TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0801841-38.2023.8.18.0123
RECORRENTE: ROBSDEAN MACHADO JUNIOR, IARA MARIA CERQUEIRA MAGALHAES
Advogado(s) do reclamante: ROBSDEAN MACHADO JUNIOR
RECORRIDO: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
Advogado(s) do reclamado: IGOR MELO MASCARENHAS, ANA LETICIA LOPES DE SOUSA
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES C/C DANOS MORAIS. NEGATIVA DE COBERTURA. RESPONSABILIDADE CIVIL. VÍCIO DO SERVIÇO. OFENSA A HONRA SUBJETIVA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0801841-38.2023.8.18.0123
RECORRENTE: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
Advogados do(a) RECORRENTE: ANA LETICIA LOPES DE SOUSA - PI20133-A, IGOR MELO MASCARENHAS - PI4775-A
RECORRIDOS: ROBSDEAN MACHADO JUNIOR, IARA MARIA CERQUEIRA MAGALHAES
Advogado do(a) RECORRIDOS: ROBSDEAN MACHADO JUNIOR - CE26119-A
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
Trata-se de AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES C/C DANOS MORAIS ajuizada pelas partes autoras, ora recorridas, em face de UNIMED TERESINA, pleiteando a condenação da empresa ré em danos materiais, no importe de R$ 50,00 (cinquenta reais), referente à restituição do valor pago pelo exame, e em danos morais, na quantia R$ 6.000,00 (seis mil reais) para cada autor.
Após instrução processual, sobreveio sentença que julgou procedente os pedidos, in verbis:
“Diante disso, julgo PROCEDENTE a pretensão autoral, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 487, I do CPC, para CONDENAR a ré a pagar aos autores:
a) a título de indenização por danos materiais, a quantia de R$ 50,00 (cinquenta reais), valor este a ser acrescido de juros de 1% (um por cento) ao mês a partir da citação (art. 405 do Código Civil) e corrigido monetariamente desde as datas de efetivo pagamento dos valores referente ao exame mencionado nos autos, conforme tabela unificada da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Piauí;
b) a importância de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), a título de compensação por danos morais, em favor de cada um dos autores, devendo ser acrescido de correção monetária de acordo com a Tabela de Correção adotada pela Justiça Federal (Provimento Conjunto n.º 06/2009), e de juros simples de 1% ao mês desde o arbitramento, nos termos do art. 5.º do Decreto n.º 22.626/1933.
Sem custas ou honorários, por força do art. 55 da Lei n.º 9.099/1995.”
Razões do recorrente, em ID nº 16274452, aduzindo, em síntese: a inexistência de indenização por danos morais por ausência de comprovação do cometimento de ato ilícito, o elevado valor da condenação em danos morais imposta pelo Juiz a quo e a não cobertura obrigatória do exame selênio no rol da ANS. Por fim, requer a reforma total da decisão e, subsidiariamente, a redução do quantum do dano moral arbitrado.
Contrarrazões da parte recorrida (ID nº 16274462) pugnando a manutenção da sentença e condenação da recorrente em honorários.
É o relatório.
VOTO
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso, e passo a análise do mérito.
Inicialmente, pontuo que a relação jurídica existente entre as partes configura-se como de consumo, pelas características inerentes aos sujeitos participantes, conforme as definições legais de consumidor e fornecedor. A responsabilidade, portanto, é objetiva.
Compulsando os autos, após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente no processo, é reconhecida a obrigação de indenizar, surgindo a árdua tarefa de avaliação pecuniária do dano moral, em face da inexistência de dispositivos legais que estabeleçam critérios objetivos. A doutrina e a jurisprudência, a fim de guiar o julgador, estabeleceram uma série de circunstâncias a serem observadas quando da avaliação do quantum devido, dentre os quais a natureza compensatória e sancionatória da indenização, considerando ainda as condições financeiras de cada parte.
Em relação ao caráter compensatório, o valor da indenização deve suprimir, ainda que de forma imperfeita, a dor, angústia e sofrimento suportados. Outrossim, a indenização por danos morais deve atender aos objetivos de reprovação e desestímulo, bem como considerar a extensão do dano. Deste modo, impõe-se a redução da condenação de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) para R$ 3.000,00 (três mil reais) em favor de cada um dos autores, valor que melhor se adequa às circunstâncias do caso.
Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir o valor da indenização por danos morais para R$ 3.000,00 (três mil reais) para cada uma das partes, no mais restando mantida a sentença pelos seus próprios termos e fundamentos jurídicos.
Condeno a parte recorrente ao pagamento dos ônus de sucumbência, aos quais arbitro em 15% do valor da condenação atualizado.
Teresina, assinado e datado eletronicamente.
Leonardo Lúcio Freire Trigueiro
Juiz Relator
Teresina, 30/08/2024
0801841-38.2023.8.18.0123
Órgão Julgador3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado1ª Turma Recursal
Relator(a)LEONARDO LUCIO FREIRE TRIGUEIRO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDever de Informação
AutorROBSDEAN MACHADO JUNIOR
RéuUNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
Publicação30/08/2024