Acórdão de 2º Grau

Práticas Abusivas 0800075-16.2024.8.18.0122


Ementa

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C DANOS MATERIAIS C/C DANOS MORAIS C/C PEDIDO DE LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DOS RÉUS. CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR. INTELIGÊNCIA DO ART. 14, §3º, II, DO CPC. AUTOR NÃO DEMONSTROU O FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO ALEGADO. PEDIDO AUTORAL IMPROCEDENTE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800075-16.2024.8.18.0122 - Relator: FRANCISCO JOAO DAMASCENO - 3ª Turma Recursal - Data 08/01/2025 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800075-16.2024.8.18.0122

RECORRENTE: JOSE LUCIANO ROCHA LOPES

Advogado(s) do reclamante: GUILHERME DAVIS CHAVES MELO

RECORRIDO: BV LEASING - ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, BANCO VOTORANTIM S.A.

Advogado(s) do reclamado: JOAO FRANCISCO ALVES ROSA

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



JuLIA Explica

EMENTA


 



RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C DANOS MATERIAIS C/C DANOS MORAIS C/C PEDIDO DE LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DOS RÉUS. CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR. INTELIGÊNCIA DO ART. 14, §3º, II, DO CPC. AUTOR NÃO DEMONSTROU O FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO ALEGADO. PEDIDO AUTORAL IMPROCEDENTE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.


 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800075-16.2024.8.18.0122

RECORRENTE: JOSE LUCIANO ROCHA LOPES 
Advogado do(a) RECORRENTE: GUILHERME DAVIS CHAVES MELO - PI17424-A

RECORRIDO: BV LEASING - ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, BANCO VOTORANTIM S.A.
Advogado do(a) RECORRIDO: JOAO FRANCISCO ALVES ROSA - BA17023-A

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



Trata-se de AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C DANOS MATERIAIS C/C DANOS MORAIS C/C PEDIDO DE LIMINAR em que a parte autora aduz possui um contrato de financiamento junto ao banco réu; que efetuou o pagamento da parcela de n° 36 do referido contrato (parcela que corresponde ao mês de janeiro/2024), no valor de R$ 777,55 (setecentos e setenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos), conforme comprovante de pagamento anexado aos autos; que em fevereiro do corrente ano, realizou o pagamento da parcela de n° 37, também do mesmo valor; que no mês de março de 2024, quando ao tentar efetuar o pagamento da parcela de n° 38, o mesmo foi informado que não havia pago a parcela de n° 36, e por esse motivo, tinha que primeiro quitar a parcela em atraso para depois realizar o pagamento das demais parcelas. Afirma ainda que entrou em contato com a central de atendimento dos Réus para pedir esclarecimentos, pois havia pago a parcela de n° 36. Relata que os Réus alegaram que a parcela de n° 36 tinha migrado para a competência do mês de maio/2024 e repassou para o Autor o número de contato do escritório de advocacia Toledo Piza Advogados, para que pudesse tratar da parcela em atraso; que entrou em contato com a central de atendimento dos Réus para pedir esclarecimentos, que foi informado que a parcela de n° 36 tinha migrado para a competência do mês de maio/2024 e repassou para o Autor o número de contato do escritório de advocacia Toledo Piza Advogados, para que pudesse tratar da parcela em atraso. Que entrou em contato com a suposta assessoria jurídica dos Requeridos para solicitar a emissão da 2ª via do boleto da parcela de janeiro/2024, para efetuar o pagamento, conforme prints das conversas via WhatsApp anexado aos autos. Que continuou a receber inúmeras ligações do setor de cobrança dos Réus, pois alegavam que a parcela em atraso não havia sido paga e recebeu uma notificação extrajudicial emitida pelo 6º Ofício de Registro Civil de Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas do Distrito Federal. Aduz que entrou em contato com a central de atendimento e para sua surpresa, foi informado de que a parcela em atraso não havia sido paga e que o Requerente foi vítima do “golpe do boleto”. Pelo exposto, requereu condenação dos Réus a ressarcirem a quantia de R$ 1.530,48 (mil e quinhentos e trinta reais e quarenta e oito centavos), a título de repetição de indébito e a condenação dos Réus ao pagamento de indenização por danos morais.

Sobreveio sentença que JULGOU IMPROCEDENTE, o pedido da parte requerente, com a devida resolução do seu mérito, na forma do art. 487, I do CPC e com fundamento no Art. 6º da lei 9.099/95, que autoriza o Juiz adotar em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum.

A parte autora interpôs recurso inominado alegando, em síntese: síntese dos fatos e da sentença recorrida; da justiça gratuita; da sentença ora atacada; por fim, requer a condenação ao ressarcimento a de R$ 1.530,48 (mil e quinhentos e trinta reais e quarenta e oito centavos), a título de repetição de indébito a condenação dos Réus ao pagamento de indenização por danos morais.

Contrarrazões apresentadas.

É a sinopse dos fatos.

JuLIA Explica

 


VOTO


 

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Compulsando os autos, verifica-se que não restou comprovada a existência de qualquer falha na prestação de serviço dos réus, tampouco qualquer participação no fato criminoso praticado por terceiro. Pelo contrário, o que se vê é culpa exclusiva do consumidor e de terceiro, hipótese que exclui a responsabilidade do recorrido pelos danos suportados pelo autor, conforme previsão do art. 14, §3º, II, do CDC.

Ademais, constata-se a evidente falta de cautela do próprio autor, que realizou, por sua própria liberalidade, transferência/pix relacionado a negócio suspeito. Tal fato é incontroverso, uma vez que na documentação anexada aos autos pelo próprio autor é possível constatar que foi realizado pix em nome de terceiro.

Desse modo, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.


Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.


Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso para negar-lhe provimento, mantendo a sentença em todos os seus termos.


Ônus de sucumbência pela parte recorrente em custas e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor corrigido da causa, no entanto, fica suspensa a exigibilidade da condenação nos termos do art. 98, §3º, do CPC.


Teresina (PI), datado e assinado eletronicamente.

 

 



Teresina, 07/01/2025

Detalhes

Processo

0800075-16.2024.8.18.0122

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

3ª Turma Recursal

Relator(a)

FRANCISCO JOAO DAMASCENO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Práticas Abusivas

Autor

JOSE LUCIANO ROCHA LOPES

Réu

BV LEASING - ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A

Publicação

08/01/2025