Acórdão de 2º Grau

Incapacidade Laborativa Permanente 0820216-70.2022.8.18.0140


Ementa

EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LIMITAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ÀS PARCELAS VENCIDAS ATÉ A SENTENÇA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 111 DO STJ. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação cível interposta por autarquia previdenciária contra sentença que, em ação de natureza previdenciária, a condenou ao pagamento de honorários advocatícios sem observar a limitação prevista na Súmula 111 do Superior Tribunal de Justiça quanto à base de cálculo da verba honorária. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em saber se, nas ações previdenciárias, os honorários advocatícios devem incidir sobre todas as prestações devidas ou se devem ser limitados às parcelas vencidas até a data da sentença, conforme entendimento consolidado na Súmula 111 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, nas ações previdenciárias, os honorários advocatícios não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença, conforme dispõe a Súmula 111. Em razão desse entendimento sumulado, a base de cálculo da verba honorária deve ser limitada às parcelas vencidas até a data da prolação da sentença, sendo indevida a incidência sobre prestações posteriores. IV. DISPOSITIVO Recurso conhecido e provido. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0820216-70.2022.8.18.0140 - Relator: RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS - 3ª Câmara Especializada Cível - Data 20/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

3ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0820216-70.2022.8.18.0140
APELANTE: INSS - INSTITUTO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

APELADO: ADALTO ARAUJO DA SILVA
Advogado(s) do reclamado: CAIQUE VINICIUS CASTRO SOUZA
RELATOR(A): Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS



EMENTA

 


DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LIMITAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ÀS PARCELAS VENCIDAS ATÉ A SENTENÇA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 111 DO STJ. RECURSO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

Apelação cível interposta por autarquia previdenciária contra sentença que, em ação de natureza previdenciária, a condenou ao pagamento de honorários advocatícios sem observar a limitação prevista na Súmula 111 do Superior Tribunal de Justiça quanto à base de cálculo da verba honorária.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

A questão em discussão consiste em saber se, nas ações previdenciárias, os honorários advocatícios devem incidir sobre todas as prestações devidas ou se devem ser limitados às parcelas vencidas até a data da sentença, conforme entendimento consolidado na Súmula 111 do STJ.

III. RAZÕES DE DECIDIR

O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, nas ações previdenciárias, os honorários advocatícios não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença, conforme dispõe a Súmula 111.

Em razão desse entendimento sumulado, a base de cálculo da verba honorária deve ser limitada às parcelas vencidas até a data da prolação da sentença, sendo indevida a incidência sobre prestações posteriores.

IV. DISPOSITIVO

Recurso conhecido e provido.

 



ACÓRDÃO

 Acordam os componentes do(a) 3ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

Participaram do julgamento os(as) Excelentíssimos(as) Senhores(as) Desembargadores(as): AGRIMAR RODRIGUES DE ARAUJO, FERNANDO LOPES E SILVA NETO e RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS.

Acompanhou a sessão, o(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Procurador(a) de Justiça, MARTHA CELINA DE OLIVEIRA NUNES.

 

SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, em Teresina, 7 de abril de 2026.



RELATÓRIO

 


O SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (Relator):

Cuida-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS para reformar a sentença exarada na Ação Previdenciária (Processo nº 0820216-70.2022.8.18.0140, 9ª Vara Cível da Comarca de Teresina/PI), ajuizada por ADALTO ARAUJO DA SILVA, ora apelado.

Ingressou a parte autora com a ação originária, alegando, em síntese, que sofreu acidente de trabalho em 22/07/2010, enquanto mantinha vínculo empregatício com a BR SERVIÇOS DE MOVEIS LTDA, o que resultou em amputação traumática da falange do polegar (CID-10 S68), o que lhe reduziu sua capacidade laborativa.

INSS apresentou contestação, requerendo a total improcedência da demanda.

Por sentença (ID 26044423 - Pág. 1/7), o d. Magistrado a quo, julgou: “PROCEDENTES os pedidos da exordial para determinar que o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS conceda o benefício previdenciário de AUXÍLIO-ACIDENTE em favor da parte autora ADALTO ARAÚJO DA SILVA, devendo ser considerado como período não prescrito o quinquênio anterior ao ajuizamento da ação, ou seja, a partir de 20 de maio de 2017, devendo incidir juros de mora desde a citação e correção monetária desde quando cada parcela do benefício for devida, utilizando-se os percentuais de juros e índices de correção para os débitos previdenciários constantes do Manual de Cálculos da Justiça Federal. Os valores compreendidos entre o termo inicial do benefício, e a véspera da data desta sentença, deverão ser pagos por RPV/Precatório, na forma da lei. Ante a decisão proferida pelo STF no RE 870.974 (tema 810), a atualização do débito judicial a partir de junho de 2009 se dá pelo IPCA-E, registrando-se que os embargos de declaração movidos pelo INSS no aludido extraordinário no intuito de ver modulados os efeitos da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade da Taxa Referencial (TR) foram REJEITADOS pelo STF, já restando o julgamento totalmente concluído. Em face da sucumbência, condeno o INSS ao pagamento das despesas com a perícia, além de honorários sucumbenciais ao patrono da parte autora, estes fixados em 10% (dez por cento) do valor total da condenação. Havendo isenção legal, o INSS é isento de custas.”

Inconformada, a parte ré interpôs Recurso de Apelação, requerendo a reforma da sentença para determinar que o pagamento dos honorários advocatícios ocorra nos termos da Súmula n.º 111 do Superior Tribunal de Justiça.

Intimada, a parte ré não apresentou contrarrazões.

É o relatório.


VOTO

 


O SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (Votando):

Estando presentes todos os requisitos de admissibilidade, conheço da Apelação e passo à análise do mérito.

Conforme relatado, cinge-se o inconformismo da parte ré quanto à não aplicabilidade da súmula 111, do STJ, na condenação imposta à autarquia ao pagamento dos honorários advocatícios.

Com efeito, quanto à condenação da autarquia ao pagamento de honorários advocatícios em ações previdenciárias, o Colendo Superior Tribunal de Justiça proferiu seu entendimento, por meio da Súmula 111. Veja-se:

Súmula n. 111/STJ. Os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença.

Assim, entende-se pela aplicabilidade da súmula 111, do col. STJ, limitando-se, portanto, a base de cálculo da verba honorária às parcelas vencidas até a publicação da sentença.

DISPOSITIVO

Ante o exposto, conheço do recurso interposto e VOTO pelo PROVIMENTO, reformando a sentença a quo somente para reconhecer expressamente a incidência da Súmula 111 do col. STJ no caso concreto.

É o voto.


Teresina, data registrada no sistema.


Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS

Relator

 


Detalhes

Processo

0820216-70.2022.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS

Órgão Julgador Colegiado

3ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Incapacidade Laborativa Permanente

Autor

INSS - Instituto Nacional de Previdência Social

Réu

ADALTO ARAUJO DA SILVA

Publicação

20/04/2026