Decisão Terminativa de 2º Grau

Empréstimo consignado 0801142-19.2023.8.18.0100


Decisão Terminativa

poder judiciário 
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

PROCESSO Nº: 0801142-19.2023.8.18.0100
CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198)
ASSUNTO(S): [Empréstimo consignado]
APELANTE: MARIA ZILDA DA SILVA
APELADO: BANCO PAN S.A.
REPRESENTANTE: BANCO PAN S.A.


JuLIA Explica

 

DECISÃO MONOCRÁTICA


I - RELATO


Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por MARIA ZILDA DA SILVA contra sentença proferida nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO CC REPETIÇÃO DE INDÉBITO, CUMULADA COM DANOS MORAIS (Proc. nº 0801142-19.2023.8.18.0100), ajuizada em face do BANCO PAN S.A.


Na sentença (ID. 15470807), o magistrado a quo, considerando que a parte autora não cumpriu a determinação de emenda à inicial, consubstanciada na juntada de “instrumento de mandato atual da parte, com firma reconhecida ou a procuração pública”, julgou extinta a ação sem resolução do mérito.


Nas razões recursais (ID. 15470811), a apelante sustenta desnecessidade de procuração pública ou com firma reconhecida. Alega a validade da procuração juntada aos autos. Requer o provimento do recurso com a anulação sentença.


Nas contrarrazões (ID. 15470813), o banco apelado sustenta, em suma, o acerto da sentença impugnada, afirma que não foram apresentados documentos indispensáveis. Requer o desprovimento do recurso.

 

É o relatório.


II - FUNDAMENTOS


Juízo de admissibilidade

Recurso tempestivo e formalmente regular. Preparo dispensado. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, CONHEÇO do apelo.


Mérito

Diga-se, inicialmente, que o art. 932 do CPC prevê a possibilidade do Relator, por meio de decisão monocrática, proceder o julgamento do recurso nas seguintes hipóteses:


Art. 932. Incumbe ao relator:

IV - negar provimento a recurso que for contrário a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal;

V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal;


Na hipótese, a discussão diz respeito à possibilidade do magistrado exigir instrumento de mandato atualizado, com firma reconhecida ou a procuração pública, matéria que se encontra sumulada no Tribunal de Justiça do Piauí, nos seguintes termos:


SÚMULA Nº 32 – “É desnecessária a apresentação de procuração pública pelo advogado de parte analfabeta para defesa de seus interesses em juízo, podendo ser juntada procuração particular com assinatura a rogo e duas testemunhas, na forma estabelecida no artigo 595 do Código Civil”.


Dessa forma, com base no dispositivo supra, passo a apreciar o mérito do presente recurso, julgando-o monocraticamente.


Pois bem. Cuida-se, na origem, de demanda que visa a declaração de nulidade de contrato de empréstimo consignado cumulada com repetição de indébito em dobro e pedido de indenização por danos morais.


No caso, o magistrado a quo, vislumbrando a possibilidade de estar diante de uma lide predatória, proferiu despacho nos seguintes termos:


“Intimo o advogado da parte autora, para querendo no prazo de 05 (cinco) dias juntar aos autos Procuração particular com firma reconhecida e ou pública.;”.


Conforme entendimento firmado na Súmula 32 deste TJPI, é suficiente a apresentação de procuração particular, assinada a rogo e subscrita por duas testemunhas.


Na hipótese, observa-se que a petição inicial veio acompanhada de procuração (ID. 15470800), devidamente assinada pela parte autora, atendendo o dispositivo supramencionado, ressaltando-se, portanto, que não se trata sequer de pessoa não alfabetizada.


Por conseguinte, em virtude do error in procedendo, impõe-se a anulação da sentença.


Ressalte-se que resta impossibilitado o julgamento de mérito propriamente dito da ação originária (aplicação da causa madura), vez que o processo não passou pela fase de dilação probatória, não se encontrando em condições para tanto (art. 1.013, §4º, do CPC).


III. DISPOSITIVO


Com estes fundamentos, DOU PROVIMENTO ao recurso, para anular a sentença e determinar o retorno dos autos ao juízo de origem para regular processamento do feito.


Sem honorários advocatícios, eis que a decisão limita-se a anular a sentença, ficando prejudicada a condenação de qualquer das partes ao ônus da sucumbência.


Preclusas as vias impugnativas, dê-se baixa na distribuição.


Teresina-PI, data registrada no sistema.


Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Relator

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0801142-19.2023.8.18.0100 - Relator: FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 04/02/2025 )

Detalhes

Processo

0801142-19.2023.8.18.0100

Órgão Julgador

Desembargador FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

FRANCISCO GOMES DA COSTA NETO

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

MARIA ZILDA DA SILVA

Réu

BANCO PAN S.A.

Publicação

04/02/2025