Acórdão de 2º Grau

Tarifas 0800030-77.2025.8.18.0089


Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÕES CÍVEIS. COBRANÇA DE TARIFAS BANCÁRIAS (“CESTA B. EXPRESSO” E “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I”). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRATAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESOLUÇÃO Nº 3.919/2010 DO BACEN. DESCONTOS INDEVIDOS. RESTITUIÇÃO EM DOBRO. DANOS MORAIS IN RE IPSA. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 35 DO TJPI. RECURSO DO BANCO PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO DA PARTE AUTORA DESPROVIDO. I. Caso em exame Apelações cíveis interpostas por instituição financeira e consumidor contra sentença que reconheceu a ilegalidade da cobrança de tarifas bancárias incidentes sobre conta de titularidade da parte autora, determinando a restituição em dobro dos valores descontados e condenando o banco ao pagamento de indenização por danos morais. A instituição financeira sustenta a regularidade da contratação e a inexistência de danos indenizáveis. O consumidor, por sua vez, pleiteia a majoração do quantum indenizatório. II. Questão em discussão 3. Delimita-se a controvérsia em verificar: (i) a validade da contratação que autorizaria a cobrança das tarifas bancárias; (ii) a legalidade dos descontos efetuados; (iii) a existência e a extensão dos danos morais; e (iv) a adequação do valor fixado a título de indenização. III. Razões de decidir 4. A cobrança de tarifas bancárias depende de prévia contratação ou autorização expressa do consumidor, conforme dispõe a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central do Brasil e o art. 54, §4º, do Código de Defesa do Consumidor. 5. A instituição financeira não se desincumbiu do ônus probatório previsto no art. 373, II, do CPC, pois o suposto contrato eletrônico apresentado não contém elementos idôneos aptos a comprovar a manifestação válida de vontade do consumidor. 6. Configurada a prática abusiva consistente na cobrança por serviços não contratados, impõe-se a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados, nos termos do art. 42, parágrafo único, do CDC, inexistindo engano justificável. 7. Os descontos indevidos em conta bancária caracterizam dano moral in re ipsa, sendo devida a compensação pecuniária. 8. O valor da indenização deve observar os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, bem como o caráter pedagógico e compensatório, alinhando-se ao entendimento consolidado da 4ª Câmara Especializada Cível do TJPI, que fixa o montante de R$ 2.000,00 como adequado em casos análogos. 9. Aplicação da Súmula 35 do TJPI, que veda a cobrança de tarifas sem contratação válida e autoriza a restituição em dobro. IV. Dispositivo e tese 10. Recursos conhecidos. Recurso da instituição financeira parcialmente provido, apenas para reduzir o valor da indenização por danos morais para R$ 2.000,00. Recurso da parte autora desprovido. Tese de julgamento: É indevida a cobrança de tarifas bancárias sem prova de contratação válida ou autorização expressa do consumidor, impondo-se a restituição em dobro dos valores descontados e a fixação de indenização por danos morais, cujo quantum deve observar os parâmetros de razoabilidade, proporcionalidade e a jurisprudência consolidada do Tribunal. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800030-77.2025.8.18.0089 - Relator: OLIMPIO JOSE PASSOS GALVAO - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 22/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0800030-77.2025.8.18.0089
APELANTE: BANCO BRADESCO S.A.
Advogado(s) do reclamante: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR
APELADO: IRENITA DIAS DOS SANTOS
Advogado(s) do reclamado: FELIPE MIRANDA DIAS REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FELIPE MIRANDA DIAS, WABNY DE ASSIS SILVA REIS
RELATOR(A): Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO

 

 

EMENTA

 

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÕES CÍVEIS. COBRANÇA DE TARIFAS BANCÁRIAS (“CESTA B. EXPRESSO” E “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I”). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRATAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESOLUÇÃO Nº 3.919/2010 DO BACEN. DESCONTOS INDEVIDOS. RESTITUIÇÃO EM DOBRO. DANOS MORAIS IN RE IPSA. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 35 DO TJPI. RECURSO DO BANCO PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO DA PARTE AUTORA DESPROVIDO.

I. Caso em exame

  1. Apelações cíveis interpostas por instituição financeira e consumidor contra sentença que reconheceu a ilegalidade da cobrança de tarifas bancárias incidentes sobre conta de titularidade da parte autora, determinando a restituição em dobro dos valores descontados e condenando o banco ao pagamento de indenização por danos morais.

  2. A instituição financeira sustenta a regularidade da contratação e a inexistência de danos indenizáveis. O consumidor, por sua vez, pleiteia a majoração do quantum indenizatório.

II. Questão em discussão
3. Delimita-se a controvérsia em verificar: (i) a validade da contratação que autorizaria a cobrança das tarifas bancárias; (ii) a legalidade dos descontos efetuados; (iii) a existência e a extensão dos danos morais; e (iv) a adequação do valor fixado a título de indenização.

III. Razões de decidir
4. A cobrança de tarifas bancárias depende de prévia contratação ou autorização expressa do consumidor, conforme dispõe a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central do Brasil e o art. 54, §4º, do Código de Defesa do Consumidor.
5. A instituição financeira não se desincumbiu do ônus probatório previsto no art. 373, II, do CPC, pois o suposto contrato eletrônico apresentado não contém elementos idôneos aptos a comprovar a manifestação válida de vontade do consumidor.
6. Configurada a prática abusiva consistente na cobrança por serviços não contratados, impõe-se a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados, nos termos do art. 42, parágrafo único, do CDC, inexistindo engano justificável.
7. Os descontos indevidos em conta bancária caracterizam dano moral in re ipsa, sendo devida a compensação pecuniária.
8. O valor da indenização deve observar os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, bem como o caráter pedagógico e compensatório, alinhando-se ao entendimento consolidado da 4ª Câmara Especializada Cível do TJPI, que fixa o montante de R$ 2.000,00 como adequado em casos análogos.
9. Aplicação da Súmula 35 do TJPI, que veda a cobrança de tarifas sem contratação válida e autoriza a restituição em dobro.

IV. Dispositivo e tese
10. Recursos conhecidos. Recurso da instituição financeira parcialmente provido, apenas para reduzir o valor da indenização por danos morais para R$ 2.000,00. Recurso da parte autora desprovido.
Tese de julgamento: É indevida a cobrança de tarifas bancárias sem prova de contratação válida ou autorização expressa do consumidor, impondo-se a restituição em dobro dos valores descontados e a fixação de indenização por danos morais, cujo quantum deve observar os parâmetros de razoabilidade, proporcionalidade e a jurisprudência consolidada do Tribunal.

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 10/04/2026 a 17/04/2026, acordam os componentes do(a) 4ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

 

Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

 

 

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta pelo BANCO BRADESCO S.A, e APELAÇÃO CÍVEL interposta por IRENITA DIAS DOS SANTOS irresignados com a sentença proferida nos autos da Ação Declaratória de Nulidade Contratual c/c Repetição de indébito e Indenização por Dano moral (Proc. nº 0800030-77.2025.8.18.0089), movida por IRENITA DIAS DOS SANTOS.

Na sentença, o magistrado a quo julgou procedente a demanda, nos seguintes termos:

 

“Diante do exposto, REJEITO as preliminares arguidas, e, no mérito, JULGO PROCEDENTES os pedidos autorais, para o fim de: (a) DECLARAR a inexistência e inexigibilidade dos débitos oriundos dos lançamentos realizados , por consectário lógico, DETERMINO A ABSTENÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS E COBRANÇAS por tarifas bancárias e pacote de serviços na referida conta. (b) CONDENAR o requerido a restituir, em dobro, todos os valores indevidamente descontados do benefício da parte autora relativo ao contrato, ora declarado inexistente. Nesse ponto, aplica-se como termo inicial para a contagem dos juros de mora a data da citação, como assim dispõe a redação do art. 405 do CC, enquanto que para a correção monetária utiliza-se a data de cada desembolso, ou seja, a partir da data do efetivo prejuízo, nos termos da Súmula nº43 do STJ. No que versa aos índices a serem aplicados, a partir de 30.8.2024, com o vigor pleno da Lei n. 14.905/2024, a atualização dos débitos judiciais, na ausência de convenção ou de lei especial em sentido contrário, passa a se dar pelos índices legais de correção monetária e/ou de juros de mora previstos nos arts. 389, p. único, e 406, § 1º, ambos do CC, sendo estes: IPCA para correção monetária e Taxa Selic - deduzido o IPCA - para os juros moratórios. (c) CONDENAR a empresa ré ao pagamento de indenização por danos morais, que arbitro em R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Sobre este montante, aplica-se como termo inicial para a contagem dos juros de mora a data citação, como assim dispõe a redação do art. 405 do CC, enquanto que para a correção monetária utiliza-se a data do arbitramento do valor da indenização, no caso, a data do julgamento, na forma da súmula 362 do STJ. No que versa aos índices a serem aplicados, nos termos dos arts. 389, p. único, e 406, § 1º, ambos do CC, adota-se o IPCA para correção monetária e Taxa Selic - deduzido o IPCA - para os juros moratórios. Condeno a parte ré em custas e honorários de sucumbência, estes em 10% sobre o valor da condenação. Resolvo o mérito, com fundamento no artigo 487, I, e 490 do CPC. Sentença registrada. Publique-se. Intimem-se. Observe-se o nome dos procuradores das partes, sobretudo dos que subscreveram as últimas manifestações processuais e dos que requereram a intimação na forma do art. 272, § 5º, do CPC. ”

 

Nas suas razões recursais, a instituição financeira apelante sustenta, no mérito, que a sua conduta foi absolutamente lícita, não havendo nenhuma ilegalidade na cobrança da referida tarifa “TARIFA BANCÁRIA CESTA B. EXPRESSO” e “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I". Argumenta que houve a regularidade da contratação, demonstrada pela juntada do contrato contendo a previsão de cobrança da referida tarifa. Alega inexistir danos morais ou materiais indenizáveis. Requer o provimento do recurso com a improcedência da demanda.

Nas razões de seu recurso apelatório, o requerente, alega que, diante da não demonstração da regularidade da cobrança efetuada pelo requerido, os danos morais arbitrados devem ser majorados para R$ 10.000,00 (dez mil reais).

As partes, devidamente intimadas, apresentaram contrarrazões.

Desnecessária a notificação do Ministério Público, conforme recomendação contida no Ofício Circular nº 174/2021.

É o relatório.

 

 

 

 

VOTO

O Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO (Relator):

 

1 REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE

 

Em análise ao recurso interposto, verifica-se que foram preenchidos os pressupostos intrínsecos (cabimento, legitimidade, interesse recursal e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer) e extrínsecos (preparo, tempestividade e regularidade formal) para a sua admissibilidade, motivo pelo qual CONHEÇO do recurso apelatório.

 

2 PRELIMINARES

Sem preliminares

 

Mérito

Pois bem, o mérito do presente recurso gravita em torno da comprovação da ilegalidade da cobrança/desconto da tarifa "Cesta B Expresso 1" na conta bancária de titularidade da parte consumidora pela instituição bancária.

Destaca-se que esta matéria já se encontra consolidada pelo Tribunal de Justiça do Piauí. Vejamos.

Súmula 35: “É vedada à instituição financeira a cobrança de tarifas de manutenção de conta e de serviços sem a prévia contratação e/ou autorização pelo consumidor, nos termos do art. 54, parágrafo 4º, do CDC. A reiteração de descontos de valores a título de tarifas bancárias não configura engano justificável. Presentes tais requisitos (má-fé e inexistência de engano justificável), a indenização por danos materiais deve ocorrer na forma do art. 42 (devolução em dobro), parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor, ao passo que o valor dos danos morais será arbitrado a depender da magnitude do dano aferida pelo órgão julgador, nos termos do art. 54-D, parágrafo único, do CDC ”.

 

Nesta senda, perfeitamente cabível o julgamento monocrático do presente recurso, uma vez que o tema do presente apelo é o objeto de Súmula 35 deste Tribunal de Justiça.

Examinando os autos, vislumbra-se que a parte autora teve descontos de tarifa “TARIFA BANCÁRIA CESTA B. EXPRESSO” e “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I" efetuados em sua conta bancária pela instituição financeira ré, no entanto, apesar de a apelante juntar um suposto contrato assinado eletronicamente, não se tem a certeza da higidez da vontade da parte, pois ali consta apenas uma sequência de números e letras, sem qualquer outro documento para comprovar como uma “selfie” e a geolocalização, portanto, não se considera o documento juntado, na forma como preceitua o art. 1º da Resolução nº 3.919/2010 – Banco Central do Brasil, in verbis:

 

Art. 1º A cobrança de remuneração pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, conceituada como tarifa para fins desta resolução, deve estar prevista no contrato firmado entre a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou pelo usuário.

 

Do mesmo modo, vem a jurisprudência:

 

EMENTA: CIVIL, PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA . DESCONTOS DE TARIFAS BANCÁRIAS. CONTRATO SUPOSTAMENTE ASSINADO ELETRONICAMENTE. ASSINATURA ELETRÔNICA COM SEQUÊNCIA DE NÚMERO E LETRAS DESACOMPANHADA DE PROVAS DE QUE A ASSINATURA PERTENCE AO AUTOR, TAIS COMO AUTORRETRATO (SELFIE) E GEOLOCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRATO VÁLIDO QUE COMPROVE A CONTRATAÇÃO DO SERVIÇO E AUTORIZE OS DESCONTOS DA TARIFA . RESOLUÇÃO Nº 3.919/2010 DO BACEN. DESCONTO INDEVIDO. DANO MORAL CONFIGURADO . DEVER DE INDENIZAR. QUANTUM ARBITRADO COM RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. APLICABILIDADE DO ART . 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PRECEDENTES. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.(TJ-RN - APELAÇÃO CÍVEL: 08001893920248205120, Relator.: DILERMANDO MOTA PEREIRA, Data de Julgamento: 22/06/2024, Primeira Câmara Cível, Data de Publicação: 24/06/2024)

 

Portanto, não se desincumbiu a instituição financeira do ônus probatório que lhe é imposto, nos termos do art. 373, II, do CPC/20215, uma vez que, apesar de juntar documentos para instruir sua defesa, estes, não trazem, de forma fidedigna, a demonstração de vontade da parte autora, sendo que os documentos que contém assinatura da parte autora difere da numeração do suposto contrato da tarifa “TARIFA BANCÁRIA CESTA B. EXPRESSO” e “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I" .

Ademais, não havendo provas da contratação da tarifa que ocasiona mensalmente a cobrança na conta bancária da autora, deve a parte ré restituir em dobro à parte autora os valores cobrados indevidamente, como preceitua o art. 42 do CDC, uma vez que não se trata de engano justificável, pois o art. 39, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor, veda dentre outras práticas abusivas executar serviços sem autorização expressa do consumidor.

Com efeito, impõe-se a manutenção de sentença primeva, com o cancelamento dos descontos decorrentes da cobrança da “TARIFA BANCÁRIA CESTA B. EXPRESSO” e “PACOTE DE SERVIÇOS PADRONIZADO PRIORITÁRIO I", a condenação do banco requerido à restituição em dobro das parcelas descontadas, bem como ao pagamento de indenização por danos morais, que se constituem in re ipsa.

Finalmente, no que diz respeito à fixação do quantum dos danos morais, sabe-se que este deve se alicerçar no caráter pedagógico para que o causador do dano sofra uma reprimenda pelo ato ilícito praticado e no caráter de compensação para que a vítima possa se recompor do dano sofrido e suportado.

Com efeito, esta 4ª Câmara Especializada Cível tem entendido como mais razoável e proporcinal à compensação dos danos gerados a condenação no valor R$ 2.000,00 (dois mil reais), conforme se vê nos julgados abaixo:

 

APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO DO CONSUMIDOR. RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL. TRANSFERÊNCIA NÃO COMPROVADA. CONTRATO NÃO JUNTADO PELO BANCO. DANO MORAL CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO CABÍVEL. RECURSO DO BANCO RÉU NÃO PROVIDO. RECURSO DA PARTE AUTORA PARA AUMENTAR QUANTUM INDENIZATÓRIO PROVIDO. 1. Em se tratando de relação jurídica estabelecida entre instituição financeira e consumidor hipossuficiente, entende-se como perfeitamente cabível a inversão do ônus da prova, a fim de que seja reconhecida a responsabilidade do Banco pela comprovação da regularidade na contratação do bem/serviço por ele ofertado ao cliente, contudo, o réu não conseguiu se desincumbir do seu ônus por não ter apresentado o contrato discutido. 2. No caso dos autos, revela-se cabível a devolução em dobro dos valores descontados indevidamente pelo Banco, uma vez que os descontos foram efetuados sem consentimento válido por parte da autora, tendo o Banco réu procedido de forma ilegal. 3. Os descontos consignados nos proventos de aposentadoria encontram-se evidenciados e ocasionaram à autora adversidades que ultrapassam o mero aborrecimento, sendo suficiente para ensejar a indenização por Danos Morais. A fixação do quantum indenizatório no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) revela-se adequada para o caso, estando dentro dos parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade. 4. Recurso do Banco improvido e recurso da parte autora provido. (TJPI | Apelação Cível Nº 0816831-51.2021.8.18.0140 | Relator: Antônio Reis de Jesus Nolleto | 4ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL | Data de Julgamento: 22/08/2024). Negritei.

 

APELAÇÃO CÍVEL. DESCONTOS DE VALORES REFERENTES A TARIFAS BANCÁRIAS. CONTA CORRENTE. COBRANÇA DE “TARIFA BANCARIA CESTA B. EXPRESSO 5”. AUSÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO. RESTITUIÇÃO DE VALORES E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DANOS MORAIS. MAJORAÇÃO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1– O apelante comprova descontos havidos no seu benefício previdenciário referentes à cobrança da “TARIFA BANCÁRIA CESTA B. EXPRESSO 1”. Por outro lado, o banco apelado não juntou a cópia do suposto contrato autorizando a cobrança da indigitada tarifa, evidenciando irregularidade nos descontos realizados no benefício previdenciário do apelante. 2 - Impõe-se a condenação do banco fornecedor do serviço ao pagamento de indenização por danos morais, que se constituem in re ipsa, e a devolução em dobro da quantia que fora indevidamente descontada (repetição do indébito – art. 42, parágrafo único, do CDC). 3 - No que se refere ao quantum indenizatório relativo aos danos morais, entende-se o montante de R$ 2.000,00 (dois mil reais) razoável e compatível com o caso em apreço. 4. Recurso conhecido e parcialmente provido. (TJPI | Apelação Cível Nº 0800948-78.2022.8.18.0027 | Relator: José Ribamar Oliveira | 4ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL | Data de Julgamento: 01/04/2024 ). Negritei.

 

 

O juízo de primeiro grau condenou o requerido no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), contudo, na esteira da legislação e da jurisprudência supra, impõe-se a reforma da sentença proferida, apenas quanto à condenação em danos morais, o qual reduzo o valor para R$ 2.000,00 (dois mil reais).

 

III. DISPOSITIVO

Com estes fundamentos, para CONHEÇO os recursos apelatórios e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso da parte requerida, apenas para reduzir os danos morais para R$ 2.000,00 (dois mil reais). NEGO PROVIMENTO ao recurso da parte requerente.

Deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termo do Tema 1059 do STJ.

Intimem-se e Cumpra-se. Preclusas as vias impugnativas, dê-se baixa e arquivem-se os autos.

Teresina, data e assinatura constantes do sistema eletrônico.

 

Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO

Relator

 

 

 

 

 

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0800030-77.2025.8.18.0089

Órgão Julgador

Desembargador OLÍMPIO JOSÉ PASSOS GALVÃO

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

OLIMPIO JOSE PASSOS GALVAO

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Tarifas

Autor

BANCO BRADESCO S.A.

Réu

IRENITA DIAS DOS SANTOS

Publicação

22/04/2026