Acórdão de 2º Grau

Cartão de Crédito 0800635-88.2025.8.18.0132


Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL (RMC/RCC). REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO DEMONSTRADA. ASSINATURA DIGITAL E BIOMETRIA FACIAL. RECEBIMENTO DO CRÉDITO VIA TED. ERRO SUBSTANCIAL NÃO CONFIGURADO. SENTENÇA MANTIDA PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ART. 46 DA LEI Nº 9.099/95. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Recurso Inominado interposto por consumidor contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de nulidade de contrato de cartão de crédito consignado e reparação por danos morais. O recorrente alega vício de consentimento por erro substancial, sustentando que pretendia contratar empréstimo consignado comum e não a modalidade de cartão com reserva de margem (RMC/RCC). II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em verificar: (i) se a instituição financeira comprovou a anuência do consumidor à modalidade contratada; (ii) se a assinatura digital acompanhada de biometria facial é meio idôneo de prova; e (iii) se o recebimento e a utilização dos valores depositados na conta do autor afastam a alegação de erro substancial. III. RAZÕES DE DECIDIR A sentença recorrida deve ser confirmada por seus próprios fundamentos, uma vez que o conjunto probatório demonstra a regularidade do negócio jurídico, inexistindo violação aos deveres de informação e transparência (arts. 6º, III e 52 do CDC). A instituição financeira apresentou "Dossiê de Contratação" com assinatura eletrônica validada por biometria facial ("selfie") do autor, além de registro de IP e geolocalização, atendendo aos requisitos de segurança e autenticidade. O efetivo proveito econômico da operação, mediante crédito de vultosa quantia via TED na conta de titularidade do recorrente, é fato incontroverso que contradiz a tese de desconhecimento do ajuste e configura aceitação do negócio, em observância à boa-fé objetiva (art. 422 do Código Civil). O instrumento contratual é claro quanto à natureza do produto ("Cartão Consignado de Benefício"), não se verificando indução a erro ou abusividade. Manutenção integral da sentença por seus próprios fundamentos, servindo a súmula do julgamento como acórdão (art. 46 da Lei n. 9.099/95). IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso conhecido e desprovido. Condenação do recorrente ao pagamento de custas e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa atualizado, com exigibilidade suspensa nos termos do art. 98, § 3º, do CPC. Tese de julgamento: "1. A prova da contratação digital mediante biometria facial, aliada ao comprovante de depósito dos valores em conta do consumidor, afasta a alegação de erro substancial na contratação de cartão de crédito consignado. 2. A utilização do numerário disponibilizado configura confirmação tácita do negócio jurídico." Legislação relevante citada: Lei nº 9.099/95, art. 46; Código de Defesa do Consumidor, arts. 6º, III e 52; Código de Processo Civil, art. 98, § 3º; Código Civil, art. 422. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800635-88.2025.8.18.0132 - Relator: HAYDEE LIMA DE CASTELO BRANCO - 1ª Turma Recursal - Data 15/03/2026 )

Acórdão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ

1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) Nº 0800635-88.2025.8.18.0132
RECORRENTE: GILDAZIO DIAS DE ASSIS
Advogado(s) do reclamante: PEDRO RIBEIRO MENDES
RECORRIDO: FACTA FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO
Advogado(s) do reclamado: NATHALIA SATZKE BARRETO DUARTE
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 

 

EMENTA

 

DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL (RMC/RCC). REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO DEMONSTRADA. ASSINATURA DIGITAL E BIOMETRIA FACIAL. RECEBIMENTO DO CRÉDITO VIA TED. ERRO SUBSTANCIAL NÃO CONFIGURADO. SENTENÇA MANTIDA PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ART. 46 DA LEI Nº 9.099/95. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 

I. CASO EM EXAME 

  1. Recurso Inominado interposto por consumidor contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de nulidade de contrato de cartão de crédito consignado e reparação por danos morais. O recorrente alega vício de consentimento por erro substancial, sustentando que pretendia contratar empréstimo consignado comum e não a modalidade de cartão com reserva de margem (RMC/RCC). 

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 

  1. A questão em discussão consiste em verificar: (i) se a instituição financeira comprovou a anuência do consumidor à modalidade contratada; (ii) se a assinatura digital acompanhada de biometria facial é meio idôneo de prova; e (iii) se o recebimento e a utilização dos valores depositados na conta do autor afastam a alegação de erro substancial. 

III. RAZÕES DE DECIDIR 

  1. A sentença recorrida deve ser confirmada por seus próprios fundamentos, uma vez que o conjunto probatório demonstra a regularidade do negócio jurídico, inexistindo violação aos deveres de informação e transparência (arts. 6º, III e 52 do CDC). 

  1. A instituição financeira apresentou "Dossiê de Contratação" com assinatura eletrônica validada por biometria facial ("selfie") do autor, além de registro de IP e geolocalização, atendendo aos requisitos de segurança e autenticidade. 

  1. O efetivo proveito econômico da operação, mediante crédito de vultosa quantia via TED na conta de titularidade do recorrente, é fato incontroverso que contradiz a tese de desconhecimento do ajuste e configura aceitação do negócio, em observância à boa-fé objetiva (art. 422 do Código Civil). 

  1. O instrumento contratual é claro quanto à natureza do produto ("Cartão Consignado de Benefício"), não se verificando indução a erro ou abusividade. 

  1. Manutenção integral da sentença por seus próprios fundamentos, servindo a súmula do julgamento como acórdão (art. 46 da Lei n. 9.099/95). 

IV. DISPOSITIVO E TESE 

  1. Recurso conhecido e desprovido. Condenação do recorrente ao pagamento de custas e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa atualizado, com exigibilidade suspensa nos termos do art. 98, § 3º, do CPC. 
    Tese de julgamento: "1. A prova da contratação digital mediante biometria facial, aliada ao comprovante de depósito dos valores em conta do consumidor, afasta a alegação de erro substancial na contratação de cartão de crédito consignado. 2. A utilização do numerário disponibilizado configura confirmação tácita do negócio jurídico." 

Legislação relevante citada: Lei nº 9.099/95, art. 46; Código de Defesa do Consumidor, arts. 6º, III e 52; Código de Processo Civil, art. 98, § 3º; Código Civil, art. 422. 

 

 

 

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 23/02/2026 a 02/03/2026, acordam os componentes do(a) 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, NEGAR PROVIMENTO.

 

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Relator

 

 

RELATÓRIO

 

 

Trata-se de Recurso Inominado interposto por GILDAZIO DIAS DE ASSIS contra sentença que julgou improcedente AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/CINDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E REPETIÇÃO DO INDÉBITO proposta pelo autor em face de FACTA FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. 

A sentença recorrida fundamentou-se, em síntese, na regularidade da contratação comprovada pela instituição financeira, destacando a existência de assinatura digital validada por biometria facial ("selfie") e o efetivo recebimento de valores pelo autor. 

Em suas razões recursais, o recorrente alega ter ocorrido erro substancial no negócio jurídico, pois acreditava estar contratando um empréstimo consignado comum, e não um cartão de crédito com reserva de margem consignável (RMC). Aduz violação ao dever de informação (arts. 6º, III e 52 do CDC) e requer a reforma total da sentença para declarar a nulidade do pacto e condenar a ré ao pagamento de danos morais e repetição do indébito. 

Contrarrazões apresentadas. 

É o relatório. 

JuLIA Explica

 

 

 

VOTO

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. 

Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto dos art. 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão: 

“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.”.  

Diante do exposto, voto para conhecer e negar provimento ao recurso, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos. 

Condeno o recorrente ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa atualizado, ficando a exigibilidade suspensa em razão da concessão da gratuidade da justiça (art. 98, § 3º, do CPC). 

Teresina (PI), assinado e datado eletronicamente. 

 

 

 

 

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Relator

 

 

JuLIA Explica

 

Detalhes

Processo

0800635-88.2025.8.18.0132

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

HAYDEE LIMA DE CASTELO BRANCO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Cartão de Crédito

Autor

GILDAZIO DIAS DE ASSIS

Réu

FACTA FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

Publicação

15/03/2026