Decisão Terminativa de 2º Grau

Busca e Apreensão 0019473-45.2012.8.18.0140


Decisão Terminativa

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PIAUÍ

Gabinete do Desembargador Francisco Gomes da Costa Neto

 

 

APELAÇÃO CÍVEL (198): 0019473-45.2012.8.18.0140

RECORRENTE: GILDETE MARQUES DANTAS

Advogado(s) do reclamante: JOSE WILSON CARDOSO DINIZ

RECORRIDO: BANCO SAFRA S A

Advogado(s) do reclamado: ANTONIO BRAZ DA SILVA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ANTONIO BRAZ DA SILVA

JuLIA Explica

DECISÃO MONOCRÁTICA


I. RELATO

Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por GILDETE MARQUES DANTAS em face da sentença proferida pelo d. Juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Teresina, nos autos da Ação de Busca e Apreensão (proc. n.° 0019473-45.2012.8.18.0140), ajuizada pelo BANCO SAFRA S/A, ora apelado.

As razões recursais (id.10012618) versam exclusivamente sobre o arbitramento de honorários advocatícios, concluindo-se que o pleito se dá no interesse exclusivo do advogado que patrocina a causa.

No despacho (id.18761478), foi determinada a intimação da apelante, através de seu causídico, para que, no prazo de 05 (cinco) dias, regularizasse a falha ou apresentasse a documentação exigida de modo a comprovar eventual situação de hipossuficiência para o deferimento da justiça gratuita, sob pena inadmissibilidade do presente recurso (art. 932, parágrafo único, do CPC).

Decorrido o prazo, a parte apelante manteve-se inerte. (id.19569790)

Na decisão monocrática (id.20683266), foi indeferido o benefício da justiça gratuita pleiteado e determinado o recolhimento do preparo, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, sob pena de não conhecimento recurso.

Transcorrido o prazo, a parte apelante quedou-se inerte. (id.21675249).

É o relatório.


II. FUNDAMENTO

Da inadmissibilidade da apelação

Compulsando dos autos, verifico que não houve a concessão de justiça gratuita nesta instância recursal. Ademais, não houve o pagamento do preparo para fins de admissibilidade do apelo, embora devidamente intimado para tal feito (id.21675249).

Sobre o tema, cito a lição de Bernardo Pimentel Souza:

O requisito de admissibilidade do preparo consiste na exigência de que o recorrente efetue o pagamento dos encargos financeiros relativos ao processamento do recurso. Os encargos recursais englobam: a) as custas judiciais do processamento do recurso nos órgão judiciários a quo e ad quem; e b) os portes de remessa e de retorno, para o deslocamento dos autos.

Assim, em face da inexistência do recolhimento do preparo, que corresponde a um dos requisitos processuais sem o qual o conhecimento do recurso fica obstado, impõe-se o reconhecimento da deserção. Nestes termos, disciplina o art. 1.007 do NCPC, in verbis:

Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção – grifou-se.

No mesmo sentido, eis os julgados a seguir:

APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. DESERÇÃO. Não tendo sido deferido o pedido de gratuidade judiciária e não tendo a parte efetuado o preparo no prazo conferido para tanto, deve ser julgado deserto o recurso, ante o desatendimento do disposto pelo art. 1.007 do CPC. NÃO CONHECERAM DO RECURSO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70069091510, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ergio Roque Menine, Julgado em 30/06/2016).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. Decisão que julgou deserto o recurso de apelação ante a ausência de recolhimento do preparo. Benefício da justiça gratuita revogado por decisão proferida em incidente de impugnação à assistência judiciária, que já foi objeto de dois recursos de agravo de instrumento. Preclusão consumativa. Recolhimento do preparo que deveria ocorrer no momento da interposição do recurso, nos termos do art. 511 do CPC de 1973 (artigo 1007 do CPC/2015). Deserção configurada. Ato jurisdicional que determina o prosseguimento em relação a reconvenção tem natureza de decisão interlocutória, contra a qual não cabe apelação. Negado seguimento ao recurso. (TJ-SP - AI: 20489980920168260000 SP 2048998-09.2016.8.26.0000, Relator: Fernanda Gomes Camacho, Data de Julgamento: 15/03/2016, 5ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 15/03/2016).

Desse modo, restando inadmissível o recurso em apreço, prevê o art. 932, III do CPC/2015, in verbis:

Art. 932. Incumbe ao relator:

III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida - grifou-se. 

Por conseguinte, não deve ser conhecido a presente apelação, ante a ausência de pagamento do preparo recursal. É o quanto basta.

 

III. DECIDO

Com estes fundamentos, NÃO CONHEÇO do apelo, ante sua manifesta inadmissibilidade, em razão do não pagamento do preparo recursal.

Preclusas as vias, dê-se baixa na distribuição, remetendo-se os autos ao juízo de origem.

Publique-se e intimem-se.

Teresina, data registrada no sistema.


Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Relator

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0019473-45.2012.8.18.0140 - Relator: FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 17/03/2025 )

Detalhes

Processo

0019473-45.2012.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Busca e Apreensão

Autor

GILDETE MARQUES DANTAS

Réu

BANCO SAFRA S A

Publicação

17/03/2025