Acórdão de 2º Grau

Empréstimo consignado 0801058-36.2025.8.18.0039


Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. CONTRATAÇÃO DIGITAL MEDIANTE BIOMETRIA FACIAL. COMPROVAÇÃO DO DEPÓSITO DO VALOR NA CONTA DO AUTOR. VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. I. CASO EM EXAME Ação declaratória de inexistência de débito cumulada com repetição de indébito e indenização por danos morais, fundada na alegação de fraude em contratos de empréstimo consignado e não recebimento dos valores mutuados. Sentença de improcedência com condenação do autor por litigância de má-fé. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Controvérsia recursal acerca da: (i) validade da contratação eletrônica de empréstimo consignado, formalizada mediante biometria facial, e da suficiência da prova do crédito em conta para afastar a alegação de fraude; e (ii) configuração da litigância de má-fé por parte do consumidor que nega fatos comprovados documentalmente. III. RAZÕES DE DECIDIR A contratação de crédito consignado por meio eletrônico, com utilização de biometria facial e apresentação de documentos pessoais, é plenamente válida e eficaz, demonstrando a manifestação de vontade livre e espontânea do consumidor, em observância ao art. 104 do Código Civil. A alegação de não recebimento dos valores é infirmada pelos comprovantes de transferência bancária acostados aos autos, que demonstram o crédito do mútuo na conta de titularidade do autor. A conduta de usufruir do capital e, posteriormente, negar o negócio jurídico viola a boa-fé objetiva e o princípio do venire contra factum proprium. A insistência na negativa de fatos incontroversos, devidamente comprovados pela parte adversa, configura conduta temerária e alteração da verdade dos fatos, caracterizando a litigância de má-fé, nos termos do art. 80, incisos II e V, do CPC, o que justifica a manutenção da multa aplicada na origem. Reconhecida a validade do negócio jurídico e a legitimidade dos descontos, resta improcedente a pretensão de repetição de indébito e de indenização por danos morais. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso Inominado conhecido e não provido, para manter integralmente a sentença de primeiro grau que julgou improcedentes os pedidos autorais e aplicou multa por litigância de má-fé. Tese de julgamento: "1. É válido o contrato de empréstimo consignado formalizado por meio eletrônico, com autenticação por biometria facial, quando comprovado o efetivo crédito do valor mutuado na conta bancária do consumidor. 2. A conduta do consumidor que, após receber o valor do empréstimo, ajuíza ação negando a contratação e o recebimento da quantia, configura litigância de má-fé, autorizando a imposição da multa prevista no art. 81 do CPC." Legislação relevante citada: Código Civil: art. 104; Código de Processo Civil: arts. 5º, 80 (incisos II e V), 81; Lei nº 9.099/95: art. 55. Jurisprudência relevante citada: Não se aplica. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0801058-36.2025.8.18.0039 - Relator: HAYDEE LIMA DE CASTELO BRANCO - 1ª Turma Recursal - Data 13/04/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) Nº 0801058-36.2025.8.18.0039
RECORRENTE: FRANCISCO DE PAULA
Advogado(s) do reclamante: ANTONIO DE CARVALHO BORGES
RECORRIDO: BANCO PAN S.A.
Advogado(s) do reclamado: ROBERTO DOREA PESSOA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ROBERTO DOREA PESSOA
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 

 

EMENTA

 

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. CONTRATAÇÃO DIGITAL MEDIANTE BIOMETRIA FACIAL. COMPROVAÇÃO DO DEPÓSITO DO VALOR NA CONTA DO AUTOR. VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 

 I. CASO EM EXAME 

 1. Ação declaratória de inexistência de débito cumulada com repetição de indébito e indenização por danos morais, fundada na alegação de fraude em contratos de empréstimo consignado e não recebimento dos valores mutuados. Sentença de improcedência com condenação do autor por litigância de má-fé. 

 II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 

 2. Controvérsia recursal acerca da: (i) validade da contratação eletrônica de empréstimo consignado, formalizada mediante biometria facial, e da suficiência da prova do crédito em conta para afastar a alegação de fraude; e (ii) configuração da litigância de má-fé por parte do consumidor que nega fatos comprovados documentalmente. 

 III. RAZÕES DE DECIDIR 

 3. A contratação de crédito consignado por meio eletrônico, com utilização de biometria facial e apresentação de documentos pessoais, é plenamente válida e eficaz, demonstrando a manifestação de vontade livre e espontânea do consumidor, em observância ao art. 104 do Código Civil. 

 4. A alegação de não recebimento dos valores é infirmada pelos comprovantes de transferência bancária acostados aos autos, que demonstram o crédito do mútuo na conta de titularidade do autor. A conduta de usufruir do capital e, posteriormente, negar o negócio jurídico viola a boa-fé objetiva e o princípio do venire contra factum proprium. 

 5. A insistência na negativa de fatos incontroversos, devidamente comprovados pela parte adversa, configura conduta temerária e alteração da verdade dos fatos, caracterizando a litigância de má-fé, nos termos do art. 80, incisos II e V, do CPC, o que justifica a manutenção da multa aplicada na origem. 

 6. Reconhecida a validade do negócio jurídico e a legitimidade dos descontos, resta improcedente a pretensão de repetição de indébito e de indenização por danos morais. 

 IV. DISPOSITIVO E TESE 

 7. Recurso Inominado conhecido e não provido, para manter integralmente a sentença de primeiro grau que julgou improcedentes os pedidos autorais e aplicou multa por litigância de má-fé. 

 Tese de julgamento: 

1. É válido o contrato de empréstimo consignado formalizado por meio eletrônico, com autenticação por biometria facial, quando comprovado o efetivo crédito do valor mutuado na conta bancária do consumidor.

2. A conduta do consumidor que, após receber o valor do empréstimo, ajuíza ação negando a contratação e o recebimento da quantia, configura litigância de má-fé, autorizando a imposição da multa prevista no art. 81 do CPC.

 Legislação relevante citada: Código Civil: art. 104; Código de Processo Civil: arts. 5º, 80 (incisos II e V), 81; Lei nº 9.099/95: art. 55. 

 Jurisprudência relevante citada: Não se aplica. 

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 02/03/2026 a 09/03/2026, acordam os componentes do(a) 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, NEGAR PROVIMENTO.

 

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

Trata-se de Recurso Inominado interposto por FRANCISCO DE PAULA (Recorrente) contra a sentença, que julgou IMPROCEDENTE o pedido inicial formulado em face de BANCO PAN S.A. (Recorrido). 

A sentença recorrida, fundamentou a improcedência na prova documental apresentada pelo Banco Réu, que demonstrou a validade da contratação digital (com biometria facial) e a efetiva liberação dos valores na conta bancária do autor. Além disso, o juízo a quo reconheceu a conduta temerária do autor, condenando-o ao pagamento de multa por litigância de má-fé (art. 80, II e V, do CPC). 

Em suas razões recursais, o recorrente reitera a inexistência da contratação e a ausência de recebimento dos valores, requerendo a reforma da sentença para a procedência integral dos pedidos, e, subsidiariamente, a retirada da multa por litigância de má-fé. 

O recorrido apresentou contrarrazões. 

É o relatório. 

JuLIA Explica

 

 

 

VOTO

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. 

Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão. 

“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.”.  

Ante o exposto, conheço do recurso e nego-lhe provimento, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos. 

Ônus de sucumbência pelo recorrente, o qual condeno no pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais no percentual de 10% sobre o valor da causa atualizado. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus de sucumbência, nos termos do artigo 98, §3º, do CPC, em razão da justiça gratuita concedida. 

É como voto. 

Teresina (PI), assinado e datado eletronicamente. 

 

 

 

 

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Relator

 

 

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0801058-36.2025.8.18.0039

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

HAYDEE LIMA DE CASTELO BRANCO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

FRANCISCO DE PAULA

Réu

BANCO PAN S.A.

Publicação

13/04/2026