Acórdão de 2º Grau

Pagamento Indevido 0800398-52.2025.8.18.0068


Ementa

Ementa: DIREITO DO CONSUMIDOR E CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. COBRANÇA DE TARIFA DE SERVIÇOS. CESTA B. EXPRESSO. CONTRATAÇÃO COMPROVADA. COBRANÇA LÍCITA. DANO MORAL INEXISTENTE. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação cível interposta por consumidora contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de declaração de nulidade contratual, repetição de indébito e indenização por danos morais, fundados na alegação de cobrança indevida de tarifa bancária denominada “Cesta B. Expresso”, por ausência de contratação válida. A sentença reconheceu a regularidade da cobrança e a inexistência de dano, condenando a parte autora ao pagamento das custas e honorários, observada a gratuidade da justiça. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se houve contratação válida do pacote de serviços bancários que fundamenta a cobrança das tarifas contestadas; (ii) determinar se a cobrança configura ato ilícito apto a ensejar repetição de indébito e indenização por danos morais. III. RAZÕES DE DECIDIR A relação entre as partes está submetida ao Código de Defesa do Consumidor, sendo admitida a inversão do ônus da prova quando demonstrada a hipossuficiência da parte autora, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC e da Súmula 26 do TJPI. As instituições financeiras somente podem cobrar tarifas bancárias quando houver contratação expressa e prévia autorização do consumidor, conforme determina a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central e a Súmula 35 do TJPI. Restou comprovada nos autos a contratação do serviço por meio do “Termo de Adesão a Produtos e Serviços”, com anuência expressa da apelante, atendendo aos requisitos do art. 104 do Código Civil quanto à validade do negócio jurídico. A existência de contrato válido afasta a ilicitude da cobrança, não sendo identificada conduta abusiva ou falha na prestação do serviço por parte da instituição financeira. Inexistindo prova de cobrança indevida ou de dano extrapatrimonial, não há que se falar em repetição de indébito ou em indenização por danos morais. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A validade da cobrança de tarifa bancária está condicionada à comprovação de contratação expressa, em conformidade com a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central e o art. 104 do Código Civil. Comprovada a contratação válida do pacote de serviços, não se configura ato ilícito passível de repetição de indébito nem de indenização por danos morais. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XXXII; CDC, arts. 6º, VIII; 42, parágrafo único; 54, § 4º; CPC, arts. 99, §§ 3º e 4º; 373, I; 1.010, II e III; 1.012 e 1.013; CC, art. 104; Resolução Bacen nº 3.919/2010, arts. 1º e 8º. Jurisprudência relevante citada: TJPI, Súmula 26; TJPI, Súmula 35; TJPI, Apelação Cível nº 0804005-39.2024.8.18.0026, Rel. Des. Antônio Lopes de Oliveira, j. 01.09.2025; TJPI, Apelação Cível nº 0803830-53.2024.8.18.0088, Rel. Des. Olímpio José Passos Galvão, j. 20.08.2025. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800398-52.2025.8.18.0068 - Relator: HILO DE ALMEIDA SOUSA - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 17/03/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

1ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0800398-52.2025.8.18.0068
APELANTE: LINA MARIA DE AZEVEDO
Advogado(s) do reclamante: LAURA MARIA SANTOS CAVALCANTE, GIZELLE GOMES CARVALHO
APELADO: BANCO BRADESCO S.A.
Advogado(s) do reclamado: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR
RELATOR(A): Desembargador HILO DE ALMEIDA SOUSA

 

 

EMENTA

 

DIREITO DO CONSUMIDOR E CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. COBRANÇA DE TARIFA DE SERVIÇOS. CESTA B. EXPRESSO. CONTRATAÇÃO COMPROVADA. COBRANÇA LÍCITA. DANO MORAL INEXISTENTE. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

  1. Apelação cível interposta por consumidora contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de declaração de nulidade contratual, repetição de indébito e indenização por danos morais, fundados na alegação de cobrança indevida de tarifa bancária denominada “Cesta B. Expresso”, por ausência de contratação válida. A sentença reconheceu a regularidade da cobrança e a inexistência de dano, condenando a parte autora ao pagamento das custas e honorários, observada a gratuidade da justiça.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

  1. Há duas questões em discussão: (i) definir se houve contratação válida do pacote de serviços bancários que fundamenta a cobrança das tarifas contestadas; (ii) determinar se a cobrança configura ato ilícito apto a ensejar repetição de indébito e indenização por danos morais.

III. RAZÕES DE DECIDIR

  1. A relação entre as partes está submetida ao Código de Defesa do Consumidor, sendo admitida a inversão do ônus da prova quando demonstrada a hipossuficiência da parte autora, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC e da Súmula 26 do TJPI.

  2. As instituições financeiras somente podem cobrar tarifas bancárias quando houver contratação expressa e prévia autorização do consumidor, conforme determina a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central e a Súmula 35 do TJPI.

  3. Restou comprovada nos autos a contratação do serviço por meio do “Termo de Adesão a Produtos e Serviços”, com anuência expressa da apelante, atendendo aos requisitos do art. 104 do Código Civil quanto à validade do negócio jurídico.

  4. A existência de contrato válido afasta a ilicitude da cobrança, não sendo identificada conduta abusiva ou falha na prestação do serviço por parte da instituição financeira.

  5. Inexistindo prova de cobrança indevida ou de dano extrapatrimonial, não há que se falar em repetição de indébito ou em indenização por danos morais.

IV. DISPOSITIVO E TESE

  1. Recurso desprovido.

Tese de julgamento:

  1. A validade da cobrança de tarifa bancária está condicionada à comprovação de contratação expressa, em conformidade com a Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central e o art. 104 do Código Civil.

  2. Comprovada a contratação válida do pacote de serviços, não se configura ato ilícito passível de repetição de indébito nem de indenização por danos morais.



Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XXXII; CDC, arts. 6º, VIII; 42, parágrafo único; 54, § 4º; CPC, arts. 99, §§ 3º e 4º; 373, I; 1.010, II e III; 1.012 e 1.013; CC, art. 104; Resolução Bacen nº 3.919/2010, arts. 1º e 8º.
Jurisprudência relevante citada: TJPI, Súmula 26; TJPI, Súmula 35; TJPI, Apelação Cível nº 0804005-39.2024.8.18.0026, Rel. Des. Antônio Lopes de Oliveira, j. 01.09.2025; TJPI, Apelação Cível nº 0803830-53.2024.8.18.0088, Rel. Des. Olímpio José Passos Galvão, j. 20.08.2025.



ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos em que são partes as acima indicadas,  acordam os componentes do(a) 1ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, nos termos do voto do(a) Relator(a): "CONHEÇO do recurso e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo íntegra a sentença recorrida. Por fim, em observância ao disposto no art. 85, §11 do CPC, majoro os honorários já fixados para 15% (quinze por cento), cuja exigibilidade fica suspensa em razão de ser beneficiário da justiça gratuita, na forma do art. 98, § 3º, do mesmo Diploma Legal."


RELATÓRIO

 

Trata-se de recurso de apelação cível interposto por LINA MARIA DE AZEVEDO, contra sentença proferida pelo Juízo da Vara Única da Comarca de Porto/PI, nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, em face de BANCO BRADESCO S.A., ora recorrido.

No ID 80457326 consta a decisão recorrida. No ato, o Magistrado a quo julgou improcedentes os pedidos formulados na inicial, afastando a existência de cobrança indevida, dano moral e material, e condenando a parte autora ao pagamento das custas e honorários advocatícios, observada a gratuidade judiciária.

Em suas razões recursais, a parte apelante alega, em síntese, que as tarifas bancárias denominadas “CESTA B. EXPRESSO” foram cobradas indevidamente, uma vez que não houve contratação válida ou autorização para os descontos; sustenta ainda que a cobrança feriu direitos do consumidor, pleiteando a repetição em dobro dos valores pagos e indenização por danos morais.

Nas contrarrazões, a parte apelada alega, preliminarmente, que o recurso é inadmissível por ausência de dialeticidade, pois apenas repete os argumentos da petição inicial, sem impugnar especificamente os fundamentos da sentença. No mérito, aduziu que houve regular contratação da cesta de serviços, com expressa anuência da autora; que os serviços foram disponibilizados regularmente, e que não há nos autos prova de falha na prestação do serviço ou de dano moral ou material a ser indenizado. Requereu o não provimento do apelo e a condenação da apelante ao pagamento de honorários recursais.

Foi proferido juízo de admissibilidade recursal, com o recebimento do apelo em ambos efeitos, nos termos do artigo 1.012, caput, e 1.013 do Código de Processo Civil.

Autos não encaminhados ao Ministério Público Superior, por não se tratar de hipótese que justifique sua intervenção, nos termos do Provimento Conjunto Nº 163/2026 - PJPI/TJPI/SECPRE.

É o relatório.

Encaminhem-se os presentes autos à 1ª Câmara Especializada Cível deste TJPI, para a sua inclusão em pauta de julgamento, nos termos do art. 934, do CPC.

Cumpra-se, imediatamente.

 

VOTO DO RELATOR

 

VOTO

I. DO CONHECIMENTO  

Conheço do recurso de Apelação Cível, haja vista preencher os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade.


II. DA FUNDAMENTAÇÃO


a) PRELIMINARMENTE

A preliminar da ausência de comprovação da hipossuficiência financeira não merece prosperar.

Com efeito, o patrocínio da causa por advogado particular não é motivo para embasar o indeferimento do pedido de gratuidade processual, conforme estabelece o art. 99, § 4º, do NCPC, que cito:

§ 4o A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça.


Outrossim, compete à parte que impugna o benefício da justiça gratuita trazer prova de que o beneficiário detém condições financeiras para suportar as despesas processuais, o que não foi feito.

A mera alegação da impossibilidade da concessão da gratuidade da justiça, sem haver meios pra sua comprovação, não afeta a presunção de veracidade estabelecida pelo § 3º, do art. 99, do CPC.

Desse modo, rejeito a preliminar.

Igualmente, não prospera a alegação de inobservância ao princípio da dialeticidade.

Nesse contexto, à luz do disposto no art. 1.010, incisos II e III, do Código de Processo Civil, verifica-se que a apelação deve ser devidamente fundamentada, com a exposição clara dos fatos e dos fundamentos jurídicos que embasam a insurgência, bem como com a formulação do pedido de reforma ou invalidação da decisão recorrida.

No caso concreto, verifica-se que a parte apelante apresentou razões minimamente suficientes, apontando fundamentos jurídicos e fatos que entende relevantes à reforma da sentença, ainda que esses não venham a ser acolhidos no mérito.

O princípio da dialeticidade exige apenas que o recurso impugne especificamente os fundamentos da decisão recorrida, o que se observa no caso em análise. A eventual fragilidade ou improcedência dos argumentos recursais não se confunde com ausência de dialeticidade, pois essa se refere à existência de argumentação, e não à sua eficácia.

Dessa forma, estando presentes os elementos formais do recurso e demonstrada a impugnação específica à sentença, afasta-se a preliminar suscitada.

Saneado o feito, passo ao mérito.

 

b) MÉRITO

O cerne do presente recurso gravita em torno da análise fática da existência de previsão contratual e da efetiva autorização, por parte da apelante, de descontos em sua conta bancária a título de tarifas bancárias.

De início, reconhece-se a presença da típica relação de consumo entre as partes, em consonância ao Enunciado da Súmula 297 do STJ: “O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras”.

Outrossim, verifica-se a necessidade de inversão do ônus da prova, nos moldes do art. 6º, VIII, do CDC, em decorrência da condição de hipossuficiência da parte apelante.

Nesse contexto, colaciono o entendimento jurisprudencial sumulado no âmbito deste Eg. Tribunal de Justiça, acerca da aplicação da inversão do ônus da prova nas ações desta espécie, in verbis:

 

“SÚMULA 26 – Nas causas que envolvem contratos bancários, pode ser aplicada a inversão do ônus da prova em favor do consumidor (CDC, art. 6º, VIII) desde que comprovada sua hipossuficiência em relação à instituição financeira, e desde que solicitado pelo autor na ação.”

 

Aliado a tal entendimento e nos termos da Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central, as tarifas bancárias devem estar previstas no contrato firmado ou terem sido previamente solicitadas ou autorizadas pelo cliente:

“Art. 1º A cobrança de remuneração pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, conceituada como tarifa para fins desta resolução, deve estar prevista no contrato firmado entre a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou pelo usuário. (…) Art. 8º A contratação de pacotes de serviços deve ser realizada mediante contrato específico.”

 

Quanto a isto, a Súmula 35 deste Egrégio Tribunal de Justiça esclarece em quais situações pode-se considerar nula a cobrança de tarifas bancárias:

SÚMULA 35 - O Tribunal Pleno, à unanimidade, aprovou a proposta sumular apresentada, com o seguinte teor: “É vedada à instituição financeira a cobrança de tarifas de manutenção de conta e de serviços sem a prévia contratação e/ou autorização pelo consumidor, nos termos do art. 54, parágrafo 4º, do CDC. A reiteração de descontos de valores a título de tarifas bancárias não configura engano justificável. Presentes tais requisitos (má-fé e inexistência de engano justificável), a indenização por danos materiais deve ocorrer na forma do art. 42 (devolução em dobro), parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor, ao passo que o valor dos danos morais será arbitrado a depender da magnitude do dano aferida pelo órgão julgador, nos termos do art. 54-D, parágrafo único, do CDC”.

 

Diante disso, para ser lícita a cobrança de tarifas bancárias provenientes do contrato do pacote remunerado de serviço, exige-se que o consumidor seja previamente e efetivamente informado de tal cobrança pela instituição financeira.

Compulsando os autos, verifico que a parte apelante anuiu expressamente a cobrança da “TERMO DE ADESÃO A PRODUTOS E SERVIÇOS”, conforme opção à Cestas de Serviços (ID 28154435).

Dessa forma, o Banco apelado agiu no estrito cumprimento de dever legal, ante a autorização por parte da consumidora da cobrança das tarifas ora contestadas.

Consoante cediço, contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial; sendo um negócio jurídico, requer, para sua validade, a observância dos requisitos legais exigidos no art. 104 do Código Civil, senão vejamos:

 

"Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz;

II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III - forma prescrita ou não defesa em lei"

 

   Desse modo, trazendo estes preceitos para o caso concreto, observo que os três requisitos foram cumpridos, não vendo nenhum motivo que possa ser apontado capaz de anular o negócio jurídico.

Assim, tenho que a parte apelante é absolutamente capaz e deve arcar com o ônus de sua contratação. O argumento de não ter celebrado o negócio jurídico não é capaz de anular o contrato, uma vez que as provas carreadas aos autos demonstram a realização e a legalidade da adesão ao serviço prestado pelo banco, e das consequentes cobranças dele advindos.

Esse é o entendimento predominante nesta Corte de Justiça:

EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. TARIFA DE SERVIÇOS (CESTA B EXPRESSO). CONTRATAÇÃO COMPROVADA POR TERMO DE ADESÃO ASSINADO. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E DANOS MORAIS. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA PELA ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. RECURSO DESPROVIDO.

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0804005-39.2024.8.18.0026 - Relator: ANTONIO LOPES DE OLIVEIRA - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 01/09/2025 )

Ementa: Direito do Consumidor. Apelação Cível. Tarifa bancária (pacote/cesta de serviços). Contratação comprovada. Validade do contrato. Ausência de cobrança indevida. Danos materiais e morais não configurados. Sentença mantida.

I. Caso em exame

  1. Trata-se de apelação interposta pela parte autora contra sentença que julgou improcedente a ação declarando a inexistência de cobranças indevidas e negando a condenação da instituição financeira à repetição de indébito e aos danos morais.

II. Questão em discussão

  1. Discute-se a validade do contrato de tarifa bancária (pacote/cesta de serviços), a comprovação da contratação e a possibilidade de cobrança dos valores relacionados, bem como eventual responsabilização por danos materiais e morais.

III. Razões de decidir

  1. A instituição financeira comprovou a contratação do serviço mediante a apresentação do instrumento contratual, que atende aos requisitos do art. 104 do Código Civil.
  2. Ausente prova por parte da autora de cobrança indevida, nos termos do art. 373, I, do CPC, não se configura responsabilidade do banco para repetição de indébito ou indenização por danos morais.

IV. Dispositivo e tese

5.Recurso conhecido e desprovido.

Tese de julgamento:

"1. A validade de tarifa bancária (pacote/cesta de serviços) está condicionada à comprovação de contratação expressa e à higidez do negócio jurídico."

"2. Não havendo prova de cobrança indevida, é improcedente o pedido de repetição de indébito e indenização por danos morais."

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0803830-53.2024.8.18.0088 - Relator: OLIMPIO JOSE PASSOS GALVAO - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 20/08/2025 )

 

Portanto, concluo que o contrato foi celebrado espontaneamente pelas partes, sem qualquer coação ou imposição, da forma prescrita em lei, por agentes capazes e que o banco conseguiu demonstrar o cumprimento de todo o pactuado.

Não resta mais o que se discutir.

 

III. DO DISPOSITIVO

Ante o exposto, CONHEÇO do recurso e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo íntegra a sentença recorrida.

Por fim, em observância ao disposto no art. 85, §11 do CPC, majoro os honorários já fixados para 15% (quinze por cento), cuja exigibilidade fica suspensa em razão de ser beneficiário da justiça gratuita, na forma do art. 98, § 3º, do mesmo Diploma Legal.     

É o voto.

DECISÃO

 Acordam os componentes do(a) 1ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, nos termos do voto do(a) Relator(a): "CONHEÇO do recurso e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo íntegra a sentença recorrida. Por fim, em observância ao disposto no art. 85, §11 do CPC, majoro os honorários já fixados para 15% (quinze por cento), cuja exigibilidade fica suspensa em razão de ser beneficiário da justiça gratuita, na forma do art. 98, § 3º, do mesmo Diploma Legal."

Participaram do julgamento os(as) Excelentíssimos(as) Senhores(as) Desembargadores(as): DIOCLECIO SOUSA DA SILVA, HILO DE ALMEIDA SOUSA e MARIO BASILIO DE MELO.

Acompanhou a sessão, o(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Procurador(a) de Justiça, ROSANGELA DE FATIMA LOUREIRO MENDES.

 

SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, em Teresina, 13 de março de 2026.


Teresina (PI), datado e assinado eletronicamente.

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0800398-52.2025.8.18.0068

Órgão Julgador

Desembargador HILO DE ALMEIDA SOUSA

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

HILO DE ALMEIDA SOUSA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Pagamento Indevido

Autor

LINA MARIA DE AZEVEDO

Réu

BANCO BRADESCO S.A.

Publicação

17/03/2026