Decisão Terminativa de 2º Grau

Desapropriação de Imóvel Urbano 0754136-88.2024.8.18.0000


Decisão Terminativa

poder judiciário 
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO Presidência do Tribunal de Justiça

PROCESSO Nº: 0754136-88.2024.8.18.0000
CLASSE: SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA (11555)
ASSUNTO(S): [Desapropriação por Utilidade Pública / DL 3.365/1941, Desapropriação de Imóvel Urbano]
REQUERENTE: EFRAINA SOARES FEITOSA VIEIRA, FRANCISCO SOARES VIEIRA FILHO
REQUERIDO: MUNICÍPIO DE TERESINA


 

EMENTA

PEDIDO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR. DECISÃO DO DESEMBARGADOR RELATOR. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE SUSPENSÃO. PRESIDENTE DO TRIBUNAL COMPETENTE PARA JULGAMENTO DO RESPECTIVO RECURSO. ART. 4º, CAPUT, DA LEI Nº 8.437/92. INCOMPETÊNCIA DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ. SUSPENSÃO REJEITADA.

 

 

I - RELATÓRIO

 

Trata-se de Pedido de Suspensão de Decisão interposto pelo MUNICÍPIO DE TERESINA - PI, com o objetivo de sustar a eficácia de decisão proferida pela Exma Sra. Desembargadora Maria do Rosário de Fátima Martins Leite Dias, nos autos da Apelação Cível 0826064-77.2018.8.18.0140, inserida ao id 15579345, que determinou o bloqueio online das contas existentes em nome do Prefeito, José Pessoa Leal e do Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, James Guerra Júnior, no importe de R$ 39.000 (trinta e nove mil reais), de cada conta, a ser depositado em juízo.

 

Em seu pedido, argumenta o requerente que a decisão da Eminente Desembargadora "acarreta graves lesões à ordem, a segurança e à economia pública, tendo em vista que se tal medida for aplicada de forma corriqueira, irá se estabelecer uma áurea de incertezas no âmbito municipal."

 

É o relatório. DECIDO.



II- FUNDAMENTAÇÃO

 

O pedido de suspensão é incidente processual que autoriza o Presidente do Tribunal ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, a subtrair a eficácia de decisão liminar ou de antecipação de tutela proferida por magistrado a fim de evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas”.

 

Nesse sentido, dispõe o art. 4º, caput, da Lei nº 8.437/92:

 

Art. 4° Compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, suspender, em despacho fundamentado, a execução da liminar nas ações movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a requerimento do Ministério Público ou da pessoa jurídica de direito público interessada, em caso de manifesto interesse público ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas.



Observa-se pela leitura do art. 4º, caput, da Lei nº 8.437/92, que a competência para apreciar o pedido de suspensão é do Presidente do Tribunal competente para apreciar eventual recurso.

 

No caso dos autos, o Pedido de Suspensão de Decisão interposto pelo Município de Teresina, tem por objetivo sustar a eficácia de decisão proferida pelo Exma Sra. Desembargadora  Maria do Rosário de Fátima Martins Leite Dias , que determinou o bloqueio online das contas existentes em nome do Prefeito, José Pessoa Leal e do Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, James Guerra Júnior, no importe de R$ 39.000 (trinta e nove mil reais), de cada conta, a ser depositado em juízo, exarada nos autos da Apelação Cível   0826064-77.2018.8.18.0140.

 

Tratando-se, pois, de decisão proferida por Desembargador, a competência para apreciação do pedido de suspensão é do Presidente do Tribunal ao qual couber o conhecimento do futuro recurso a ser interposto no processo, que poderá ser recurso especial ou extraordinário, a depender do fundamento da causa, se de matéria infraconstitucional ou constitucional.

 

Assim, nos termos do art. 4º, caput, da Lei nº 8.437/92, tratando-se de provimento concedido por membro de tribunal, o pedido de suspensão deverá ser intentado junto ao Presidente do Supremo Tribunal Federal ou do Presidente do Superior Tribunal de Justiça e não perante o Presidente do Tribunal ao qual esteja vinculado o Desembargador Relator.

 

Nesse sentido, cite-se esclarecedora doutrina de Leandro Carneiro Cunha1:

 

Quando o art. 4º da Lei 8.437/92 menciona ‘o tribunal ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso’, está, por óbvio, a referir-se aos futuros recursos especial e extraordinário, cabendo respectivamente ao Presidente do STJ e do STF a apreciação do pedido de suspensão. Os tribunais estão vinculados, hierarquicamente, a esses tribunais de superposição, competindo a eles – e não ao presidente do próprio tribunal – apreciar o pedido de suspensão. Significa, então, que, concedida a liminar por relator, cabe o pedido de suspensão ao Presidente do STF ou do STJ, e não ao presidente do próprio tribunal”.



Nessa senda é o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, a saber:


Suspensão de segurança. Agravo regimental. Assente é o entendimento do STF no sentido de que, para cassar os efeitos de liminar, não cabe agravo regimental ao Plenário ou ao Órgão Especial da mesma Corte em que o relator de mandado de segurança haja deferido medida cautelar. Também não é competente, a tanto, o Presidente do mesmo Tribunal. Diante da norma do art. 25, da Lei n. 8.038/1990, a competência para suspender a liminar concedida pelo relator do mandado de segurança, em Tribunal de Justiça, é do Presidente do Supremo Tribunal Federal, se o pedido tiver fundamentação constitucional, ou do Presidente do Superior Tribunal de Justiça, se a fundamentação do pedido for de nível infraconstitucional. No caso concreto, porque já efetuado o pagamento que se determinou na liminar, prejudicado fica o pedido de suspensão dos efeitos da liminar e, por via de consequência, o agravo regimental”.

(SS 304 AgR / RS - RIO GRANDE DO SUL. AG.REG. NA SUSPENSÃO DE SEGURANÇA. Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Julgamento: 06/03/1991; Órgão Julgador: Tribunal Pleno, unânime).


Em diversas oportunidades, o Superior Tribunal de Justiça já afirmou a sua competência para julgamento do pedido de suspensão de decisão de Desembargador que concede efeito ativo em agravo de instrumento. Senão vejamos:

 

Suspensão de liminar ajuizada diretamente no Superior Tribunal. Afirmação da competência. Agravo de instrumento interposto na origem. Efeito ativo concedido pelo Relator. Antecipação de tutela restabelecida.

1. Por estar aberta a competência do Superior Tribunal, nele é viável o pedido de suspensão de liminar concedida pelo Relator em agravo de instrumento, mesmo que ainda não apreciado pelo colegiado de origem ou, no caso de interposto agravo interno, pendente de julgamento.

2. Em hipóteses tais, também a fim de se garantir a efetividade da tutela urgente buscada pela pessoa jurídica de direito público, é desnecessário o esgotamento da instância ordinária para que o ente público ajuíze aqui pedido visando à suspensão de decisão que repute causadora de grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas.

3. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, que foi provido com o propósito de se reconhecer a competência do Superior Tribunal para apreciar o pedido de suspensão e de se devolverem os autos à Presidência a fim de que decida o pedido.”

(EDcl no AgRg no AgRg na SL 26/DF, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, CORTE ESPECIAL, julgado em 06/12/2006, DJ 02/04/2007, p. 206, com grifos).

 

Na mesma linha, citem-se ainda os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: AgRg na Rcl 12.363/RJ; Rel. Min. Felix Fischer, DJe 1.07.2013; AgRg na Rcl 1.542/TO, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 29.11.2004; AgRg na Rcl 4.407/CE, Rel. Min. Ari Pardendler, Dje 03.03.2001; REsp 1.209.087/AL, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 03.10.2011.



III - DISPOSITIVO

 

Em virtude do exposto, nos termos do art. 4º, da Lei nº 8.437/92, RECONHEÇO a incompetência da Presidência deste Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Piauí para julgamento do pedido de Suspensão de Decisão deferida nos autos da Apelação Cível  nº 0826064-77.2018.8.18.0140 , e, por via de consequência, JULGO EXTINTO o processo sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, IV do Código de Processo Civil.

 

Publique-se e intime-se.

 

Após, proceda-se à baixa no sistema processual eletrônico.

 

 

TERESINA-PI, data no sistema.

DES. HILO DE ALMEIDA SOUSA

Presidente TJPI

 

CUNHA, Leandro Carneiro da. A Fazenda Pública em juízo. 13 ed., totalmente reformulada – Rio de Janeiro: Forense, 2016. p.612.

 

(TJPI - SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA 0754136-88.2024.8.18.0000 - Relator: HILO DE ALMEIDA SOUSA - Presidência do Tribunal de Justiça - Data 24/09/2024 )

Detalhes

Processo

0754136-88.2024.8.18.0000

Órgão Julgador

Presidência do Tribunal de Justiça

Órgão Julgador Colegiado

Presidência do Tribunal de Justiça

Relator(a)

HILO DE ALMEIDA SOUSA

Classe Judicial

SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA

Competência

Presidência do Tribunal

Assunto Principal

Desapropriação de Imóvel Urbano

Autor

EFRAINA SOARES FEITOSA VIEIRA

Réu

MUNICÍPIO DE TERESINA

Publicação

24/09/2024