Acórdão de 2º Grau

Tarifas 0761944-13.2025.8.18.0000


Ementa

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE DETERMINA EMENDA À INICIAL. ART. 1.015 DO CPC. ROL TAXATIVO MITIGADO. AUSÊNCIA DE URGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. DEMANDAS REPETITIVAS. NOTA TÉCNICA DO CENTRO DE INTELIGÊNCIA. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo Interno interposto contra decisão monocrática que não conheceu de Agravo de Instrumento manejado contra decisão interlocutória que determinou a emenda da petição inicial, sob pena de extinção do feito, em demanda envolvendo contrato de empréstimo consignado. Sustenta a parte agravante o cabimento do agravo de instrumento e a nulidade da exigência de complementação da inicial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há três questões em discussão: (i) definir se é cabível agravo de instrumento contra decisão que determina a emenda ou complementação da petição inicial; (ii) estabelecer se a hipótese comporta mitigação da taxatividade do art. 1.015 do CPC; e (iii) verificar a possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. III. RAZÕES DE DECIDIR O art. 1.015 do CPC estabelece rol taxativo das hipóteses de cabimento do agravo de instrumento, não contemplando a decisão que determina a emenda da petição inicial. A Corte Especial do STJ, no julgamento dos REsp 1.696.396/MT e 1.704.520/MT, firmou a tese da taxatividade mitigada do art. 1.015 do CPC, admitindo o agravo de instrumento quando houver urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão em apelação. A Terceira Turma do STJ fixou entendimento de que a decisão que determina, sob pena de extinção, a emenda ou complementação da petição inicial não é recorrível por agravo de instrumento, devendo eventual irresignação ser suscitada em preliminar de apelação. Na hipótese, não se verifica situação de urgência apta a justificar a mitigação do rol do art. 1.015 do CPC, inexistindo risco de inutilidade do exame da matéria em sede de apelação. As Câmaras Cíveis do TJPI adotam entendimento no sentido do não cabimento de agravo de instrumento contra decisão que determina a emenda da inicial, por ausência de previsão legal. A exigência de complementação da petição inicial, especialmente em demandas massificadas envolvendo empréstimos consignados, encontra respaldo nas Notas Técnicas do Centro de Inteligência da Justiça Estadual do Piauí, como instrumento de prevenção a demandas predatórias, sem violação aos princípios do acesso à justiça e da inafastabilidade da jurisdição. Configurado vício de cabimento, requisito intrínseco de admissibilidade recursal, impõe-se o não conhecimento do agravo de instrumento, nos termos do art. 932, III, do CPC. A reiteração de argumentos já afastados caracteriza o agravo interno como manifestamente improcedente, admitindo-se, em caso de votação unânime, a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido, com aplicação de multa de 1% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.021, §4º, do CPC, sem custas e honorários. Tese de julgamento: A decisão que determina a emenda ou complementação da petição inicial não é recorrível por agravo de instrumento, por não se enquadrar no rol do art. 1.015 do CPC. A mitigação da taxatividade do art. 1.015 do CPC exige demonstração de urgência decorrente da inutilidade do julgamento da matéria em apelação. A exigência de complementação da inicial, em contexto de demandas repetitivas, constitui medida legítima de controle do desenvolvimento regular do processo. É cabível a multa do art. 1.021, §4º, do CPC quando o agravo interno é manifestamente improcedente e rejeitado por unanimidade. Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.015, 1.021, §4º, e 932, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.696.396/MT; STJ, REsp 1.704.520/MT; STJ, REsp 1.987.884/MA, Rel. Min., T3, j. 21.06.2022, DJe 23.06.2022; TJPI, AI nº 0760573-19.2022.8.18.0000, Rel. Des. Oton Mário José Lustosa Torre, j. 10.03.2023; TJPI, AI nº 0761109-30.2022.8.18.0000, Rel. Des. Aderson Antonio Brito Nogueira, j. 19.12.2022. (TJPI - AGRAVO INTERNO CÍVEL 0761944-13.2025.8.18.0000 - Relator: JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 01/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

4ª Câmara Especializada Cível

AGRAVO INTERNO CÍVEL (1208) Nº 0761944-13.2025.8.18.0000
AGRAVANTE: MARIA DO SOCORRO DA ROCHA PAES LANDIM
Advogado(s) do reclamante: PEDRO RIBEIRO MENDES
AGRAVADO: BANCO BRADESCO S.A.
Advogado(s) do reclamado: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

 

 

EMENTA

 

 DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE DETERMINA EMENDA À INICIAL. ART. 1.015 DO CPC. ROL TAXATIVO MITIGADO. AUSÊNCIA DE URGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. DEMANDAS REPETITIVAS. NOTA TÉCNICA DO CENTRO DE INTELIGÊNCIA. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

  1. Agravo Interno interposto contra decisão monocrática que não conheceu de Agravo de Instrumento manejado contra decisão interlocutória que determinou a emenda da petição inicial, sob pena de extinção do feito, em demanda envolvendo contrato de empréstimo consignado. Sustenta a parte agravante o cabimento do agravo de instrumento e a nulidade da exigência de complementação da inicial.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

  1. Há três questões em discussão: (i) definir se é cabível agravo de instrumento contra decisão que determina a emenda ou complementação da petição inicial; (ii) estabelecer se a hipótese comporta mitigação da taxatividade do art. 1.015 do CPC; e (iii) verificar a possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.

III. RAZÕES DE DECIDIR

  1. O art. 1.015 do CPC estabelece rol taxativo das hipóteses de cabimento do agravo de instrumento, não contemplando a decisão que determina a emenda da petição inicial.

  2. A Corte Especial do STJ, no julgamento dos REsp 1.696.396/MT e 1.704.520/MT, firmou a tese da taxatividade mitigada do art. 1.015 do CPC, admitindo o agravo de instrumento quando houver urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão em apelação.

  3. A Terceira Turma do STJ fixou entendimento de que a decisão que determina, sob pena de extinção, a emenda ou complementação da petição inicial não é recorrível por agravo de instrumento, devendo eventual irresignação ser suscitada em preliminar de apelação.

  4. Na hipótese, não se verifica situação de urgência apta a justificar a mitigação do rol do art. 1.015 do CPC, inexistindo risco de inutilidade do exame da matéria em sede de apelação.

  5. As Câmaras Cíveis do TJPI adotam entendimento no sentido do não cabimento de agravo de instrumento contra decisão que determina a emenda da inicial, por ausência de previsão legal.

  6. A exigência de complementação da petição inicial, especialmente em demandas massificadas envolvendo empréstimos consignados, encontra respaldo nas Notas Técnicas do Centro de Inteligência da Justiça Estadual do Piauí, como instrumento de prevenção a demandas predatórias, sem violação aos princípios do acesso à justiça e da inafastabilidade da jurisdição.

  7. Configurado vício de cabimento, requisito intrínseco de admissibilidade recursal, impõe-se o não conhecimento do agravo de instrumento, nos termos do art. 932, III, do CPC.

  8. A reiteração de argumentos já afastados caracteriza o agravo interno como manifestamente improcedente, admitindo-se, em caso de votação unânime, a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

  1. Recurso desprovido, com aplicação de multa de 1% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.021, §4º, do CPC, sem custas e honorários.

Tese de julgamento:

  1. A decisão que determina a emenda ou complementação da petição inicial não é recorrível por agravo de instrumento, por não se enquadrar no rol do art. 1.015 do CPC.

  2. A mitigação da taxatividade do art. 1.015 do CPC exige demonstração de urgência decorrente da inutilidade do julgamento da matéria em apelação.

  3. A exigência de complementação da inicial, em contexto de demandas repetitivas, constitui medida legítima de controle do desenvolvimento regular do processo.

  4. É cabível a multa do art. 1.021, §4º, do CPC quando o agravo interno é manifestamente improcedente e rejeitado por unanimidade.

Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.015, 1.021, §4º, e 932, III.

Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.696.396/MT; STJ, REsp 1.704.520/MT; STJ, REsp 1.987.884/MA, Rel. Min., T3, j. 21.06.2022, DJe 23.06.2022; TJPI, AI nº 0760573-19.2022.8.18.0000, Rel. Des. Oton Mário José Lustosa Torre, j. 10.03.2023; TJPI, AI nº 0761109-30.2022.8.18.0000, Rel. Des. Aderson Antonio Brito Nogueira, j. 19.12.2022.

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 13/03/2026 a 20/03/2026, acordam os componentes do(a) 4ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

 

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

AGRAVO INTERNO CÍVEL (1208) -0761944-13.2025.8.18.0000
Origem: 
AGRAVANTE: MARIA DO SOCORRO DA ROCHA PAES LANDIM 
Advogado do(a) AGRAVANTE: PEDRO RIBEIRO MENDES - PI8303-A

AGRAVADO: BANCO BRADESCO S.A.
Advogado do(a) AGRAVADO: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO - PE23255-A

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

JuLIA Explica

                   Trata-se de Agravo Interno interposto por Maria do Socorro da Rocha Paes Landim contra decisão monocrática que negou seguimento ao Agravo de Instrumento, nos autos da AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANOS MORAIS E MATERIAIS, ajuizada em face do Banco Bradesco S.A, ora agravada.

                   Recebido por esta relatoria, o recurso foi julgado monocraticamente, nos termos do art. 932, III, do CPC, aplicando o art. 1.015, do CPC, negando seguimento ao recurso (ID.27776437).

                    Inconformado, em suas razões recursais, a parte agravante alega o reconhecimento da afronta à súmula 32 do TJPI e ao tema 1.198/STJ, afastando a exigência de reconhecimento de firma em procuração. Requer o consequente provimento do agravo de instrumento, com determinação de prosseguimento da ação sem a imposição de exigências ilegais (ID.28211008).

                   A parte agravada, devidamente intimada não se manifestou.

                   Participação do Ministério Público desnecessária diante da recomendação contida no art. 5º do Provimento Conjunto nº 163/2026 – PJPI/TJPI/SECRE. 

                   É o quanto basta relatar.

                   Inclua-se em pauta.

 

 

 

VOTO

 

Senhores julgadores, a controvérsia diz respeito sobre o cabimento do agravo de instrumento que pela literalidade do dispositivo do art. 1.015 do CPC, restringiu significativamente as hipóteses, eliminando a possibilidade de se impugnar por meio de específico recurso.

Firmada essa premissa, há de se registrar que a pretensão da recorrente esbarra na vedação do art. 1.015 do CPC, visto que, a decisão que determina a emenda à inicial não está inserida no rol daquelas que podem ser objeto de agravo de instrumento, conforme verifica-se a seguir:

“Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

I – tutelas provisórias;

II – mérito do processo;

III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem;

IV – incidente de desconsideração da personalidade jurídica;

V – rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;

VI – exibição ou posse de documento ou coisa;

VII – exclusão de litisconsorte;

VIII – rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;

IX – admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;

X – concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;

XI – redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º;

XII – (Vetado);

XIII – outros casos expressamente referidos em lei.

Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário”.

 

Outrossim, muito embora o Superior Tribunal de Justiça tenha fixado a tese de que é admissível a excepcional impugnação imediata de decisões interlocutórias não previstas nos incisos do art. 1.015 do Código de Processo Civil, mitigando a taxatividade das respectivas hipóteses de cabimento do agravo de instrumento, quando do julgamento do REsp 1704520/MT, sob a sistemática dos recursos repetitivos, o fato é que, na casuística, não se verifica a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação, erigida como pressuposto dessa mitigação.

Especificamente, no que tange à lide em comento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, considerou que a decisão que determina, sob pena de extinção do processo, a complementação da petição inicial não é recorrível por meio de agravo de instrumento.

Em conformidade com o entendimento firmado, o agravo de instrumento não possui efeito suspensivo por força de lei, motivo pelo qual facultar à parte a sua interposição, em hipóteses como a dos autos, não impediria que o processo fosse extinto em primeiro grau antes do julgamento do recurso pelo tribunal local.

Nesse cenário, pode acontecer a perda do objeto do recurso, o que tornaria inútil a sua interposição, além da criação de eventual conflito entre o acórdão proferido pela Corte local no julgamento do agravo e a sentença de extinção.

Neste sentido, é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO QUE DETERMINA A EMENDA OU COMPLEMENTAÇÃO DA PETIÇÃO INICIAL. NATUREZA JURÍDICA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NÃO CABIMENTO. 1. Recurso especial interposto em 19/1/2022 e concluso ao gabinete em 7/4/2022. 2. O propósito recursal consiste em dizer se é recorrível, de imediato e por meio de agravo de instrumento, a decisão que determina, sob pena de extinção do processo, a emenda ou a complementação da petição inicial. 3. A Corte Especial do STJ, por ocasião do julgamento dos recursos especiais nº 1.696.396/MT e 1.704.520/MT, submetidos ao rito dos repetitivos, fixou o entendimento de que o rol previsto no art. 1.015 do CPC/2015 seria de taxatividade mitigada, admitindo-se a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação. 4. O pronunciamento judicial que determina a emenda ou a complementação da petição inicial enquadre-se no conceito de decisão interlocutória. 5. Sob a égide do CPC/2015, a decisão que determina, sob pena de extinção do processo, a emenda ou a complementação da petição inicial não é recorrível por meio do recurso de agravo de instrumento, motivo pelo qual eventual impugnação deve ocorrer em preliminar de apelação, na forma do art. 331 do referido Diploma. 6. Recurso especial não provido”. (STJ – REsp: 1987884 MA 2022/0056424-2, Data de Julgamento: 21/06/2022, T3 – TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 23/06/2022).

 

Inclusive, esse é o entendimento que está sendo adotado pelas Câmaras Cíveis deste Egrégio Tribunal de Justiça, em decisões recentes, vejamos:

“DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMENDA À INICIAL. NÃO CABIMENTO. ART. 1.015 DO CPC. ROL TAXATIVO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (…) Observe-se que, a “decisão” agravada determinou ao agravante que emendasse a petição inicial para juntar procuração pública. Ausente, pois, qualquer cunho decisório na referida decisão, passível de ser atacado pelo recurso ora interposto. Trata-se, em verdade, de despacho proferido pelo d. Juízo nos autos de origem, não cabendo sua impugnação por agravo de instrumento, eis que não previsto no rol do art. 1.015 do CPC. Lembro, pois importante, que não há falar em preclusão da matéria, que poderá ser oportunamente questionada em sede de apelação. (…) Assim, diante da sistemática recursal imposta pelo Código de Processo Civil, impõe-se o não conhecimento do recurso, ante o seu não cabimento. Com estes fundamentos, NÃO CONHEÇO do instrumental, haja vista o seu não cabimento (art. 932, III, do CPC)”. (Agravo de Instrumento n°: 0760573-19.2022.8.18.0000, 4ª Câmara Especializada Cível (Composição Integral), Órgão Julgador: Desembargador OTON MÁRIO JOSÉ LUSTOSA TORRE; Julgamento: 10/03/2023).

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. (…) A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, considerou que a decisão que determina, sob pena de extinção do processo, a complementação da petição inicial não é recorrível por meio de Agravo de Instrumento. De acordo com o colegiado, para que uma decisão judicial seja recorrível por meio de Agravo de Instrumento, ela deve ter natureza de Decisão Interlocutória, constar do rol do artigo 1.015 do CPC ou caracterizar uma situação de urgência. (…) Com efeito, a decisão agravada que determina a complementação da inicial, sob pena de indeferimento, não é recorrível por meio do recurso de Agravo de Instrumento, motivo pelo qual eventual impugnação deve ocorrer em preliminar de apelação, na forma do art. 331 do CPC. Desta forma, NÃO CONHEÇO do presente recurso, por não se tratar de hipótese de seu cabimento (art. 1.015, do CPC), nos termos do art. 932, inciso III, do CPC”. (AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 0761109-30.2022.8.18.0000, 1ª Câmara Especializada Cível (Composição Integral), Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA, Julgamento:19/12/2022).

 

Como consequência lógica, conclui-se que as matérias que não estão arroladas no dispositivo de lei não são passíveis de preclusão, podendo ser objeto de posterior revisão pelo órgão colegiado, quando do julgamento de eventual recurso de apelação.

Logo, constato vício em requisito intrínseco da admissibilidade recursal, qual seja, o cabimento, fato que, conforme o citado artigo 932, III do Código de Processo Civil, poderá o Relator, monocraticamente, não conhecer do recurso.

O Estado do Piauí tem enfrentado elevado índice de demandas genéricas com a temática de contratos de empréstimos consignados. Essa situação reflete a realidade do judiciário de todo o país, que cada vez mais tem seu tempo de serviço judicial consumido por demandas repetitivas, acarretando aumento na morosidade.

Em Nota Técnica, emitida pelo Centro de Inteligência da Justiça Estadual do Piauí (CIJEPI), preceitua-se que, diante de indícios concretos de demanda predatória, inclusive envolvendo empréstimos consignados, o juiz tem o poder/dever de agir com adoção de diligências cautelares visando dirigir o processo reprimindo abuso do direito, ato contrário à dignidade da Justiça e à boa-fé, além de assegurar o contraditório e ampla defesa do réu.

Assim, não há que se falar em ofensa aos princípios da inafastabilidade da jurisdição e do acesso à justiça, uma vez que o que se está verificando é a regularidade no ingresso da ação.

Dessa forma, a decisão agravada deve ser integralmente mantida. Cumpre destacar, ainda, que o presente agravo interno se revela manifestamente improcedente, porquanto não trouxe nenhum argumento idôneo capaz de infirmar a decisão monocrática, limitando-se a repetir fundamentos já analisados e afastados.

Nessas circunstâncias, em caso de votação unânime, impõe-se a aplicação do disposto no art. 1.021, §4º, do CPC, motivo pelo qual condeno a parte agravante ao pagamento de multa correspondente a 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, a ser revertida em favor da parte agravada.

Ante o exposto, nego provimento ao Agravo Interno, mantendo integralmente a decisão monocrática por seus próprios fundamentos, e condeno a parte agravante ao pagamento da multa de 1% (um por cento) prevista no art. 1.021, §4º, do CPC.

Sem custas e honorários.

 

 

 

 

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Relator

 

Teresina, 01/04/2026

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0761944-13.2025.8.18.0000

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Classe Judicial

AGRAVO INTERNO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Tarifas

Autor

MARIA DO SOCORRO DA ROCHA PAES LANDIM

Réu

BANCO BRADESCO S.A.

Publicação

01/04/2026