Acórdão de 2º Grau

Empréstimo consignado 0801949-44.2022.8.18.0045


Ementa

Ementa: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. REGULARIDADE DO CONTRATO E DA TRANSFERÊNCIA DOS VALORES. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação Cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos formulados em ação declaratória de nulidade contratual, cumulada com repetição de indébito e indenização por danos morais. A parte autora alegou sofrer descontos indevidos em seu benefício previdenciário em decorrência de empréstimo consignado que não teria contratado, pedindo a devolução em dobro dos valores e a condenação do banco ao pagamento de indenização por danos morais. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em analisar a validade do contrato de empréstimo consignado e a regularidade dos descontos realizados no benefício previdenciário da apelante, além da necessidade de se verificar se houve má-fé no ajuizamento da demanda, com alteração deliberada da verdade dos fatos. III. RAZÕES DE DECIDIR Reconhece-se a natureza de relação de consumo entre as partes, aplicando-se as normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do CDC, dada a hipossuficiência da apelante e o caráter alimentar de seus rendimentos previdenciários. O banco, em sua contestação, apresentou documentos que comprovam a regularidade do contrato impugnado, incluindo a cópia do contrato assinado (Num. 15413503 – Pág. 2/6) e o comprovante de transferência do valor contratado (Num. 15413502 – Pág. 1). Esses elementos evidenciam a validade do negócio jurídico, conforme exigido pelo art. 104 do Código Civil. A parte apelante não demonstrou a existência de vícios capazes de anular o contrato nem comprovou que os descontos realizados foram indevidos ou que não houve transferência dos valores contratados. O princípio da boa-fé objetiva deve prevalecer, considerando que o contrato foi celebrado de forma regular, sem coação ou imposição, e a execução do negócio se deu conforme pactuado. A alegação da apelante de não reconhecimento do empréstimo, diante das provas documentais apresentadas pelo banco, caracteriza comportamento contrário aos princípios da lealdade processual e da boa-fé objetiva, configurando litigância de má-fé, nos termos do art. 80, II, do CPC. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos, com a fixação de multa por litigância de má-fé em nove por cento (9%) do valor atualizado da causa, nos termos do art. 81 do CPC. Tese de julgamento: 1. O contrato de empréstimo consignado é válido quando preenchidos os requisitos legais e demonstrada a transferência dos valores. 2. A inversão do ônus da prova se aplica em favor do consumidor quando evidenciada sua hipossuficiência. 3. A litigância de má-fé é caracterizada pela alteração da verdade dos fatos com o objetivo de induzir o juízo a erro. Dispositivos relevantes citados: CC, arts. 104 e 595; CDC, art. 6º, VIII; CPC, arts. 77, 80 e 81. Jurisprudência relevante citada: TJ-DF, 20140110819272, Rel. Fernando Habibe, j. 16/05/2018. TJ-MG, AC 10000211243464001, Rel. Fausto Bawden de Castro Silva, j. 31/08/2021. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0801949-44.2022.8.18.0045 - Relator: HAROLDO OLIVEIRA REHEM - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 28/01/2025 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0801949-44.2022.8.18.0045

APELANTE: FRANCISCA ALVES SOARES

Advogado(s) do reclamante: CAIO CESAR HERCULES DOS SANTOS RODRIGUES, EMMANUELLY ALMEIDA BEZERRA

APELADO: BANCO BRADESCO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A

Advogado(s) do reclamado: FREDERICO NUNES MENDES DE CARVALHO FILHO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FREDERICO NUNES MENDES DE CARVALHO FILHO

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 


JuLIA Explica

EMENTA


 

Ementa: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. REGULARIDADE DO CONTRATO E DA TRANSFERÊNCIA DOS VALORES. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

  1. Apelação Cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos formulados em ação declaratória de nulidade contratual, cumulada com repetição de indébito e indenização por danos morais. A parte autora alegou sofrer descontos indevidos em seu benefício previdenciário em decorrência de empréstimo consignado que não teria contratado, pedindo a devolução em dobro dos valores e a condenação do banco ao pagamento de indenização por danos morais.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

  1. A questão em discussão consiste em analisar a validade do contrato de empréstimo consignado e a regularidade dos descontos realizados no benefício previdenciário da apelante, além da necessidade de se verificar se houve má-fé no ajuizamento da demanda, com alteração deliberada da verdade dos fatos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

  1. Reconhece-se a natureza de relação de consumo entre as partes, aplicando-se as normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do CDC, dada a hipossuficiência da apelante e o caráter alimentar de seus rendimentos previdenciários.

  2. O banco, em sua contestação, apresentou documentos que comprovam a regularidade do contrato impugnado, incluindo a cópia do contrato assinado (Num. 15413503 – Pág. 2/6) e o comprovante de transferência do valor contratado (Num. 15413502 – Pág. 1). Esses elementos evidenciam a validade do negócio jurídico, conforme exigido pelo art. 104 do Código Civil.

  3. A parte apelante não demonstrou a existência de vícios capazes de anular o contrato nem comprovou que os descontos realizados foram indevidos ou que não houve transferência dos valores contratados.

  4. O princípio da boa-fé objetiva deve prevalecer, considerando que o contrato foi celebrado de forma regular, sem coação ou imposição, e a execução do negócio se deu conforme pactuado.

  5. A alegação da apelante de não reconhecimento do empréstimo, diante das provas documentais apresentadas pelo banco, caracteriza comportamento contrário aos princípios da lealdade processual e da boa-fé objetiva, configurando litigância de má-fé, nos termos do art. 80, II, do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

  1. Recurso desprovido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos, com a fixação de multa por litigância de má-fé em nove por cento (9%) do valor atualizado da causa, nos termos do art. 81 do CPC.


Tese de julgamento: 1. O contrato de empréstimo consignado é válido quando preenchidos os requisitos legais e demonstrada a transferência dos valores. 2. A inversão do ônus da prova se aplica em favor do consumidor quando evidenciada sua hipossuficiência. 3. A litigância de má-fé é caracterizada pela alteração da verdade dos fatos com o objetivo de induzir o juízo a erro.

Dispositivos relevantes citados: CC, arts. 104 e 595; CDC, art. 6º, VIII; CPC, arts. 77, 80 e 81.

Jurisprudência relevante citada:

  • TJ-DF, 20140110819272, Rel. Fernando Habibe, j. 16/05/2018.

  • TJ-MG, AC 10000211243464001, Rel. Fausto Bawden de Castro Silva, j. 31/08/2021.

 


RELATÓRIO


 

RELATÓRIO

O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (Relator): Eminentes julgadores, senhor procurador de justiça, senhores advogados, gradas pessoas outras aqui também presentes.

Cuida-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por FRANCISCA ALVES SOARES para reformar a sentença exarada na AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, ajuizada contra o BANCO BRADESCO S/A, ora apelado.

Ingressou a parte autora com esta demanda alegando, em síntese, estar sofrendo descontos em seu benefício previdenciário em razão de empréstimo consignado que não realizou.

Requereu, dentre outros, a inversão do ônus da prova; a declaração de nulidade do contrato; a devolução em dobro dos valores indevidamente descontados; a condenação do banco ao pagamento de indenização por danos morais.

Juntou aos autos documentos.

Citada, a parte ré apresentou contestação, Num. 15413501 – Pág. 1/7, sustentando, em síntese, a regularidade do contrato; a comprovação de transferência do valor a ausência de dano moral e material; dentre outros, pugnando pela improcedência dos pedidos iniciais.

Colacionou aos autos documentos, dentre eles, a cópia do aludido contrato, Num. 15413503 – Pág. 2/6 e comprovante de entrega do valor objeto do contrato, Num. 15413502 – Pág. 1.

Réplica, Num. 15413506 – Pág. 1/5.

Por sentença, Num. 15413566 – Pág. 1/3, o d. Magistrado singular assim julgou:

Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido da parte autora e, com fulcro no art. 487, I, do CPC, extingo o processo com resolução do mérito.

Condeno a parte autora ao pagamento das custas e honorários de sucumbência que fixo em 10% do valor da causa.

Fica suspensa a exigibilidade dos ônus da sucumbência por 5 (cinco) anos, ante a concessão da assistência judiciária gratuita ao autor .

Inconformada com a referida decisão, a parte autora interpôs Recurso de Apelação, Num. 15413569 – Pág. 1/10, ratificando, em síntese, todos os termos apresentados inicial, especialmente a ausência de comprovante de transferência, com o pedido de reforma da sentença, para procedência dos pedidos iniciais.

Intimada, a parte ré apresentou contrarrazões, Num. 15413573 – Pág. 1/10, requerendo a manutenção da sentença

Recebido o recurso em ambos os efeitos, Num. 16470017 – Pág. 1.

É o relatório.

 


VOTO


 

VOTO DO RELATOR

O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (votando): Eminentes julgadores,

O recurso merece ser conhecido, eis que existentes os pressupostos de admissibilidade, passando assim, a sua análise.

O cerne da questão gira em torno da nulidade, ou não, de contrato de empréstimo bancário firmado entre as partes, a justificar os descontos das parcelas no benefício previdenciário, situação esta da qual decorrem as demais consequências jurídicas referentes à pleiteada indenização por danos materiais e morais e repetição do indébito.

Afirmou a parte apelante que não realizou o contrato ora impugnado, nem autorizou o desconto de parcelas referentes ao seu pagamento, motivos pelos quais requereu, dentre outros, a restituição em dobro dos valores indevidamente descontados e o pagamento de uma indenização pelos danos morais suportados.

O MM. Juiz, analisando detidamente os documentos constantes nos autos, julgou improcedentes os pedidos iniciais.

De início, reconhece-se a presença de típica relação de consumo entre as partes, uma vez que, de acordo com o teor do Enunciado n° 297, da Súmula do STJ, as instituições bancárias, como prestadoras de serviços, estão submetidas ao Código de Defesa do Consumidor, assim como a condição de hipossuficiência da parte apelante, cujos rendimentos se resumem ao benefício previdenciário percebido, razão por que se deve conceder a inversão do ônus probatório, nos moldes do art. 6°, VIII, do CDC, in verbis:

"Art. 6° São direitos básicos do consumidor:

(...);

VIII — a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências".

No caso em tela, verifico que a parte apelante limitou seus argumentos recursais na alegação de não ter conseguido o banco apelado demonstrar a regularidade do pacto, nem apresentado o comprovante de transferência do valor.

Dito isto, tenho que o banco, quando da apresentação de sua contestação, colacionou aos autos cópia do aludido contrato, Num. 15413503 – Pág. 2/6 e comprovante de entrega do valor objeto do contrato, Num. 15413502 – Pág. 1.

Nesta senda, deve-se ressaltar que contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial; sendo um negócio jurídico, requer, para sua validade, a observância dos requisitos legais exigidos no art. 104 do Código Civil, verbis:

A validade do negócio jurídico requer:

I – agente capaz;

II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III – forma prescrita ou não defesa em lei.”

Trazendo estes preceitos para o caso concreto, observo que os três requisitos foram cumpridos, não vendo nenhum motivo que possa ser apontado capaz de anular o negócio jurídico, tal como quis a parte apelante.

O art. 1º do Código Civil assim assevera: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

Nesta linha de determinações, o art. 2º reza que: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

Por fim, devo verificar o que preveem os artigos 3º e 4º, verbis:

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer:

I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico;

III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade;

IV – os pródigos.

Sendo assim, tenho que a parte apelante é absolutamente capaz e deve arcar com as consequências de seus atos. O argumento de não ter validade o negócio jurídico pela simples alegação de não celebração, é completamente imprestável para se anular o contrato, uma vez que as provas carreadas nos autos demonstram, com uma clareza solar, a legalidade do pacto e das consequentes cobranças dele advindas.

O que se pode concluir de tudo isso é que o contrato foi celebrado espontaneamente pelas partes, sem qualquer coação ou imposição, da forma prescrita em lei, por agentes capazes e que o banco conseguiu demonstrar o cumprimento de todo o pactuado.

Para a formalização dos contratos é necessário o encontro da vontade das partes: o chamado consenso. Assim, a autonomia da vontade é elemento vital na formação dos negócios jurídicos.

Diante de todo o exposto, em que não conseguiu a parte apelante demonstrar que o contrato possui algum vício em sua formalização, tendo os descontos sido autorizados, tenho que as circunstâncias recomendam que seja privilegiado o princípio da boa-fé objetiva, pelo qual as partes devem pautar sua conduta tanto na formação como na execução do contrato.

Está-se, portanto, diante de uma contratação, a priori, regular. Eventual fraude e/ou outra irregularidade deveriam ter sido provadas pela apelante.

Necessário esclarecer, por oportuno, que as razões recursais da parte apelante beiram a ausência de dialeticidade, haja vista que não houve menção sobre o acolhimento do pedido de prescrição formulado em contestação quando da sentença, motivo pelo qual tal alegação não será tratada neste recurso.

Assim, pelas razões expostas, tenho que a sentença não merece reforma.

Entretanto, deve-se acrescer ao julgamento a litigância de má-fé, registrando-se que o processo deve ser visto como instrumento ético e de cooperação entre os sujeitos envolvidos na busca de uma solução justa do litígio.

É reprovável que as partes se sirvam do processo para faltar com a verdade, agir deslealmente e empregar artifícios fraudulentos, uma vez que deve imperar no processo os princípios da boa-fé objetiva e da lealdade processual.

De acordo com o art. 80, II, do CPC, reputa-se litigante de má-fé aquele que altera a verdade dos fatos e, consequentemente descumpre os deveres processuais disciplinados no art. 77, I e II, do mesmo diploma legal:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:

I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;

II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento;”

Ora, é no mínimo temerária a alegação da parte apelante na inicial, na medida em que é contrária à prova apresentada pelo banco demandado, onde consta o contrato devidamente assinado pela parte requerente, em atenção ao art. 595 do CC.

Não bastasse isso, há prova inconteste de que o valor objeto do ajuste fora transferido, sendo notório, portanto, que a parte apelante age com o propósito deliberado de deduzir pretensão contra fato incontroverso, além de buscar alterar a verdade dos fatos, a fim de obter vantagem em seu favor, tudo em detrimento das circunstâncias fáticas e probatórias que constam nos autos.

Sobre o tema, colaciona-se a jurisprudência a seguir:

MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FE CONFIGURADA. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. Evidenciada a intenção de alterar a verdade dos fatos, justifica-se a aplicação da multa por litigância de má-fé.

(TJ-DF 20140110819272 DF 0019321-61.2014.8.07.0001, Relator: FERNANDO HABIBE, Data de Julgamento: 16/05/2018, 4ª TURMA CÍVEL, Data de Publicação: Publicado no DJE : 18/05/2018 . Pág.: 346/351)”.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITÓRIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. CONFIGURAÇÃO. CONDENAÇÃO MANTIDA. 1. Conforme o art. 80, inciso II, e art. 81, CPC, cabível a condenação ao pagamento de multa por litigância de má-fé, quando a parte nega expressamente fato que sabe ter existido, afirma fato que sabe inexistente ou confere falsa versão para fatos verdadeiros, com o objetivo consciente de induzir juiz em erro e assim obter alguma vantagem no processo. 2. Recurso não provido.

(TJ-MG - AC: 10000211243464001 MG, Relator: Fausto Bawden de Castro Silva (JD Convocado), Data de Julgamento: 31/08/2021, Câmaras Cíveis / 9ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 08/09/2021)”.

Constata-se que a parte apelante utilizou do processo com a finalidade de atingir objetivo ilegal, pois ajuizou ação alterando a verdade dos fatos, ao alegar nunca ter realizado o empréstimo no instante em que existe comprovação do contrato assinado e do recebimento de valores.

Assim, deve ser aplicada multa processual por litigância de má-fé à parte apelante.

Diante do exposto, e em sendo desnecessárias quaisquer outras assertivas, VOTO, para NEGAR PROVIMENTO desta Apelação Cível, com a manutenção da sentença em todos os seus termos.

FIXO, de ofício, multa processual em nove por cento (9%) do valor da causa devidamente corrigido a título de litigância de má-fé, nos termos do art. 81, do CPC.

É o voto.

 

 



Teresina, 02/12/2024

Detalhes

Processo

0801949-44.2022.8.18.0045

Órgão Julgador

Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

FRANCISCA ALVES SOARES

Réu

BANCO BRADESCO S.A.

Publicação

28/01/2025