Acórdão de 2º Grau

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes 0804024-06.2024.8.18.0039


Ementa

Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CONSUMERISTA. INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL POR AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE ENDEREÇO ATUALIZADO. PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO PROCESSUAL. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM SEDE RECURSAL. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação cível interposta contra sentença que indeferiu a petição inicial e extinguiu o processo sem resolução de mérito, diante do não atendimento, pela parte autora, de determinação judicial para emendar a inicial com a juntada de comprovante de endereço atualizado em nome próprio ou com demonstração de vínculo com o titular do documento. A decisão de primeiro grau baseou-se na necessidade de delimitação da competência territorial, considerando-se a aplicação do Código de Defesa do Consumidor à demanda. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se é legítima a exigência judicial de juntada de comprovante de endereço atualizado como requisito para processamento da ação em demandas consumeristas; (ii) estabelecer se é cabível a fixação de honorários advocatícios pela instância recursal, mesmo em hipótese de indeferimento da inicial, quando apresentada contrarrazão pela parte recorrida. III. RAZÕES DE DECIDIR A exigência de juntada de comprovante de endereço atualizado, quando o autor é consumidor, fundamenta-se no poder geral de cautela do magistrado, permitindo verificar a competência territorial da ação, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça. A competência territorial, em demandas consumeristas, pode ser fixada no foro do domicílio do consumidor, no do réu, no local de cumprimento da obrigação ou no foro de eleição contratual, sendo inadmissível a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível, o que reforça a necessidade da documentação exigida. A ausência de cumprimento da determinação judicial para emenda à inicial, no prazo assinado, configura descumprimento do dever de cooperação processual (CPC, art. 6º), legitimando o indeferimento da petição inicial e a extinção do processo com fulcro no art. 485, I, do CPC. O reconhecimento da angularização da relação processual a partir da apresentação de contrarrazões pelo réu justifica a fixação de honorários sucumbenciais pelo órgão ad quem, conforme jurisprudência do STJ, ainda que não tenha havido contestação em primeira instância. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A exigência de juntada de comprovante de endereço atualizado em demandas consumeristas é legítima e fundamenta-se no poder geral de cautela do magistrado, visando à verificação da competência territorial. O não cumprimento da determinação de emenda à inicial, sem justificativa, autoriza o indeferimento da petição inicial por violação ao dever de cooperação processual. A apresentação de contrarrazões recursais aperfeiçoa a relação processual e autoriza a fixação de honorários sucumbenciais pela instância recursal, ainda que não tenha havido contestação na origem. Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 6º, 485, I e IV; CDC, art. 101, I. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp nº 1.877.552/DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, j. 30.05.2022; STJ, AgInt no AREsp nº 967.020/MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, j. 02.08.2018; STJ, AgInt nos EDcl na DESIS na Rcl nº 38.643/GO, Rel. Min. Marco Buzzi, Segunda Seção, j. 08.03.2023; TJPI, ApCiv nº 0801371-07.2019.8.18.0039, Rel. Des. Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, j. 04.06.2021; TJPI, ApCiv nº 0801726-17.2019.8.18.0039, Rel. Des. Fernando Carvalho Mendes, j. 14.05.2021. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0804024-06.2024.8.18.0039 - Relator: AGRIMAR RODRIGUES DE ARAUJO - 3ª Câmara Especializada Cível - Data 04/03/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

3ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0804024-06.2024.8.18.0039
APELANTE: PATRICIA DA SILVA CARVALHO 
Advogado do(a) APELANTE: FRANCISCO INACIO ANDRADE FERREIRA - PI8053-A

APELADO: BRASIL CARD INSTITUICAO DE PAGAMENTOS LTDA
Advogado do(a) APELADO: NEYIR SILVA BAQUIAO - MG129504-A
RELATOR(A): Desembargador AGRIMAR RODRIGUES DE ARAÚJO

EMENTA

Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CONSUMERISTA. INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL POR AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE ENDEREÇO ATUALIZADO. PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO PROCESSUAL. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM SEDE RECURSAL. RECURSO DESPROVIDO.

 I. CASO EM EXAME

 Apelação cível interposta contra sentença que indeferiu a petição inicial e extinguiu o processo sem resolução de mérito, diante do não atendimento, pela parte autora, de determinação judicial para emendar a inicial com a juntada de comprovante de endereço atualizado em nome próprio ou com demonstração de vínculo com o titular do documento. A decisão de primeiro grau baseou-se na necessidade de delimitação da competência territorial, considerando-se a aplicação do Código de Defesa do Consumidor à demanda.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

Há duas questões em discussão: (i) definir se é legítima a exigência judicial de juntada de comprovante de endereço atualizado como requisito para processamento da ação em demandas consumeristas; (ii) estabelecer se é cabível a fixação de honorários advocatícios pela instância recursal, mesmo em hipótese de indeferimento da inicial, quando apresentada contrarrazão pela parte recorrida.

III. RAZÕES DE DECIDIR

A exigência de juntada de comprovante de endereço atualizado, quando o autor é consumidor, fundamenta-se no poder geral de cautela do magistrado, permitindo verificar a competência territorial da ação, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça.

A competência territorial, em demandas consumeristas, pode ser fixada no foro do domicílio do consumidor, no do réu, no local de cumprimento da obrigação ou no foro de eleição contratual, sendo inadmissível a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível, o que reforça a necessidade da documentação exigida.

A ausência de cumprimento da determinação judicial para emenda à inicial, no prazo assinado, configura descumprimento do dever de cooperação processual (CPC, art. 6º), legitimando o indeferimento da petição inicial e a extinção do processo com fulcro no art. 485, I, do CPC.

O reconhecimento da angularização da relação processual a partir da apresentação de contrarrazões pelo réu justifica a fixação de honorários sucumbenciais pelo órgão ad quem, conforme jurisprudência do STJ, ainda que não tenha havido contestação em primeira instância.

IV. DISPOSITIVO E TESE

Recurso desprovido.

Tese de julgamento:

A exigência de juntada de comprovante de endereço atualizado em demandas consumeristas é legítima e fundamenta-se no poder geral de cautela do magistrado, visando à verificação da competência territorial.

O não cumprimento da determinação de emenda à inicial, sem justificativa, autoriza o indeferimento da petição inicial por violação ao dever de cooperação processual.

A apresentação de contrarrazões recursais aperfeiçoa a relação processual e autoriza a fixação de honorários sucumbenciais pela instância recursal, ainda que não tenha havido contestação na origem.

Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 6º, 485, I e IV; CDC, art. 101, I.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp nº 1.877.552/DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, j. 30.05.2022; STJ, AgInt no AREsp nº 967.020/MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, j. 02.08.2018; STJ, AgInt nos EDcl na DESIS na Rcl nº 38.643/GO, Rel. Min. Marco Buzzi, Segunda Seção, j. 08.03.2023; TJPI, ApCiv nº 0801371-07.2019.8.18.0039, Rel. Des. Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, j. 04.06.2021; TJPI, ApCiv nº 0801726-17.2019.8.18.0039, Rel. Des. Fernando Carvalho Mendes, j. 14.05.2021.


ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 13/02/2026 a 25/02/2026, acordam os componentes do(a) 3ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.


Desembargador AGRIMAR RODRIGUES DE ARAÚJO

Relator


RELATÓRIO

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por PATRÍCIA DA SILVA CARVALHO contra sentença proferida pelo Juízo da 2ª Vara da Comarca de Barras que, nos autos da Ação de Inexistência de Débito c/c Tutela Antecipada c/c Danos Morais 0804024-06.2024.8.18.0039, proposta em face do BRASIL CARD INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO, extinguiu o feito sem resolução de mérito, tendo em vista o não cumprimento das diligências requisitadas.


O autor, então, interpôs o presente recurso (ID nº 30420235). Sustentou, nas razões recursais: i) a petição inicial foi devidamente instruída com os documentos exigidos pela legislação aplicável, estando apta a propositura da ação; ii) o despacho que determinou a emenda à inicial foi omisso e não indicou de forma precisa qual requisito não teria sido atendido; iii) o indeferimento da inicial sem oportunizar a regular emenda configura cerceamento de defesa e afronta ao artigo 93, IX da Constituição Federal, por ausência de fundamentação adequada; iv) a decisão não observou que a apelante é trabalhadora rural, hipossuficiente, fazendo jus à gratuidade da justiça; v) houve excesso de formalismo por parte do juízo a quo, contrariando princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.


Contrarrazões recursais ao ID nº 30420238.


Em razão da recomendação contida no Ofício Circular nº 174/2021 da Presidência deste e. TJPI, os autos não foram encaminhados ao Ministério Público Superior, porquanto ausente as hipóteses que justifiquem sua intervenção.

JuLIA Explica

 



VOTO

1. CONHECIMENTO DA APELAÇÃO CÍVEL

Ao analisar os pressupostos objetivos, verifica-se que o recurso é cabível, adequado e tempestivo. Além disso, não se verifica a existência de algum fato impeditivo de recurso, e não ocorreu nenhuma das hipóteses de extinção anômala da via recursal (deserção, desistência e renúncia).


Da mesma forma, não há como negar o atendimento dos pressupostos subjetivos, pois a parte Apelante é legítima e o interesse, decorrente da sucumbência, é indubitável.


Deste modo, conheço do presente recurso.


2. FUNDAMENTAÇÃO

Versa a controvérsia recursal, em síntese, sobre a possibilidade de determinação pelo Juízo de 1º grau no sentido de que o autor emendasse a inicial a fim de juntar comprovante de residência em nome próprio ou comprovante de vínculo existnete com o titular (Decisão ID nº 30420231).


O descumprimento da aludida diligência resultou no indeferimento da petição inicial, conforme relatado anteriormente.


Isto posto, quanto à obrigação de juntar comprovante de endereço, em nome do autor ou terceiro vinculado a ele, atualizado, esta relatoria, após análise aprofundada da situação, amadureceu seu entendimento.


Por conseguinte, passando a ter convicção da necessidade de apresentação do referido documento atualizado.


Isto porque, reconhecida a aplicação do CDC à presente demanda, faz-se necessária a comprovação da competência territorial para a tramitação da ação, uma vez que a competência territorial, nos casos em que o consumidor figura no polo ativo da demanda, é limitada ao foro do seu domicílio, no de domicílio do réu, no foro de eleição ou do local e cumprimento da obrigação, conforme recente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, in verbis:


AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CONSUMIDOR. POLO ATIVO. FORO COMPETENTE. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E ERRO MATERIAL NÃO VERIFICADOS.

1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).

2. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte.

3. O Superior Tribunal de Justiça entende que, em se tratando de relação consumerista, a competência é absoluta ou relativa, dependendo da posição processual ocupada pelo consumidor. Desse modo, se a autoria do feito pertence ao consumidor, cabe a ele ajuizar a demanda no foro do seu domicílio, no de domicílio do réu, no foro de eleição ou do local e cumprimento da obrigação.

4. Agravo interno não provido.

(AgInt no AREsp n. 1.877.552/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 2/6/2022).


AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO AGRAVANTE.

1. Admissível o agravo, apesar de não infirmar a totalidade da decisão embargada, pois a jurisprudência do STJ é assente no sentido de que a impugnação de capítulos autônomos da decisão recorrida apenas induz a preclusão das matérias não impugnadas.

2. "A competência territorial, em se tratando de relação consumerista, é absoluta. Se a autoria do feito pertence ao consumidor, cabe a ele ajuizar a demanda no local em que melhor possa deduzir sua defesa, escolhendo entre seu foro de domicílio, no de domicílio do réu, no do local de cumprimento da obrigação, ou no foro de eleição contratual, caso exista. Inadmissível, todavia, a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada. Precedentes". (AgRg no AREsp 391.555/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 14/4/2015, DJe 20/4/2015).

3. Agravo interno desprovido.

(AgInt no AREsp n. 967.020/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 2/8/2018, DJe de 20/8/2018).


Ainda mais, a referida exigência possui uma dupla finalidade, a primeira, como já mencionado, definir a competência territorial, e a segunda, no uso do poder geral de cautela do magistrado, para evitar demandas prejudiciais, tanto para as partes quanto para o Poder Judiciário, uma vez que resta claramente evidenciado, nas demandas referentes à matéria em análise, um abuso do direito de petição e uma falta de cuidados mínimos por parte dos advogados na análise prévia do direito.


Por consequência, torna-se importante considerar a crescente corrente jurisprudencial no sentido das decisões acima colacionadas, uma vez que, nestas causas bancárias, a advocacia predatória vem sendo observada em larga escala por todo o Brasil.


Conclui-se, portanto, que a manutenção da sentença objurgada é a medida que se impõe, visto que a parte autora não cumpriu com seu ônus de diligenciar para emendar a inicial, na forma determinada pelo Juízo a quo, em infringência ao princípio da cooperação processual (CPC, art. 6º).


Nesse sentido, os precedentes deste e. TJPI abaixo colacionados:


PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AFASTADA. INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL. COMPROVANTE DE ENDEREÇO DESATUALIZADO. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DA DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE EMENDA À INICIAL. SENTENÇA DE EXTINÇÃO DO PROCESSO MANTIDA.

1. Não há que se falar em nulidade da sentença por ausência de fundamentação se o Julgador enfrentou os argumentos das partes, ainda que de forma sucinta. Preliminar afastada.

2. A jurisprudência do e. STJ firmou entendimento no sentido de que o magistrado pode exigir das partes a apresentação de comprovante de endereço atualizado, com fundamento no poder geral de cautela que lhe é conferido na condução do processo, quando decorrido prazo razoável entre a data do comprovante de endereço e o ajuizamento da ação.

3. A parte autora não cumpriu a determinação judicial de apresentar nos autos, a tempo e modo próprios, o comprovante de endereço atualizado. 4. Apelação conhecida e desprovida.

(TJPI | Apelação Cível Nº 0801371-07.2019.8.18.0039 | Relator: Luiz Gonzaga Brandão De Carvalho | 2ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL | Data de Julgamento: 04/06/2021).


PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EXTINÇÃO DO PROCESSO COM FULCRO NO ART. 485, I, do CPC/2015. DESPCHO SANEADOR NÃO CUMPRIDO. INICIAL NÃO EMENDADA. INDEFERIMENTO DA INICIAL. RECURSO CONHECIDO E NEGADO PROVIMENTO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA VERGASTADA.

1. O recurso busca a declaração de nulidade de sentença em que o magistrado de primeiro grau indeferiu a petição inicial, extinguindo o processo, sem resolução de mérito, indeferindo a inicial com fulcro no art. 485, I e IV do CPC/2015.

2. O apelante sustenta que o despacho saneador restou omisso, visto que o magistrado não especificou qual requisito processual não foi preenchido. Contudo, da análise dos autos, verifico que, ao contrário do que afirma o apelante, o magistrado de primeiro grau (no despacho presente no id. 2513993) especificou o documento necessário ao ajuizamento da ação, qual seja: o comprovante de endereço atualizado do autor.

3. Fora oportunizada a emenda à inicial, mantendo-se inerte a parte autora, fato que enseja o indeferimento da inicial.

4. Destarte, a manutenção da sentença que indeferiu a petição inicial é medida impositiva, tendo em vista a imprescindibilidade do comprovante de endereço da parte para o processamento e julgamento da ação na comarca de origem.

5. Apelação conhecida e não provida.

(TJPI | Apelação Cível Nº 0801726-17.2019.8.18.0039 | Relator: Fernando Carvalho Mendes | 1ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL | Data de Julgamento: 14/05/2021).


Constato que, na sentença, não houve a fixação do percentual dos honorários sucumbenciais, até porque não havia sido formada a relação processual com a apresentação de contestação.


No entanto, a relação processual se aperfeiçoou com a apresentação de contrarrazões recursais pela instituição financeira demandada, razão pela qual deve-se fixar honorários advocatícios por este Juízo ad quem.


Nessa linha intelectiva, o recente julgado do Superior Tribunal de Justiça, in verbis:


AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO - REJEIÇÃO - INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO - CONTRARRAZÕES APRESENTADAS - ANGULARIZAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA - VERBA SUCUMBENCIAL - CABIMENTO - PRECEDENTES DA SEGUNDA SEÇÃO - INSURGÊNCIA DOS AGRAVANTES.

1. De acordo com a jurisprudência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, uma vez interposto recurso contra decisão que liminarmente indeferiu a petição inicial, não sendo o caso de reconsideração, o beneficiário que comparecer aos autos, apresentando contrarrazões, como na hipótese dos autos, faz jus ao recebimento de honorários advocatícios, pois com a apresentação da impugnação ao agravo interno manejado contra decisão que indeferiu liminarmente a reclamação, se aperfeiçoou a relação processual. Precedentes.

2. Agravo interno desprovido.

(AgInt nos EDcl na DESIS na Rcl n. 38.643/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 8/3/2023, DJe de 13/3/2023.)


Assim sendo, fixo os honorários de sucumbência em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, cuja exigibilidade fica suspensa por conta da gratuidade judiciária deferida nesta decisão.


3. DECISÃO

Com essas razões de decidir, conheço e NEGO PROVIMENTO a presente Apelação Cível.


Em razão da apresentação de contrarrazões recursais pelo banco réu, fixo os honorários em 10% do valor da causa, cuja exigibilidade fica suspensa em razão da gratuidade judiciária deferida.


Sessão do Plenário Virtual - 3ª Câmara Especializada Cível - 13/02/2026 a 25/02/2026, presidido(a) pelo(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Desembargador(a) LUCICLEIDE PEREIRA BELO.

 Participaram do julgamento os(as) Excelentíssimos(as) Senhores(as) Desembargadores(as): AGRIMAR RODRIGUES DE ARAUJO, LUCICLEIDE PEREIRA BELO e RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS.

 Acompanhou a sessão, o(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Procurador(a) de Justiça, MARTHA CELINA DE OLIVEIRA NUNES.

SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, em Teresina, data registrada no sistema.



Desembargador AGRIMAR RODRIGUES DE ARAÚJO

Relator


JuLIA Explica


Detalhes

Processo

0804024-06.2024.8.18.0039

Órgão Julgador

Desembargador AGRIMAR RODRIGUES DE ARAÚJO

Órgão Julgador Colegiado

3ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

AGRIMAR RODRIGUES DE ARAUJO

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes

Autor

PATRICIA DA SILVA CARVALHO

Réu

BRASIL CARD INSTITUICAO DE PAGAMENTOS LTDA

Publicação

04/03/2026