de cópia de procuração e de substabelecimento, tendo em vista a presunção de veracidade das cópias juntadas e não impugnadas oportunamente, superando-se antigo entendimento que se manifestava sobre a matéria, bem como pela imprescindibilidade do prequestionamento de tal matéria, ainda que de ordem pública. (...) Agravo Regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag. 1006689/RS, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJE 08/06/2009)
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. EMBARGOS DO DEVEDOR. DEPÓSITO JUDICIAL. TERMO INICIAL. DESNECESSIDADE DE LAVRATURA DE TERMO DE NOMEAÇÃO. É desnecessária a autenticação de cópia de procuração e substabelecimento, porquanto se presumem verdadeiros os documentos juntados aos autos pelo autor, cabendo à parte contrária argüir-lhe a falsidade. O termo inicial para oposição dos embargos do devedor conta-se da data em que efetuado o depósito judicial da quantia executada, independentemente da lavratura de termo de nomeação. 3. Agravo regimental provido para conhecer e negar provimento ao recurso especial. (AgRg no REsp 918905/SE, Quarta Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. em 17.06.2010).
Com base no explanado, tenho que a cópia da procuração outorgada pela parte ao seu advogado ainda que não autenticada, atende à exigência do art. 38 do Código de Processo Civil, mostrando-se desnecessária a juntada do instrumento de mandato original. Os documentos juntados pelos litigantes gozam de presunção de veracidade, cujo afastamento não dispensa a impugnação pela parte adversa.
Destarte, a determinação de juntada de procuração original ou autenticada, somente é cabível se houver fundado receio de defeito de representação da parte, o que não é o caso dos autos.
III - CONCLUSÃO
Isto posto, voto pelo conhecimento e provimento do recurso, devendo os autos retornarem à Vara de origem para que seja dado prosseguimento ao feito.
É o voto.
DECISÃO: Acordam os componentes da 2ª Câmara Especializada Cível, do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, à unanimidade, em conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Des. José James Gomes Pereira, Des. Manoel de Sousa Dourado - Relator e Dr. Sebastião Firmino Lima Filho (convocado), conforme Portaria (Presidência) Nº 1759/2022 - PJPI/TJPI/SECPRE/PLENOADM, de 02 de agosto de 2022., em razão da ausência justificada, gozo de folga, do Exmo. Sr. Des. José Wilson Ferreira de Araújo Júnior - Portaria (Presidência) Nº 1822/2022 - PJPI/TJPI/SECPRE/PLENOADM, de 10 de agosto de 202218. Impedimento/Suspeição: Não houve. Presente o Exmo. Sr. Dr. Antônio de Pádua Ferreira Linhares, Procurador de Justiça. SALA DAS SESSÕES VIRTUAIS DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO, em Teresina, 23 a 30 de setembro de 2022.
Desembargador MANOEL DE SOUSA DOURADO
0002297-49.2013.8.18.0033
Órgão JulgadorDesembargador MANOEL DE SOUSA DOURADO
Órgão Julgador Colegiado2ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)MANOEL DE SOUSA DOURADO
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalDefeito, nulidade ou anulação
AutorDELMIRA GOMES DA SILVA
RéuBANCO BONSUCESSO S.A.
Publicação17/11/2022