Acórdão de 2º Grau

Abono Pecuniário (Art. 78 Lei 8.112/1990) 0800129-04.2024.8.18.0050


Ementa

DIREITO ADMINISTRATIVO E TRABALHISTA. RECURSO INOMINADO. CONTRATAÇÃO SEM CONCURSO PÚBLICO. NULIDADE DO VÍNCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE LEI AUTORIZADORA PARA CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA. DIREITO AO FGTS. RECURSO IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME Recurso Inominado interposto em demanda envolvendo contratação de trabalhador pela Administração Pública sem prévia aprovação em concurso público. Em suas razões contesta o réu a sentença que reconheceu o direito do autor ao FGTS. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir os efeitos jurídicos da contratação sem concurso público quanto à validade do vínculo; (ii) estabelecer o direito ao recebimento do FGTS, diante da nulidade reconhecida. III. RAZÕES DE DECIDIR A contratação realizada sem concurso público é nula, não gerando vínculo jurídico válido com a Administração. A nulidade do vínculo não afasta o direito ao levantamento dos valores referentes ao FGTS, observada a prescrição quinquenal, a qual pode ser reconhecida de ofício. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso improvido. Tese de julgamento: 1. A contratação pela Administração Pública sem concurso público é nula, não gerando vínculo válido. 2. A nulidade do vínculo não impede o direito ao FGTS, submetido à prescrição quinquenal reconhecível de ofício. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800129-04.2024.8.18.0050 - Relator: KELSON CARVALHO LOPES DA SILVA - 2ª Turma Recursal - Data 07/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

2ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) Nº 0800129-04.2024.8.18.0050
RECORRENTE: MUNICIPIO DE MORRO DO CHAPEU DO PIAUI
Advogado(s) do reclamante: FRANCISCO LUCIE VIANA FILHO
RECORRIDO: FRANCISCO DE ASSIS DA SILVA CARVALHO
Advogado(s) do reclamado: ALISSON MOREIRA BATISTA, JUCELINO DE OLIVEIRA AQUINO
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

 

 

EMENTA

 

 

DIREITO ADMINISTRATIVO E TRABALHISTA. RECURSO INOMINADO. CONTRATAÇÃO SEM CONCURSO PÚBLICO. NULIDADE DO VÍNCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE LEI AUTORIZADORA PARA CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA. DIREITO AO FGTS. RECURSO IMPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

  1. Recurso Inominado interposto em demanda envolvendo contratação de trabalhador pela Administração Pública sem prévia aprovação em concurso público. Em suas razões contesta o réu a sentença que reconheceu o direito do autor ao FGTS.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

  1. Há duas questões em discussão: (i) definir os efeitos jurídicos da contratação sem concurso público quanto à validade do vínculo; (ii) estabelecer o direito ao recebimento do FGTS, diante da nulidade reconhecida.

III. RAZÕES DE DECIDIR

  1. A contratação realizada sem concurso público é nula, não gerando vínculo jurídico válido com a Administração.
  2. A nulidade do vínculo não afasta o direito ao levantamento dos valores referentes ao FGTS, observada a prescrição quinquenal, a qual pode ser reconhecida de ofício.

IV. DISPOSITIVO E TESE

  1. Recurso improvido.

Tese de julgamento: 1. A contratação pela Administração Pública sem concurso público é nula, não gerando vínculo válido. 2. A nulidade do vínculo não impede o direito ao FGTS, submetido à prescrição quinquenal reconhecível de ofício.

 

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 25/02/2026 a 04/03/2026, acordam os componentes do(a) 2ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, NEGAR PROVIMENTO.


2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

Cuida-se de Recurso Inominado em face de sentença que julgou procedente o pedido formulado pela parte demandante para condenar o réu ao pagamento da quantia correspondente aos depósitos do FGTS sobre a remuneração da parte promovente correspondente a todo o período do contrato, observada a prescrição quinquenal. (ID 63638795).

O requerido/recorrente interpôs Recurso Inominado alegando, em síntese, regularidade da contratação temporária, a ausência de danos ao erário e da constitucionalidade da contratação. (ID 65124753).

Contrarrazões apresentadas. (ID 69137976).

É o relatório sucinto.

 

 

VOTO

 

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, passo à análise do recurso

O cerne da discussão posta em recurso está em saber se a recorrida tem ou não direito ao FGTS, concedido em sentença.

 Primeiramente, destaco que após a Constituição do Brasil de 1988 é nula a contratação para a investidura em cargo ou emprego público sem prévia aprovação em concurso público. Tal contratação não gera efeitos trabalhistas, salvo o pagamento do saldo de salários dos dias efetivamente trabalhados, sob pena de enriquecimento sem causa do Poder Público.

Assim, no período reconhecido em sentença como contratação nula, não houve demonstração pelo réu de que a contratação preenchia os requisitos para a contratação temporária nos termos da Constituição Federal, então, entende-se que, no presente caso, existiu uma prestação de serviços para a Administração Pública sem a devida observância das regras constitucionais, o que demanda o reconhecimento de existência de contrato nulo entre as partes.

No entanto, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS é devido aos servidores temporários, nas hipóteses em que há declaração de nulidade do contrato firmado com a Administração Pública, consoante decidido pelo Plenário do STF, na análise do RE 596.478-RG, Rel. para o acórdão Min. Dias Toffoli, DJe de 1/3/2013. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 13 de novembro de 2014, no ARExt 709.212/DF, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o prazo prescricional aplicável às cobranças dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é o previsto no art. 7º, inciso XXIX, da Constituição da República, por se tratar de direito dos trabalhadores urbanos e rurais, expressamente arrolado no inciso III do referido dispositivo constitucional. Prevalecendo, também, o entendimento de ser aplicável ao FGTS o prazo de prescrição de cinco anos, a partir da lesão do direito (e não apenas o prazo prescricional bienal, a contar da extinção do contrato de trabalho), tendo em vista, inclusive, a necessidade de certeza e estabilidade nas relações jurídicas.

Assim, diante dos fatos apresentados e das provas trazidas aos autos, observa-se que a parte autora cumpriu com o seu ônus de demonstrar que laborou para o recorrente, e este não juntou comprovantes de depósito a que fazia jus a requerente, nem trouxe aos autos prova das suas alegações, descumprindo assim a regra da distribuição do ônus da prova nos termos do art. 9º da Lei 12.153/2009, bem como no art. 373, II do Código de Processo Civil.

Portanto, faz jus a autora aos depósitos não prescritos relativos ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.

Ante o exposto, voto para conhecer do recurso e negar-lhe provimento, mantendo a sentença por todos os seus fundamentos.

Sem ônus de sucumbência.

Teresina, datado e assinado eletronicamente.

 

 

 

 

 

2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

Relator

 

 

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0800129-04.2024.8.18.0050

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

2ª Turma Recursal

Relator(a)

KELSON CARVALHO LOPES DA SILVA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Abono Pecuniário (Art. 78 Lei 8.112/1990)

Autor

MUNICIPIO DE MORRO DO CHAPEU DO PIAUI

Réu

FRANCISCO DE ASSIS DA SILVA CARVALHO

Publicação

07/04/2026