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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 3ª Turma Recursal |
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RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) Nº 0802573-48.2025.8.18.0123
EMENTA
JUIZADOS ESPECIAIS. RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. SERVIÇO PÚBLICO ESSENCIAL. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. OSCILAÇÃO E PICO DE TENSÃO NA REDE. QUEIMA DE APARELHOS ELETROELETRÔNICOS. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DA CONCESSIONÁRIA. ART. 14 DO CDC E ART. 37, § 6º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRELIMINARES DE AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL E IMPUGNAÇÃO À JUSTIÇA GRATUITA REJEITADAS. NEXO CAUSAL COMPROVADO POR LAUDOS TÉCNICOS IDÔNEOS. DANO MATERIAL CONFIGURADO. DANO MORAL OCORRENTE PELA MÁ PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E DESCASO NO ATENDIMENTO. QUANTUM INDENIZATÓRIO MANTIDO. SENTENÇA RATIFICADA PELOS SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ARTIGO 46 DA LEI Nº 9.099/95. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 27/02/2026 a 06/03/2026, acordam os componentes do(a) 3ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, NEGAR PROVIMENTO.
2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal Relator
RELATÓRIO
Trata-se de RECURSO INOMINADO interposto por EQUATORIAL PIAUÍ DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. em face da sentença proferida pelo Juízo do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Parnaíba/PI, que julgou procedentes os pedidos formulados na exordial. Em síntese, o autor, TIAGO MACIEL SOUSA, ajuizou a presente demanda alegando ser consumidor dos serviços da requerida e que, nos dias 12/02/2025 e 22/03/2025, ocorreram severas instabilidades na rede elétrica, com picos de energia anormais em sua residência, situada no Bairro Reis Veloso, em Parnaíba/PI. Tais eventos resultaram na queima de três televisores de sua propriedade. O autor instruiu a inicial com laudos técnicos das empresas "Telesom Eletrônica" e "Audio Video", atestando que os danos nos aparelhos (placas fontes e painéis de LED) foram ocasionados por sobrecarga elétrica. Informou, ainda, que tentou a solução administrativa através do protocolo nº 8007794006, sem obter êxito. A sentença de primeiro grau reconheceu a falha na prestação do serviço e a responsabilidade objetiva da concessionária, condenando a recorrente ao pagamento de R$ 3.210,00 (três mil duzentos e dez reais) a título de danos materiais, valor correspondente aos orçamentos de menor valor para o conserto dos aparelhos, e ao pagamento de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a título de danos morais. Irresignada, a concessionária interpôs recurso inominado suscitando, preliminarmente, a ausência de interesse processual por falta de esgotamento da via administrativa e a impugnação à concessão dos benefícios da justiça gratuita ao autor. No mérito, alegou a inexistência de prova do nexo causal, sustentando que o autor não solicitou o ressarcimento administrativo conforme as normas da ANEEL e impugnando os laudos técnicos apresentados. Requer, por fim, a reforma integral da sentença ou redução do quantum indenizatório. Foram apresentadas contrarrazões pelo recorrido, pugnando pela manutenção da sentença sob o argumento de que a responsabilidade da empresa é objetiva e que o dano restou plenamente comprovado. É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo a análise do mérito. Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão: Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão. Diante do exposto, conheço do recurso, mas para negar-lhe provimento, mantendo-se a sentença a quo em todos os seus termos. Condeno a parte recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, os quais arbitro em 15% do valor da condenação. É o voto. Teresina/PI, datado e assinado eletronicamente.
2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal Relator
Teresina, 20/03/2026
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0802573-48.2025.8.18.0123
Órgão Julgador2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalAbatimento proporcional do preço
AutorTIAGO MACIEL SOUSA
RéuEQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
Publicação20/03/2026