Acórdão de 2º Grau

Defeito, nulidade ou anulação 0800205-09.2023.8.18.0100


Ementa

poder judiciário tribunal de justiça do estado do piauí GABINETE DO Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS PROCESSO Nº: 0800205-09.2023.8.18.0100CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198)ASSUNTO(S): [Defeito, nulidade ou anulação]APELANTE: JOSE DIAS VELOSOAPELADO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A EMENTA DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO NÃO COMPROVADO. HIPERVULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR IDOSO. DESCONTOS INDEVIDOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta por consumidora idosa contra sentença que julgou improcedente pedido de declaração de inexistência de contrato de empréstimo consignado e de indenização por danos morais. A parte autora alega nunca ter contratado o referido empréstimo, embora tenha sofrido descontos mensais em seu benefício previdenciário. O pedido recursal busca a condenação do banco apelado ao pagamento de compensação por danos morais. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se houve contratação válida de empréstimo consignado entre a autora e a instituição financeira; (ii) estabelecer se os descontos indevidos em benefício previdenciário ensejam a responsabilização civil objetiva do banco, com consequente dever de indenizar por danos morais. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Aplica-se ao caso o Código de Defesa do Consumidor, por se tratar de relação entre consumidor e instituição financeira, nos termos dos arts. 2º e 3º do CDC e da Súmula 297 do STJ. 4. A vulnerabilidade do consumidor, reforçada pela condição de idosa da autora, caracteriza hipervulnerabilidade, exigindo do fornecedor maior cautela quanto aos deveres de informação, lealdade e transparência. 5. Não houve comprovação por parte do banco da existência do contrato de empréstimo consignado, o que configura falha na prestação do serviço. 6. Nos termos do art. 14 do CDC e da Súmula 479 do STJ, a responsabilidade do fornecedor é objetiva, alcançando os danos decorrentes de fraudes praticadas por terceiros no âmbito da atividade bancária. 7. Os descontos indevidos no benefício previdenciário configuram lesão à integridade moral da consumidora idosa, afetando sua subsistência e dignidade, e ensejando dano moral in re ipsa, prescindindo de prova do prejuízo extrapatrimonial. 8. A jurisprudência do STJ reconhece o cabimento de indenização por danos morais na hipótese de descontos indevidos em conta bancária ou benefício previdenciário sem prova da contratação. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Recurso parcialmente provido. Tese de julgamento: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras, inclusive em contratos de empréstimo. A hipervulnerabilidade do consumidor idoso exige reforço dos deveres de informação e cautela por parte do fornecedor. A ausência de comprovação do contrato autoriza o reconhecimento de descontos indevidos e a responsabilidade objetiva da instituição financeira. O desconto indevido em benefício previdenciário configura dano moral in re ipsa, sendo devida a compensação mesmo sem prova do prejuízo concreto. Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 2º, 3º, 4º, I, 14 e 39, IV; CC, arts. 389, parágrafo único, 398 e 406; Súmulas 54, 297, 362 e 479 do STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 425.088/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, 4ª Turma, j. 10.12.2013, DJe 04.02.2014; STJ, REsp 1238935/RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 07.04.2011, DJe 28.04.2011. Teresina, data registrada no sistema. Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS Relator (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0800205-09.2023.8.18.0100 - Relator: RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS - 3ª Câmara Especializada Cível - Data 09/03/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

3ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 0800205-09.2023.8.18.0100
APELANTE: JOSE DIAS VELOSO
Advogado(s) do reclamante: MARCOS MATHEUS MIRANDA SILVA
APELADO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
Advogado(s) do reclamado: KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI
RELATOR(A): Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS

 

 

EMENTA

 

 


 

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO NÃO COMPROVADO. HIPERVULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR IDOSO. DESCONTOS INDEVIDOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

 1. Apelação cível interposta por consumidora idosa contra sentença que julgou improcedente pedido de declaração de inexistência de contrato de empréstimo consignado e de indenização por danos morais. A parte autora alega nunca ter contratado o referido empréstimo, embora tenha sofrido descontos mensais em seu benefício previdenciário. O pedido recursal busca a condenação do banco apelado ao pagamento de compensação por danos morais.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se houve contratação válida de empréstimo consignado entre a autora e a instituição financeira; (ii) estabelecer se os descontos indevidos em benefício previdenciário ensejam a responsabilização civil objetiva do banco, com consequente dever de indenizar por danos morais.

III. RAZÕES DE DECIDIR

 3. Aplica-se ao caso o Código de Defesa do Consumidor, por se tratar de relação entre consumidor e instituição financeira, nos termos dos arts. 2º e 3º do CDC e da Súmula 297 do STJ.

 4. A vulnerabilidade do consumidor, reforçada pela condição de idosa da autora, caracteriza hipervulnerabilidade, exigindo do fornecedor maior cautela quanto aos deveres de informação, lealdade e transparência.

 5. Não houve comprovação por parte do banco da existência do contrato de empréstimo consignado, o que configura falha na prestação do serviço.

6. Nos termos do art. 14 do CDC e da Súmula 479 do STJ, a responsabilidade do fornecedor é objetiva, alcançando os danos decorrentes de fraudes praticadas por terceiros no âmbito da atividade bancária.

7. Os descontos indevidos no benefício previdenciário configuram lesão à integridade moral da consumidora idosa, afetando sua subsistência e dignidade, e ensejando dano moral in re ipsa, prescindindo de prova do prejuízo extrapatrimonial.

8. A jurisprudência do STJ reconhece o cabimento de indenização por danos morais na hipótese de descontos indevidos em conta bancária ou benefício previdenciário sem prova da contratação.

IV. DISPOSITIVO E TESE

 9. Recurso parcialmente provido.

Tese de julgamento:

  1. Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras, inclusive em contratos de empréstimo.
  2. A hipervulnerabilidade do consumidor idoso exige reforço dos deveres de informação e cautela por parte do fornecedor.
  3. A ausência de comprovação do contrato autoriza o reconhecimento de descontos indevidos e a responsabilidade objetiva da instituição financeira.
  4. O desconto indevido em benefício previdenciário configura dano moral in re ipsa, sendo devida a compensação mesmo sem prova do prejuízo concreto.

Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 2º, 3º, 4º, I, 14 e 39, IV; CC, arts. 389, parágrafo único, 398 e 406; Súmulas 54, 297, 362 e 479 do STJ.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 425.088/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, 4ª Turma, j. 10.12.2013, DJe 04.02.2014; STJ, REsp 1238935/RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 07.04.2011, DJe 28.04.2011. 


 

 

 

ACÓRDÃO

 

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 06/02/2026 a 13/02/2026, acordam os componentes do(a) 3ª Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

 

 

 

 

RELATÓRIO

 

 


 

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (RELATOR): 

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por JOSÉ DIAS VELOSO em face de BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A, no bojo de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.

Na origem, o autor alegou ser pessoa idosa e sofrer descontos indevidos em seu benefício previdenciário, decorrentes de contrato de empréstimo consignado que afirma não ter celebrado com a instituição financeira ré.

O magistrado de primeiro grau, ao sentenciar o feito, julgou parcialmente procedentes os pedidos para declarar a inexistência do negócio jurídico e determinar a devolução em dobro dos valores indevidamente descontados.

Contudo, o juízo primevo indeferiu o pleito de indenização por danos morais, sob o fundamento de que não restou demonstrada a violação aos direitos da personalidade do autor, tratando-se de mero aborrecimento.

Irresignado, o apelante interpôs o presente recurso buscando a reforma parcial do julgado, sustentando que a ausência de condenação em danos morais ignora as finalidades punitiva e pedagógica da responsabilidade civil.

Argumenta o recorrente que os descontos incidiram sobre verba de natureza alimentar e requer a fixação da indenização em patamar razoável, sugerindo a importância de cinco mil reais em conformidade com precedentes deste Tribunal.

Intimado, o banco apelado apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção integral da sentença, asseverando a inexistência de prova do abalo moral e defendendo que o evento não ultrapassa a esfera do dissabor cotidiano.

Subsidiariamente, a instituição financeira requer que, em caso de eventual condenação, o valor seja arbitrado com moderação, em observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, evitando-se o enriquecimento sem causa.

É o relato do necessário.

 

 

 

 

 

VOTO

 

 

 

 

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS (RELATOR):

 

I. DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 

De início, conheço da apelação, em razão do integral cumprimento dos seus requisitos de admissibilidade. 

 

II. RAZÕES DO VOTO 

A priori, cumpre pôr em relevo que à situação em apreço aplica-se o Código de Defesa do Consumidor. Com efeito, os partícipes da relação processual têm suas situações amoldadas às definições jurídicas de consumidor e fornecedor, previstas, respectivamente, nos artigos 2º e 3º do CDC. Ressalte-se, neste passo, que a aplicação do CDC às instituições financeiras reflete-se na Súmula nº 297 do Superior Tribunal de Justiça.

Como consequência, incidem normas específicas, atributivas de matiz diferenciada às normas de direito comum. Com efeito, especificamente no ambiente contratual, derroga-se a ideia da existência de uma abstrata paridade de forças entre pactuantes que acreditadamente autodirigem suas vontades e passa-se a considerar as subjetividades dos contratantes, especificidades e desigualdades. Trata-se de disciplina especial que é toda sedimentada no reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor em face do fornecedor, e que encontra eco nos arts. 4º I, e 39, IV, ambos do CDC.

Sobre o caráter fundamental da vulnerabilidade, traz-se à colação o magistério de Ada Pellegrini Grinover, para quem:

 

A proteção do consumidor é um desafio da nossa era e representa, em todo o mundo, um dos temas atuais do Direito. [...] É com os olhos postos nessa vulnerabilidade do consumidor que se funda a nova disciplina jurídica. [...] Toda e qualquer legislação de proteção ao consumidor tem, portanto, a mesma ratio, vale dizer, reequilibrar a relação de consumo, seja reforçando, quando possível, a posição do consumidor, seja proibindo ou limitando certas práticas do mercado.

 

Registre-se que o desequilíbrio contratual ganha contornos verdadeiramente mercuriais nos contratos de crédito, eis que neles o desconhecimento por parte do consumidor, em oposição à expertise do fornecedor é ainda mais sensível, inclusive porquanto o consumidor apresenta-se premido pela necessidade momentânea que anseia satisfazer, sem, no entanto, ter elementos para medir a conveniência, a oportunidade e os desdobramentos do seu aceite, elementos que, muitas vezes lhe são sonegados.

Não se pode perder de vista que a vulnerabilidade, inerente ao regime jurídico consumerista, encontra-se potencializada nestes autos, eis que o consumidor apelante é pessoa idosa, enquadrando-se assim, no conceito doutrinário de hipervulnerabilidade, que segundo Cláudia Lima Marques:

 

seria a situação social fática e objetiva de agravamento da vulnerabilidade da pessoa física consumidora, por circunstâncias pessoais aparentes ou conhecidas do fornecedor, como sua idade reduzida (assim o caso da comida para bebês ou da publicidade para crianças) ou sua idade alentada (assim os cuidados especiais com os idosos, no Código em diálogo com o Estatuto do Idoso, e a publicidade de crédito para idosos) ou sua situação de doente.

 

Atento às particularidades pertinentes ao consumidor idoso, Bruno Miragem encarece dois aspectos fundamentais que revelam a presença de uma vulnerabilidade agravada:

 

(a) a diminuição ou perda de determinadas aptidões físicas ou intelectuais que o torna mais suscetível e débil em relação à atuação negocial dos fornecedores; (b) a necessidade e catividade em relação a determinados produtos ou serviços no mercado de consumo, que coloca numa relação de dependência em relação aos seus fornecedores.

 

Ainda de acordo com Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, nos contratos de concessão de empréstimo a consumidor idoso, “se reforçam os deveres de lealdade, informação e colaboração” notadamente em razão da necessidade de se considerar as condições do idoso “de adimplir o contrato sem o comprometimento de necessidades vitais, assim como a se evitar o consumo irresponsável de crédito e o superendividamento”.

Devidamente reconhecidas as premissas da incidência das normas de proteção do consumidor, da vulnerabilidade como fundamento de sua aplicação, da hipervulnerabilidade do consumidor idoso, impende observar que cabia ao banco apelado a demonstração de que, de fato, foi firmado entre as partes negócio jurídico revestido de regularidade. Entretanto, de tal ônus não se desincumbiu.

Com efeito, inexiste nos autos comprovação da existência de qualquer relação contratual entabulada com a requerente. A instituição financeira apelada não trouxe aos autos instrumento contratual apto a subsidiar suas alegações.

O banco, através de seu sistema de segurança e trâmites administrativos, tem ou deveria ter condições de demonstrar, de maneira inequívoca, a existência e regularidade da contratação que ensejou as transações apontadas na inicial, o que não restou comprovado.

Outrossim, não se demonstra razoável crer que o sistema de segurança do banco, com seus respetivos protocolos, seria infalível a ponto de impedir, com eficácia em 100% dos casos, qualquer ação de terceiros sem a contribuição consciente da requerente.

Desta feita, plenamente cabível a incidência da responsabilidade objetiva do fornecedor, conforme preconiza o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo.

Outrossim, a súmula 479 é clara ao demonstrar consolidação de entendimento nesse sentido: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”.

Consolidou-se, portanto, a aplicação da teoria do risco do empreendimento, em que o banco se responsabiliza por fatos fortuitos que fazem parte dos riscos inerentes a sua atividade empresarial.

Caracterizada a inexistência do contrato de empréstimo consignado, conclui-se que os descontos no benefício previdenciário da apelante foram realizados à míngua de lastro jurídico, impondo-lhe uma arbitrária redução, fato gerador de angústia e sofrimento, mormente por se tratar de aposentada que percebe parca remuneração, absolutamente não condizente, como é cediço, com o mínimo necessário para uma existência digna.

Acrescente-se que a impotência do parco valor do benefício previdenciário é exponencializada em relação aos idosos, notadamente em face do surgimento, com o avançar da idade, de novas necessidades atinentes a sua integridade física e psíquica.

Diante do exposto, resta inequívoco que os descontos perpetrados na remuneração da apelante caracterizaram ofensa à sua integridade moral, extrapolando, em muito, a esfera do mero dissabor inerente às agruras do cotidiano, e acabando por torná-la cativa de uma situação de verdadeira incerteza quanto a sua própria subsistência. Destaque-se a desnecessidade de prova da ocorrência da dor moral, porquanto tratar-se de dano in re ipsa, sendo, pois, suficiente, a comprovação da ocorrência do seu fato gerador, qual seja, o ato dissonante do ordenamento jurídico materializado nos descontos indevidos. Neste sentido tem sido a orientação consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça ao apreciar situações semelhantes à destes autos:

 

(…) 2. Ao contrário do alegado pelo recorrente, é de se ressaltar que, em hipóteses como a dos autos, é prescindível a comprovação do dano moral, o qual decorre do próprio fato, operando-se in re ipsa. Depreende-se que o fato por si só é capaz de ofender a honra subjetiva do autor, por afetar o seu bem-estar, em razão da inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes, de forma que o dano moral está ínsito na ilicitude do ato praticado, sendo desnecessária sua efetiva demonstração. (…) (AgRg no AREsp 425.088/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 04/02/2014)

 

DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. CABIMENTO. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO. INEXISTÊNCIA. DESCONTOS INDEVIDOS DA CONTA CORRENTE. VALOR FIXADO. MINORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Como a formalização do suposto contrato de empréstimo consignado em folha de pagamento não foi demonstrada, a realização de descontos mensais indevidos, sob o pretexto de que essas quantias seriam referentes às parcelas do valor emprestado, dá ensejo à condenação por dano moral. (…) (REsp 1238935/RN, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 28/04/2011)

 

Sobre a responsabilidade do banco apelado, o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor claramente estatui, nos termos que seguem, tratar-se de responsabilidade objetiva: “O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”.


III. DA DECISÃO 

Diante do exposto, voto pelo conhecimento e parcial provimento da presente apelação, para reformar a sentença recorrida, a fim de condenar o banco apelado a pagar INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). O montante da indenização será acrescido de juros legais pela taxa Selic, deduzido o IPCA (art. 406 c/c art. 389, parágrafo único, do CC), contados da data do evento danoso, é dizer, do primeiro desconto indevido (art. 398 do CC e Súmula 54 do STJ) e correção monetária, pelo IPCA (art. 389, parágrafo único, do CC), contada a partir do arbitramento (Súmula 362 do STJ).

Condeno o banco apelado a pagar as custas e despesas processuais.

Haja vista ter sido o recurso provido, deixo de majorar a verba honorária recursal (Tema 1059 do STJ).

É como voto.

 

 

Teresina, data registrada no sistema.

 

Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS

Relator


 

 

 

 

 

 

 

Detalhes

Processo

0800205-09.2023.8.18.0100

Órgão Julgador

Desembargador RICARDO GENTIL EULÁLIO DANTAS

Órgão Julgador Colegiado

3ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

RICARDO GENTIL EULALIO DANTAS

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Defeito, nulidade ou anulação

Autor

JOSE DIAS VELOSO

Réu

BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A

Publicação

09/03/2026