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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 3ª Câmara Especializada Cível |
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APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0800804-43.2024.8.18.0057 EMENTA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AUXÍLIO-ACIDENTE. ACIDENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DE REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORAL. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação interposta contra sentença que julgou improcedente o pedido de concessão de auxílio-acidente, ao fundamento de inexistir redução da capacidade laboral decorrente de acidente de trabalho, conforme apurado em prova pericial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em saber se, diante de sequela decorrente de acidente de trabalho, sem repercussão funcional comprovada, é devida a concessão do benefício de auxílio-acidente, à luz do art. 86 da Lei nº 8.213/1991. III. RAZÕES DE DECIDIR O auxílio-acidente exige, como pressuposto, a consolidação das lesões e a existência de sequela que implique redução da capacidade para o trabalho habitualmente exercido pelo segurado. Embora incontroversa a ocorrência do acidente de trabalho, o laudo pericial foi categórico ao afirmar que a lesão consolidada no punho esquerdo não acarreta limitação funcional nem repercussão na capacidade laboral, ainda que mínima. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite a concessão do auxílio-acidente mesmo em hipóteses de redução mínima da capacidade de trabalho; contudo, tal orientação pressupõe a efetiva existência de diminuição funcional, o que não se verificou no caso concreto, conforme prova técnica produzida. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso conhecido e improvido ACÓRDÃO Acordam os componentes do(a) 3ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os(as) Excelentíssimos(as) Senhores(as) Desembargadores(as): AGRIMAR RODRIGUES DE ARAUJO, FERNANDO LOPES E SILVA NETO e RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS. Acompanhou a sessão, o(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Procurador(a) de Justiça, MARTHA CELINA DE OLIVEIRA NUNES.
SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, em Teresina, 7 de abril de 2026.
RELATÓRIO
O SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (Relator): Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por RAILSON DE PAIVA BATISTA para reformar sentença proferida pelo Juízo da Vara Única da Comarca de Jaicós/PI nos autos da AÇÃO PREVIDENCIÁRIA, ajuizada contra INSS. Postula o autor na ação originária a concessão de benefício por incapacidade decorrente de acidente do trabalho. Na sentença vergastada (ID 25630150 - Pág. 1/2), o juízo julgou: “IMPROCEDENTES os pedidos da inicial.” Irresignada com a sentença, a parte autora interpôs recurso de Apelação, objetivando a reforma da sentença para julgar procedente os pedidos do autor sob o fundamento de que o recorrente sofreu grave acidente de trabalho, que resultou em gravíssima fratura do antebraço esquerdo ocasionando redução da sua capacidade laboral. O réu apresentou contrarrazões requerendo o improvimento deste apelo. É o relatório VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (Votando): Estando presentes todos os requisitos de admissibilidade, conheço da Apelação e passo à análise do mérito. Cinge-se a controvérsia recursal em verificar se a sentença que previu a improcedência da concessão de auxílio-acidente merece ser reformada, considerando as alegações do apelante de que ficou com sequelas decorrentes de acidente de trabalho que resultaram em redução da sua capacidade laboral, e que a jurisprudência do col. STJ é favorável à concessão do benefício mesmo em casos de sequelas mínimas. Para a devida análise da questão, faz-se necessário tecer algumas considerações sobre o auxílio-acidente, benefício previdenciário previsto no art. 86 da Lei nº 8.213, de 1991: Art. 86. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Da leitura do dispositivo legal, depreende-se que são requisitos para a concessão do auxílio-acidente: a condição de segurado; a ocorrência de acidente de qualquer natureza; a consolidação das lesões decorrentes do acidente; e a existência de sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente exercia. Não há controvérsia sobre a ocorrência do acidente de trabalho, senão na existência de sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que o apelante habitualmente exercia. Nesse ponto, o laudo pericial (ID 25630134 - Pág. 1/3) é claro ao afirmar que, embora exista uma lesão consolidada no punho esquerdo do apelante, esta não gera repercussão na sua capacidade laboral. Transcrevo trechos relevantes do laudo pericial: “(…) Considerando o exame médico pericial realizado, NÃO detectado limitação funcional no caso, apenas sequela residual em relação a deformidade sem comprometimento cognitivo, o que cursa com 10%. “ De fato, o col. STJ possui entendimento consolidado no sentido de que a redução da capacidade laboral, ainda que mínima, é suficiente para a concessão do auxílio-acidente. Ocorre que o laudo pericial é categórico ao afirmar que a lesão existente não gera qualquer repercussão na capacidade laboral do apelante, ainda que mínima, esvaziando a justificativa para a concessão do auxílio-acidente. Nesse sentido, a sentença proferida pelo Juízo de primeiro grau merece ser mantida, pois está em consonância com a prova dos autos e com a jurisprudência do col. STJ. DA DECISÃO ANTE O EXPOSTO, conheço e NEGO PROVIMENTO AO RECURSO interposto, mantendo a sentença recorrida em todos os seus termos. É o voto. Teresina, data registrada no sistema. Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS Relator |
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0800804-43.2024.8.18.0057
Órgão JulgadorDesembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS
Órgão Julgador Colegiado3ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalIncapacidade Laborativa Permanente
AutorRAILSON DE PAIVA BATISTA
RéuINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Publicação20/04/2026