TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800821-11.2021.8.18.0146
RECORRENTE: WESLEY COUTINHO TELES
Advogado(s) do reclamante: KASSIA NAYARA COUTINHO TELES
RECORRIDO: BANCO DO BRASIL SA
REPRESENTANTE: BANCO DO BRASIL SA
Advogado(s) do reclamado: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
JUIZADOS ESPECIAIS. RECURSO INOMINADO. DIREITO CIVIL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PARCELAMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO. PARCELAMENTO AUTOMÁTICO. RESOLUÇÃO 4.549/2017 DO BACEN. CABERIA À AUTORA DEMONSTRAR A REGULARIDADE DO PAGAMENTO DE SUAS FATURA. NÃO EFETUADO O PAGAMENTO NO TEMPO ESTABELECIDO, O DEVEDOR CONSIDERA-SE EM MORA. SUJEITA-SE AS CONDIÇÕES CONTRATUAIS, INCLUSIVE QUANTO A POSSIBILIDADE DE PARCELAMENTO AUTOMÁTICO. NÃO SE VISLUMBRA NO CASO CONCRETO ILICITUDE NA CONDUTA DA REQUERIDA, UMA VEZ QUE ESTÁ AGINDO DENTRO DOS LIMITES CONTRATUAIS. DANOS MATERIAIS E MORAIS NÃO DEMONSTRADOS. SENTENÇA IMPROCEDÊNCIA. MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS ajuizada por WESLEY COUTINHO TELESL em face do BANCO DO BRASIL SA, em que o autor, ora recorrente, narra possui cartão de crédito junto ao requerido, ora recorrido, e em razão de dificuldades financeiras, atrasou o pagamento em cerca de 10 dias, fazendo com que o banco requerido fizesse um parcelamento automático, tornando o valor da muito maior da dívida, mesmo ela tendo sido, segundo o recorrente, quitada em sua integralidade. Acrescenta que tal situação gerou uma desorganização financeira enorme nas suas contas, de modo que não conseguiu mais saldar a dívida, razão pela qual ingressou com a presente ação a fim de cancelar o parcelamento efetuado em 09.12.2020 e consequentemente, ao reembolso de todas as parcelas cobradas, além do cancelamento das multas e juros cobrados pelo atraso do cartão após o parcelamento. Por essas razões ingressou em juízo.
Sobreveio sentença que julgou IMPROCEDENTE os pedidos autorais, em síntese, nos seguintes termos:
“Assim, não vislumbro ilicitude na conduta da requerida, uma vez que está agindo dentro dos limites contratuais.
Impende destacar que a inversão do ônus da prova não exime a parte demandante de constituir prova mínima de suas alegações, o que, certamente, não o fez.
Portanto, a parte autora deixou de provar os fatos constitutivos de seu direito, ônus que lhe cabia, conforme o art. 373, I do Código de Processo Civil.
Em face do exposto e o mais constante nos autos, julgo improcedente os pedidos iniciais por absoluta falta de amparo legal, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil/2015.
Sem custas processuais e honorários de sucumbência, na forma do disposto no art. 55, da Lei nº 9099/95.
Publique-se. Registre-se. Intime-se”.
Inconformada com a sentença proferida, a parte requerente interpôs o presente recurso inominado aduzindo, em síntese: seja o recurso acolhido e provido para modificar a sentença de primeira instância, julgando procedente todos os pleitos autorais. Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso, a fim de reformar a sentença.
Contrarrazões nos autos pugnando pela manutenção da sentença.
É sucinto o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo a análise do mérito.
Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão:
Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.
Diante do exposto, conheço do recurso, mas para negar-lhe provimento, mantendo-se a sentença a quo em todos os seus termos.
Condeno a parte recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, os quais arbitro em 10% do valor corrigido da causa. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus de sucumbência, nos termos do disposto no artigo 98, §3º, do CPC, em virtude do benefício da justiça gratuita.
É o voto.
Teresina/PI, datado e assinado eletronicamente.
Teresina, 03/10/2024
0800821-11.2021.8.18.0146
Órgão Julgador2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalContratos Bancários
AutorWESLEY COUTINHO TELES
RéuBANCO DO BRASIL SA
Publicação04/10/2024