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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 2ª Câmara Especializada Cível |
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AGRAVO INTERNO CÍVEL (1208) Nº 0006779-83.2008.8.18.0140
EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. VALOR DA CAUSA. PREPARO RECURSAL. ATO PROCESSUAL ATENTATÓRIO À BOA-FÉ. IMPOSIÇÃO DE MULTA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
III. RAZÕES DE DECIDIR
IV. DISPOSITIVO E TESE
Tese de julgamento:
Dispositivos relevantes citados: Lei Estadual nº 6.920/2016, art. 4º, II; CPC, arts. 80, II e VII, e 81. Jurisprudência relevante citada: Não há precedentes específicos citados no voto.
ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em Sessão do Plenário Virtual da 2ª Câmara Especializada Cível de 13/02/2026 a 25/02/2026 - Relator: Des. José Wilson, acordam os componentes do(a) 2ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, Teresina/PI. Desembargador José Wilson Ferreira de Araújo Júnior Relator RELATÓRIO Trata-se de Agravo Interno interposto por BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A., em face da decisão monocrática proferida nos autos da Ação de Execução de Título Extrajudicial n.º 0006779-83.2008.8.18.0140, proposta em desfavor da ASSOCIAÇÃO DE COSTUREIRAS DA ZONA SUL DE TERESINA, bem como de MARIA CRISTINA COELHO PEREIRA, AUGUSTA ALVES DA SILVA OLIVEIRA, MARIA HELENIZA SOARES ANTUNES e ISANETE DIAS DOS SANTOS. A decisão ora agravada reconheceu a prática de litigância de má-fé por parte da instituição financeira, sob o fundamento de que, ao atribuir valor inestimável à causa no ato da interposição da apelação, visou reduzir artificialmente os custos processuais, infringindo o dever de boa-fé processual. Com fundamento nos arts. 80, incisos II e VII, e 81 do Código de Processo Civil, aplicou-se multa de 5% sobre o valor atualizado da causa em desfavor do banco agravante. Em suas razões, o agravante sustenta:
Intimadas, as agravadas não apresentaram contrarrazões. É o relatório. Inclua-se em pauta, cf. CPC, art. 934.
VOTO De antemão, observo que o presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade (extrínsecos e intrínsecos), notadamente o da tempestividade, razão pela qual conheço da irresignação. Todavia, no mérito, a insurgência não merece acolhimento. A decisão agravada identificou de forma precisa que o Banco do Nordeste do Brasil S.A., na condição de apelante, atribuiu valor inestimável à causa com o claro propósito de reduzir artificialmente o valor do preparo, em detrimento da legislação processual vigente. Consoante dispõe o artigo 4º, inciso II, da Lei Estadual n.º 6.920/2016, as custas relativas ao preparo recursal devem ser calculadas sobre o valor efetivamente fixado na execução, desde que líquido e certo, como é o caso dos autos. Tal diretriz encontra reforço no Provimento n.º 02/2018 da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Piauí. Com efeito, a má-fé deve ser combatida, especialmente quando se consubstancia em reiterada tentativa de induzir o Judiciário a erro. No presente feito, a conduta da instituição bancária repete prática anteriormente reprovada pela mesma relatoria, inclusive com citação expressa de casos semelhantes em que a mesma técnica de atribuição de valor inestimável foi empregada para fins de preparo. A reiteração, portanto, afasta a boa-fé objetiva e autoriza a aplicação das penalidades previstas no art. 80, II e VII, e art. 81 do CPC. A sanção imposta de 5% sobre o valor da causa revela-se proporcional diante da gravidade do comportamento, da reiteração dolosa e da tentativa de burlar o sistema processual. De modo que não assiste razão ao agravante ao sustentar ausência de dolo, tampouco se justifica, no caso concreto, a pretendida redução da multa ao mínimo legal, pois o desvalor da conduta é acentuado. Ante ao exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao agravo interno interposto por BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A. É como voto.
Teresina, 27/02/2026
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0006779-83.2008.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador JOSÉ WILSON FERREIRA DE ARAÚJO JÚNIOR
Órgão Julgador Colegiado2ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)JOSE WILSON FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalCrédito Rural
AutorBANCO DO NORDESTE DO BRASIL SA
RéuASSOCIACAO DE COSTUREIRAS DA ZONA SUL DE TERESINA
Publicação27/02/2026