TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara de Direito Público
APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA (1728) No 0800144-04.2018.8.18.0140
APELANTE: ESTADO DO PIAUI, FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE DE TERESINA/PI, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
REPRESENTANTE: ESTADO DO PIAUI, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
APELADO: J. D. O. D. S. F.
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – PAGAMENTOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL – IMPOSSIBILIDADE- INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 421, DO stj– RECURSO PROVIDO.
1. Não cabem honorários advocatícios à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público da qual é parte integrante. Inteligência da Súmula nº 421, do STJ.
2. Recurso provido.
RELATÓRIO
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APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA (1728) -0800144-04.2018.8.18.0140
Origem:
APELANTE: ESTADO DO PIAUI, FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE DE TERESINA/PI, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
REPRESENTANTE: ESTADO DO PIAUI, FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE
APELADO: J. D. O. D. S. F.
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
RELATÓRIO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (relatando):
Trata-se de apelação cível proposta pelo ESTADO DO PIAUÍ contra J.D.O.D.S.F., ora apelado, representado por seu genitor JOSÉ OLIVEIRA DA SILVA, tencionando reformar sentença, pela qual foi julgado extinta a ação de tutela de urgência em caráter antecedente com pedido liminar, aqui versada, sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, IV, do CPC. Condenou, ainda, o apelante em honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor da causa, nos termos do art. 85, do CPC.
Inconformado, o apelante, em síntese, alega que, em consonância com a Lei Complementar Estadual nº 59/2005 (Lei Orgânica Estadual da Defensoria Pública), não são devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando litiga contra pessoa jurídica de direito público à qual pertença. Ao final, requer a procedência do recurso.
Decorreu in albis o prazo do apelado apresentar contrarrazões, inobstante devidamente intimado, conforme certidão acostada ao feito.
O Procurador de Justiça oficiante nos autos, por sua vez, opina pelo provimento do recurso.
É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.
VOTO
V O T O
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (votando): Senhores Julgadores, como visto, trata-se de apelação visando reformar sentença no tocante à condenação em honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa, com fulcro no art. 85, do CPC.
Ab initio, veja-se o teor da Súmula n. 421, do colendo Superior Tribunal de Justiça, in litteris:
Súmula nº 421/STJ. Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público a qual pertence.
Deste modo, assiste razão ao apelante a sua argumentação de ser impossível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, em favor da Defensoria Pública, sob pena de confundirem-se no mesmo ente jurídico as figuras de credor e de devedor.
O apelante, pessoa jurídica de direito público, integra a mesma Fazenda Pública da qual faz parte a Defensoria Pública, que ora representa o apelado. O seguinte aresto, de lavra do Superior Tribunal de Justiça, por sinal, arremata este entendimento, verbis:
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA REPETITIVA. RIOPREVIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PAGAMENTO EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NÃO CABIMENTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
1. "Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença" (Súmula 421/STJ).
2. Também não são devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando ela atua contra pessoa jurídica de direito público que integra a mesma Fazenda Pública.
3. Recurso especial conhecido e provido, para excluir da condenação imposta ao recorrente o pagamento de honorários advocatícios.
(STJ - REsp: 1199715 RJ 2010/0121865-0, Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 16/02/2011, CE - CORTE ESPECIAL, Data de Publicação: DJe 12/04/2011).
Na mesma senda, vem decidindo este egrégio Tribunal de Justiça, como pode-se verificar do seguinte julgado, dentre vários outros que poderiam vir a colação, ipsis verbis:
Processual Civil. Apelação Cível. Honorários Advocatícios. Pagamentos à Favor da Defensoria Pública. IAPEP. Estado do Piauí. Impossibilidade. 1. Quanto a condenação ao pagamento das custas e honorários advocatícios, impende destacar que o Apelado é assistido pela Defensoria Pública do Estado do Piauí, e o IAPEP é pessoa jurídica de direito público integrante da mesma Fazenda Pública Estadual, na qual também integra a Defensoria Pública, então, no caso em comento, deve-se aplicar a Súmula nº 421, do STJ que dispõe: Súmula 421 STJ - os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua a pessoa jurídica de direito público a qual pertença. Nessa tessitura, entendo que, no presente caso, deve ser aplicada a súmula 421 do Superior Tribunal de Justiça, por entender que não são devidos à Defensoria Pública honorários advocatícios nas demandas em que atua contra o Estado do Piauí.2. Isso posto, ante o acima consignado, voto pelo conhecimento e provimento do presente recurso, para reformar a sentença a quo no que tange à condenação dos honorários advocatícios, por entender que os mesmos não são devidos, em conformidade com o parecer ministerial superior.3. Recurso Conhecido e Provido. (TJPI-Apelação, Reexame Necessário Nº 2013.0001.005589-5, Relator: Des. José James Gomes Pereira, 2ª Câmara Especializada Cível, Data de Julgamento: 27/06/2017).
EX POSITIS e sendo o quanto se me afigura necessário asseverar, VOTO, em consonância com o opinativo ministerial, pelo provimento do recurso, de modo a afastar a condenação do apelante ao pagamento de honorários advocatícios em favor da Defensoria Pública Estadual.
Teresina, 08/10/2021
0800144-04.2018.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara de Direito Público
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA
CompetênciaSAÚDE PÚBLICA - 4ª Câmara de Direito Público
Assunto PrincipalAntecipação de Tutela / Tutela Específica
AutorESTADO DO PIAUI
RéuJOSE DE OLIVEIRA DA SILVA FILHO
Publicação08/10/2021