Acórdão de 2º Grau

Práticas Abusivas 0802797-19.2023.8.18.0167


Ementa

RECURSO INOMINADO. JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/ DANOS MORAIS E DANOS MATERIAIS. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. COBRANÇA INDEVIDA DE MENSALIDADE. BOLSA DE ESTUDOS PARCIAL. PAGAMENTO À EMPRESA PARCEIRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE INSTITUIÇÃO DE ENSINO E COBRANÇA. RELAÇÃO DE CONSUMO. INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL. MERO ABORRECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0802797-19.2023.8.18.0167 - Relator: EDSON ALVES DA SILVA - 2ª Turma Recursal - Data 09/12/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0802797-19.2023.8.18.0167

RECORRENTE: FABIO VIEIRA LARANJA ALVES QUEIROZ

Advogado(s) do reclamante: BRUNO HENRIQUE VAZ CARVALHO

RECORRIDO: INSTITUICAO EDUCACIONAL PROFESSOR PASQUALE CASCINO, CIBRAT RECUPERACAO DE ATIVOS LTDA

Advogado(s) do reclamado: CAMILA SOARES DE BRITO, ROSELI LEME FREITAS

RELATOR(A): 1ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

 


JuLIA Explica

EMENTA


 

RECURSO INOMINADO. JUIZADO ESPECIAL CÍVEL.   AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/ DANOS MORAIS E DANOS MATERIAIS. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. COBRANÇA INDEVIDA DE MENSALIDADE. BOLSA DE ESTUDOS PARCIAL. PAGAMENTO À EMPRESA PARCEIRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE INSTITUIÇÃO DE ENSINO E COBRANÇA. RELAÇÃO DE CONSUMO. INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL. MERO ABORRECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 


RELATÓRIO


 

Trata-se de Ação judicial na qual a parte autora, aluno da primeira requerida, narra que sempre pagou suas mensalidades pontualmente. Contudo, em abril de 2023, foi cobrado indevidamente pela segunda requerida, apesar de já ter efetuado o pagamento e enviado o comprovante. Mesmo com a comprovação, a primeira requerida manteve a cobrança, alegando que o débito ainda estava em aberto. Após constatar um erro no sistema, que gerou dois boletos, a universidade não retirou a cobrança conforme prometido. Requer a justiça a devolução em dobro a título de danos materiais e indenização por danos morais.

Sobreveio sentença que, resumidamente, decidiu por:

“Na hipótese em exame, é evidente que o reclamante, na qualidade de consumidor, é parte hipossuficiente em relação à prestadora de serviço, porquanto o domínio das informações reside em mãos da segunda. Logo, necessária a inversão do ônus da prova, o que defiro neste ato.

Ato em seguinte, em que pese o argumento da autora no sentido de que houve o adimplemento da mensalidade do mês de abril de 2023, a primeira ré informou em sede de contestação que foi concedida uma bolsa de 50%, em parceria com a empresa Brasil Paralelo, ao autor e o pagamento do restante da mensalidade ficaria a cargo deste. Entretanto, restou comprovado que o requerente, ao efetuar o pagamento do boleto do referido mês, pagou o boleto destinado à empresa parceira, conforme o documento de ID 46610004, pág. 3.

Nestes termos, verifica-se que a ré se desincumbiu do ônus que lhe cabia de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da requerente, nos termos do art. 6º, VIII, CDC e art. 373, II, CPC. 

Noutro giro, considerando que houve o adimplemento somente da quota parte pertencente à empresa Brasil Paralelo, entendo que a cobrança realizada pela primeira requerida ocorreu de forma legítima.

Ante o posto, julgo TOTALMENTE IMPROCEDENTES os pedidos contidos na exordial, nos termos do art. 487, inciso I, do NCPC.”

Irresignada, a parte autora interpôs recurso inominado, aduzindo, em síntese, o dano moral a ser reparado e a procedência dos pedidos constantes na peça exordial.

Contrarrazões não apresentadas.

               É o sucinto relatório.

 


VOTO


 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Compulsando os autos, constata-se que a parte autora alega que mesmo após realizar o pagamento da mensalidade referente ao curso matriculado junto à primeira requerida, recebeu cobranças pela segunda requerida. Em contestação foi apresentado ao processo que o autor recebeu uma bolsa de 50%, ficando responsável pelo pagamento do restante da mensalidade. Contudo, comprovou-se que o autor pagou o boleto destinado à empresa parceira. A ré cumpriu seu ônus de demonstrar fato impeditivo ao direito da parte autora, conforme o art. 373, II, do CPC.

Após a análise dos autos, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

 

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.

Diante do exposto, nego provimento ao recurso, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Condeno a parte recorrente no pagamento de custas processuais e honorários advocatícios de 15% do valor da causa atualizado. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus da sucumbência, nos termos do disposto no artigo 98, §3º, do CPC.

É como voto.

                  Teresina – PI, assinado e datado eletronicamente. 

 



 

Detalhes

Processo

0802797-19.2023.8.18.0167

Órgão Julgador

1ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

2ª Turma Recursal

Relator(a)

EDSON ALVES DA SILVA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Práticas Abusivas

Autor

FABIO VIEIRA LARANJA ALVES QUEIROZ

Réu

INSTITUICAO EDUCACIONAL PROFESSOR PASQUALE CASCINO

Publicação

09/12/2024