Acórdão de 2º Grau

Empréstimo consignado 0804180-83.2022.8.18.0032


Ementa

DIREITO CIVIL, BANCÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CONTRATO. SÚMULA 18 DO TJPI. DESCONTOS INDEVIDOS. NULIDADE DA AVENÇA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. COMPENSAÇÃO DO VALOR CREDITADO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo interno interposto contra decisão monocrática que reconheceu a inexistência de comprovação do contrato de empréstimo consignado supostamente celebrado entre as partes. Embora demonstrada a transferência do valor para a conta bancária da autora, não há prova da efetiva contratação. A decisão reconheceu a nulidade da avença, determinou a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados e fixou indenização por danos morais, admitindo a compensação do valor creditado na conta da consumidora. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se a ausência de comprovação do contrato de empréstimo consignado autoriza a declaração de nulidade da avença e a restituição em dobro dos valores descontados; (ii) estabelecer se é cabível a manutenção da decisão monocrática que reconheceu danos morais, admitiu compensação do valor creditado e aplicou multa por interposição de agravo interno improcedente. III. RAZÕES DE DECIDIR A Súmula nº 18 do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí estabelece que a ausência de comprovação da transferência do valor do contrato para conta bancária de titularidade do mutuário enseja a nulidade da avença e seus consectários legais, podendo tal circunstância ser demonstrada por documentos juntados aos autos. No caso concreto, embora exista prova de que a instituição financeira tenha creditado o valor na conta bancária da autora, inexiste nos autos qualquer documento que comprove a efetiva contratação do empréstimo, inexistindo prova inequívoca da assinatura ou anuência da consumidora. A inexistência de prova da contratação válida caracteriza a ilegalidade dos descontos realizados, ensejando a declaração de nulidade do negócio jurídico e a restituição dos valores indevidamente cobrados. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor, a cobrança indevida autoriza a repetição do indébito em dobro, independentemente da comprovação de má-fé, sendo suficiente a demonstração da cobrança indevida decorrente de negligência da instituição financeira. Os descontos indevidos em conta bancária de consumidor configuram conduta ilícita que ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano, justificando a condenação da instituição financeira ao pagamento de indenização por danos morais, a ser fixada com observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Comprovada a transferência do valor referente ao suposto empréstimo para a conta da autora, admite-se a compensação desse montante com os valores da condenação, nos termos do art. 368 do Código Civil. A decisão monocrática fundamenta-se em súmula deste Tribunal e em entendimento consolidado da jurisprudência, autorizando sua prolação nos termos do art. 932, V, “a”, do CPC, razão pela qual não há fundamento para sua reforma em sede de agravo interno. A interposição de agravo interno improcedente, em caso de decisão unânime, autoriza a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A ausência de comprovação da contratação de empréstimo consignado enseja a declaração de nulidade da avença e a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados. A repetição do indébito prevista no art. 42, parágrafo único, do CDC independe da demonstração de má-fé do fornecedor, sendo suficiente a cobrança indevida decorrente de falha na prestação do serviço. Descontos indevidos em conta bancária de consumidor configuram dano moral indenizável. Comprovado o crédito do valor do suposto empréstimo em favor do consumidor, admite-se a compensação do montante com a condenação imposta à instituição financeira. A interposição de agravo interno manifestamente improcedente autoriza a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 6º, 932, V, “a”, e 1.021, §4º; CDC, art. 42, parágrafo único; CC, arts. 368, 389, parágrafo único, e 406, §1º. Jurisprudência relevante citada: TJPI, Súmula nº 18; TJPI, Apelação Cível nº 0800891-62.2020.8.18.0049, Rel. Des. Raimundo Nonato da Costa Alencar, 4ª Câmara Especializada Cível, j. 28.03.2023; STJ, Súmulas 43, 54 e 362. (TJPI - AGRAVO INTERNO CÍVEL 0804180-83.2022.8.18.0032 - Relator: JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 26/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

4ª Câmara Especializada Cível

AGRAVO INTERNO CÍVEL (1208) Nº 0804180-83.2022.8.18.0032
AGRAVANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
Advogado(s) do reclamante: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO
AGRAVADO: FRANCISCO ANTONIO DE SOUSA, BANCO BRADESCO S.A.
Advogado(s) do reclamado: FELIPE SOARES ALVES, SILVANIRA HIPOLITO DA CONCEICAO CASTRO
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

 

 

EMENTA

 

 DIREITO CIVIL, BANCÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CONTRATO. SÚMULA 18 DO TJPI. DESCONTOS INDEVIDOS. NULIDADE DA AVENÇA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. COMPENSAÇÃO DO VALOR CREDITADO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

  1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que reconheceu a inexistência de comprovação do contrato de empréstimo consignado supostamente celebrado entre as partes. Embora demonstrada a transferência do valor para a conta bancária da autora, não há prova da efetiva contratação. A decisão reconheceu a nulidade da avença, determinou a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados e fixou indenização por danos morais, admitindo a compensação do valor creditado na conta da consumidora.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

  1. Há duas questões em discussão: (i) definir se a ausência de comprovação do contrato de empréstimo consignado autoriza a declaração de nulidade da avença e a restituição em dobro dos valores descontados; (ii) estabelecer se é cabível a manutenção da decisão monocrática que reconheceu danos morais, admitiu compensação do valor creditado e aplicou multa por interposição de agravo interno improcedente.

III. RAZÕES DE DECIDIR

  1. A Súmula nº 18 do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí estabelece que a ausência de comprovação da transferência do valor do contrato para conta bancária de titularidade do mutuário enseja a nulidade da avença e seus consectários legais, podendo tal circunstância ser demonstrada por documentos juntados aos autos.

  2. No caso concreto, embora exista prova de que a instituição financeira tenha creditado o valor na conta bancária da autora, inexiste nos autos qualquer documento que comprove a efetiva contratação do empréstimo, inexistindo prova inequívoca da assinatura ou anuência da consumidora.

  3. A inexistência de prova da contratação válida caracteriza a ilegalidade dos descontos realizados, ensejando a declaração de nulidade do negócio jurídico e a restituição dos valores indevidamente cobrados.

  4. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor, a cobrança indevida autoriza a repetição do indébito em dobro, independentemente da comprovação de má-fé, sendo suficiente a demonstração da cobrança indevida decorrente de negligência da instituição financeira.

  5. Os descontos indevidos em conta bancária de consumidor configuram conduta ilícita que ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano, justificando a condenação da instituição financeira ao pagamento de indenização por danos morais, a ser fixada com observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

  6. Comprovada a transferência do valor referente ao suposto empréstimo para a conta da autora, admite-se a compensação desse montante com os valores da condenação, nos termos do art. 368 do Código Civil.

  7. A decisão monocrática fundamenta-se em súmula deste Tribunal e em entendimento consolidado da jurisprudência, autorizando sua prolação nos termos do art. 932, V, “a”, do CPC, razão pela qual não há fundamento para sua reforma em sede de agravo interno.

  8. A interposição de agravo interno improcedente, em caso de decisão unânime, autoriza a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

  1. Recurso desprovido.

Tese de julgamento:

  1. A ausência de comprovação da contratação de empréstimo consignado enseja a declaração de nulidade da avença e a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados.

  2. A repetição do indébito prevista no art. 42, parágrafo único, do CDC independe da demonstração de má-fé do fornecedor, sendo suficiente a cobrança indevida decorrente de falha na prestação do serviço.

  3. Descontos indevidos em conta bancária de consumidor configuram dano moral indenizável.

  4. Comprovado o crédito do valor do suposto empréstimo em favor do consumidor, admite-se a compensação do montante com a condenação imposta à instituição financeira.

  5. A interposição de agravo interno manifestamente improcedente autoriza a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.


Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 6º, 932, V, “a”, e 1.021, §4º; CDC, art. 42, parágrafo único; CC, arts. 368, 389, parágrafo único, e 406, §1º.

 

Jurisprudência relevante citada: TJPI, Súmula nº 18; TJPI, Apelação Cível nº 0800891-62.2020.8.18.0049, Rel. Des. Raimundo Nonato da Costa Alencar, 4ª Câmara Especializada Cível, j. 28.03.2023; STJ, Súmulas 43, 54 e 362.

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 06/04/2026 a 13/04/2026, acordam os componentes do(a) 4ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

 

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

AGRAVO INTERNO CÍVEL (1208) -0804180-83.2022.8.18.0032
Origem: 
AGRAVANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. 
Advogado do(a) AGRAVANTE: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO - PE23255-A

AGRAVADO: FRANCISCO ANTONIO DE SOUSA, BANCO BRADESCO S.A.
Advogados do(a) AGRAVADO: FELIPE SOARES ALVES - PI21649-A, SILVANIRA HIPOLITO DA CONCEICAO CASTRO - PI10919-A

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

JuLIA Explica

 

Trata-se de Agravo Interno em Apelação Cível interposto por Banco Bradesco S.A., a fim de reformar a decisão proferida na AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, MATERIAIS E EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS, proposta por Francisco Antonio de Sousa, ora agravado.

Recebido por esta relatoria, o recurso foi julgado monocraticamente, nos termos do art. 932, V, a, do CPC, aplicando a Súmula 18 do TJPI, dando provimento ao recurso. (ID.28166279)

Inconformado, em suas razões recursais, em sede de Agravo Interno, o banco agravante alega a validade do contrato celebrado. Alega sobre aplicação dos juros sobre os danos morais a partir da sentença condenatória. Argumenta pela inexistência de ato ilícito perpetrado pelo banco. Pede provimento ao recurso interposto. (ID.29852886)

Apesar de devidamente intimada, a parte agravada não apresentou contrarrazões.

Participação do Ministério Público desnecessária diante da recomendação contida no art. 5º do Provimento Conjunto nº 163/2026 – PJPI/TJPI/SECRE.

É o quanto basta relatar.

 

 

 

 

VOTO

 

Senhores julgadores, a discussão aqui versada diz respeito a comprovação de transferência de valor em contrato de empréstimo consignado, matéria que se encontra sumulada neste Egrégio Tribunal de Justiça do Estado Piauí, in verbis:

TJPI/SÚMULA Nº 18 – “A ausência de transferência do valor do contrato para conta bancária de titularidade do mutuário enseja a declaração de nulidade da avença e seus consectários legais e pode ser comprovada pela juntada aos autos de documentos idôneos, voluntariamente pelas partes ou por determinação do magistrado nos termos do artigo 6º do Código de Processo Civil”.

Dessa forma, aplicou-se o art. 932, inciso, V, a, do CPC, considerando o precedente firmado em Súmula 18 deste TJPI.

Compulsando os autos, verifica-se que embora haja prova de que a instituição financeira tenha creditado o valor objeto da suposta avença na conta bancária da parte apelante (ID. 27906989), não há provas do contrato em si, seja qual for a sua forma de pactuação.

Nada há nos autos que seja prova inequívoca de que a parte autora tenha efetivamente assinado o contrato discutido em juízo.

Em sendo assim, impõe-se reconhecer à parte autora o lídimo direito previsto no art. 42, parágrafo único, do CDC:

“Art. 42. (…)

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.”

Com efeito, não há falar, in casu, em necessária prova da má-fé, vez que o instituto da repetição de indébito é aplicável tanto no caso de má-fé (dolo) como no caso de culpa, sendo suficiente a demonstração de a negligência da instituição bancária na efetuação dos descontos indevidos. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO - AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL – NEGÓCIO BANCÁRIO – AUSÊNCIA DE PROVA DA REGULARIDADE DO EMPRÉSTIMO – INCIDÊNCIA DA SÚMULA 18 DO TJ-PI – RESTITUIÇÃO EM DOBRO – DANOS MORAIS – QUANTUM RAZOÁVEL E PROPORCIONAL – RECURSO PROVIDO.

1. A ausência de comprovação, pela instituição financeira, da transferência do empréstimo supostamente contratado, para a conta bancária do consumidor/mutuário, garantidos o contraditório e a ampla defesa, enseja a declaração de nulidade da avença, com os consectários legais, nos termos da Súmula nº 18 do TJPI, inclusive.

2. Sendo ilegal a cobrança do empréstimo tido como contratado, por não decorrer de negócio jurídico válido, é obrigatória a restituição, em dobro, do que fora indevidamente pago pelo suposto devedor. Incidência do art. 42, § único, do CDC.

3. O valor da condenação por danos morais deve ser fixado com observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não só a fim de cumprir a sua função punitiva/pedagógica, em relação ao ofensor, mas, ainda, para não propiciar o enriquecimento sem causa do ofendido.

4. Sentença reformada.

(TJPI | Apelação Cível Nº 0800891-62.2020.8.18.0049 | Relator: Raimundo Nonato da Costa Alencar | 4ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL | Data de Julgamento: 28/03/2023)

Dessa forma, a análise deve ser objetiva, sem analisar o elemento volitivo para a realização dos descontos para que haja a repetição do indébito em valor dobrado.

De resto, só ressaltar que, as quantias descontadas da conta bancária da parte autora consubstanciaram-se, sem dúvida, conduta ilícita, por não possuírem lastro negocial válido.

Logo, impõe-se considerar que os danos causados transcendem a esfera do mero aborrecimento. Afigurando-se, portanto, necessária a condenação do agravante no pagamento de indenização pelos danos morais a que dera causa.

Sabe-se que o quantum indenizatório deve ser fixado em patamar razoável e proporcional, a fim de se evitar, tanto o enriquecimento sem causa de uma das partes, quanto a excessiva repreensão da outra.

Por fim, ante a comprovação da transferência do valor referente ao suposto empréstimo, por parte da agravante (ID. 27906989), para a conta da agravada, tendo esta se beneficiado da quantia, deve-se admitir a compensação desse valor da condenação imposta ao primeiro, nos termos do art. 368, do Código Civil.

 Vê-se, portanto, que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida.

Nessas circunstâncias, em caso de votação unânime, impõe-se a aplicação do disposto no art. 1.021, §4º, do CPC, motivo pelo qual condeno a parte agravante ao pagamento de multa correspondente a 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, a ser revertida em favor da parte agravada.

Sobre o termo inicial dos juros e correção monetária referentes à condenação, bem como em relação aos índices a serem aplicados, adoto para a devolução em dobro do indébito e para a compensação a incidência de juros de mora a contar do evento danoso (Súmula 54 do STJ), a partir do efetivo desconto, aplicando-se a Taxa Selic, deduzido o IPCA, conforme art. 406, § 1º, do Código Civil, bem como correção monetária a contar de cada desembolso (Súmula 43 do STJ), aplicando-se o IPCA, conforme o art. 389, parágrafo único, do CC; quanto aos danos morais, a estes devem ser acrescidos juros de mora a partir do evento danoso (Súmula 54 do STJ),  aplicando-se a Taxa Selic, deduzido o IPCA, conforme art. 406, § 1º, do Código Civil, e correção monetária a partir do arbitramento (Súmula 362 do STJ), aplicando-se o IPCA, conforme o art. 389, parágrafo único, do CC.

Ante o exposto, nego provimento ao Agravo Interno, mantendo integralmente a decisão monocrática por seus próprios fundamentos, e condeno a parte agravante ao pagamento da multa de 1% (um por cento) prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.

Sem custas e honorários.

Ademais, por se tratar de matéria de ordem pública, adeque-se a decisão recorrida no que tange aos índices e ao termo inicial de juros e correção monetária na condenação, adotando para a devolução em dobro do indébito e compensação a incidência de juros de mora a contar do evento danoso (Súmula 54 do STJ), a partir do efetivo desconto, aplicando-se a Taxa Selic, deduzido o IPCA, conforme art. 406, § 1º, do Código Civil, bem como correção monetária a contar de cada desembolso (Súmula 43 do STJ), aplicando-se o IPCA, conforme o art. 389, parágrafo único, do CC; quanto aos danos morais, a estes devem ser acrescidos juros de mora a partir do evento danoso (Súmula 54 do STJ), aplicando-se a Taxa Selic, deduzido o IPCA, conforme art. 406, § 1º, do Código Civil, e correção monetária a partir do arbitramento (Súmula 362 do STJ), aplicando-se o IPCA, conforme o art. 389, parágrafo único, do CC.

 

 

 

 

 

 

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Relator

 

Teresina, 25/04/2026

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0804180-83.2022.8.18.0032

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Classe Judicial

AGRAVO INTERNO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.

Réu

FRANCISCO ANTONIO DE SOUSA

Publicação

26/04/2026