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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ 2ª Turma Recursal |
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RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) Nº 0803596-68.2021.8.18.0123
EMENTA
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. DESACATO. PROVA EXCLUSIVAMENTE LASTREADA NA PALAVRA DA SUPOSTA VÍTIMA (POLICIAL MILITAR). AUSÊNCIA DE PROVAS ROBUSTAS SOBRE A INTENÇÃO DE MENOSPREZO À FUNÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DO IN DUBIO PRO REO. ABSOLVIÇÃO. I. CASO EM EXAME
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
III. RAZÕES DE DECIDIR
IV. DISPOSITIVO E TESE
ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em Plenário Virtual realizada de 04/02/2026 a 11/02/2026, acordam os componentes do(a) 2ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por unanimidade, conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). 2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal Relator
RELATÓRIO
O Ministério Público ofereceu denúncia contra o acusado Rayelson Aurelio de Lima Ferreira Cunha, imputando-lhe a prática do crime tipificado no artigo 331 do Código Penal Brasileiro (desacato). Sobreveio sentença que condenou o réu à pena de 8 (oito) meses e 7 (sete) dias de detenção, em regime fechado. Inconformado, o réu interpôs Apelação pleiteando a reforma da sentença para absolve-lo do crime imputado, alegando o in dubio pro reo. É o relatório.
VOTO
Trata-se de recurso interposto contra sentença que condenou o recorrido pela prática do crime de desacato (art. 331 do Código Penal), por supostamente haver proferido ofensas verbais contra policial militar no exercício da função. Após detida análise dos autos, verifica-se que a condenação foi lastreada exclusivamente na palavra do policial militar DEJACIR DE OLIVEIRA, o qual declarou que, ao abordar o recorrido, este teria se exaltado e o chamado de “filho da puta”. Contudo, o contexto da abordagem policial, ocorrido à noite, em frente à residência do acusado, após ele se recusar a manter desbloqueado o próprio aparelho celular para averiguação pelos policiais, revela situação tensa. O próprio recorrido nega veementemente as ofensas imputadas, afirmando que apenas exerceu seu direito de preservar o sigilo de seus dados pessoais. Não há testemunhas imparciais que corroborem a versão do policial. O tipo penal de desacato exige, além da intenção de menosprezar o agente público, uma conduta inequívoca de ofensa à função exercida, o que não restou suficientemente demonstrado. A jurisprudência majoritária, inclusive dos Tribunais Superiores, tem adotado entendimento garantista quanto ao tipo penal de desacato, exigindo provas robustas e inequívocas da intenção deliberada de ofender a função pública, o que não se verifica no caso concreto. O conjunto probatório é frágil e não supera o princípio do in dubio pro reo, especialmente por não restar demonstrado, de forma segura, que as expressões atribuídas ao réu foram realmente proferidas, tendo em vista que não há testemunha dos fatos ocorridos. O policial depoente trata-se da suposta vítima do fato. Diante do exposto, voto no sentido de reformar a sentença para ABSOLVER o recorrido RAYELSON AURÉLIO DE LIMA FERREIRA CUNHA da imputação do crime previsto no art. 331 do Código Penal, com fulcro no art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.
2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal Relator
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0803596-68.2021.8.18.0123
Órgão Julgador2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado2ª Turma Recursal
Relator(a)KELSON CARVALHO LOPES DA SILVA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDesacato
AutorRAYELSON AURELIO DE LIMA FERREIRA CUNHA
RéuDelegacia Regional de Parnaíba
Publicação30/03/2026