Acórdão de 2º Grau

Litigância de Má Fé 0803416-18.2022.8.18.0026


Ementa

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. SENTENÇA DE EXTINÇÃO. CONDENAÇÃO EM LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. AFASTADA. RECURSO PROVIDO. 1. Não comprovada a litigância de má-fé, a qual não se presume, deve ser afastada a condenação respectiva. 2. Recurso provido. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0803416-18.2022.8.18.0026 - Relator: JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 28/08/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0803416-18.2022.8.18.0026

APELANTE: GERALDO DOS REIS E SILVA

Advogado(s) do reclamante: DANIEL OLIVEIRA NEVES

APELADO: BANCO ITAU CONSIGNADO S/A
REPRESENTANTE: BANCO ITAU S/A

Advogado(s) do reclamado: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR, ENY ANGE SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAUJO

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

 


EMENTA


 

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. SENTENÇA DE EXTINÇÃO. CONDENAÇÃO EM LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. AFASTADA. RECURSO PROVIDO.

1. Não comprovada a litigância de má-fé, a qual não se presume, deve ser afastada a condenação respectiva.

2. Recurso provido.

 


RELATÓRIO


APELAÇÃO CÍVEL (198) -0803416-18.2022.8.18.0026
Origem: 
APELANTE: GERALDO DOS REIS E SILVA 
Advogado do(a) APELANTE: DANIEL OLIVEIRA NEVES - PI11069-A

APELADO: BANCO ITAU CONSIGNADO S/A
REPRESENTANTE: BANCO ITAU S/A

Advogados do(a) APELADO: ENY ANGE SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAUJO - BA29442-A, JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR - PI2338-A

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

 

Em análise recurso de apelação interposto por GERALDO DOS REIS E SILVA em face de sentença proferida nos autos da ação de indenização por danos morais c/c cobrança por repetição de indébito c/c declaratória de inexistência de relação jurídica, aqui versada, promovida em desfavor de BANCO ITAÚ CONSIGNADO S.A., ora apelado.

A sentença em discussão julgou extinto o presente processo sem exame de mérito, nos termos do 485, inciso V, do CPC. Condenou, ainda, a parte autora na penalidade por litigância de má-fé, conforme previsto nos arts. 81 e 142, do CPC, estabelecida em 2% (dois por cento) sobre o valor da causa.

A parte apelante, em suma, pede que seja afastada a multa por litigância de má-fé.

Em contrarrazões, o banco recorrido pugna pela manutenção da condenação por litigância de má-fé. Requer, por conseguinte, a manutenção da sentença proferida.

Gratuidade da justiça mantida para a parte autora conforme ID.14044081.

O Ministério Público Superior devolveu os autos sem exarar parecer de mérito, ante a ausência de interesse público que justifique sua intervenção.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto.

 

 

 

 


VOTO


 

Senhores julgadores, verifica-se que a parte apelante se insurge quanto à penalidade por litigância de má-fé, a qual foi fixada na sentença em patamar de 2% (dois por cento) sobre o valor da causa.

De fato, deve-se ressaltar que a litigância de má-fé não se presume; exige-se prova satisfatória de conduta dolosa da parte, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Veja-se:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE DOLO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A simples interposição de recurso previsto em lei não caracteriza litigância de má-fé, porque esta não pode ser presumida, sendo necessária a comprovação do dolo, ou seja, da intenção de obstrução do trâmite regular do processo, o que não se percebe nos presentes autos. 2. Agravo interno a que se nega provimento.(STJ - AgInt no REsp: 1306131 SP 2011/0200058-9, Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento: 16/05/2019, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/05/2019).

 

No mesmo sentido, cito precedente dessa colenda Câmara:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO. ART. 332 DO CPC. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE JUROS EM CONTRATO BANCÁRIO. SÚMULAS 539 E 541 DO STJ. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NÃO CONFIGURADA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O art. 1.010, II, do CPC consagrava o princípio da dialeticidade, segundo o qual o recurso interposto deve atacar os fundamentos da decisão recorrida. Todavia, no caso em apreço, embora de forma sucinta e sem riqueza de detalhes, o recorrente ataca as razões da sentença. 2. Da simples leitura do art. 332, caput, do CPC, observar-se que o legislador impõe dois pressupostos para que seja possível ao magistrado julgar liminarmente improcedente o pedido: (i) a causa deve dispensar a fase instrutória; e (ii) o pedido deve encaixar-se em uma das hipóteses previstas nos incisos I a IV do art. 332 ou no §1° do mesmo artigo. 3. Compulsando os autos, verifico que a apelante afirma, nas razões recursais, que o contrato firmando entre as partes é abusivo em razão da parte apelada haver praticado capitalização de juros. Entretanto, tal argumento contraria os enunciados das súmulas 5391 e 5412 do Superior Tribunal de Justiça.3. Com efeito, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para restar configurada a litigância de má-fé deve-se demonstrar a existência de dolo da parte. 4 . Apelação parcialmente provida.(TJPI | Apelação Cível Nº 2017.0001.012773-5 | Relator: Des. Oton Mário José Lustosa Torres | 4ª Câmara Especializada Cível | Data de Julgamento: 19/06/2018).

No caso, não se vislumbra ato que demonstre má-fé no comportamento processual da parte apelante, uma vez que, pelo que consta dos autos, não restou comprovada nenhuma das situações previstas no artigo 80 do CPC. Deve-se ressaltar que a litispendência, por si só, não indica a má-fé da parte.

Sendo assim, incabível a aplicação da multa por litigância de má-fé no presente caso.

Diante do exposto e, sendo o quanto necessário asseverar, mantenho a gratuidade da justiça deferida à parte apelante e VOTO pelo provimento da apelação interposta, para afastar a condenação da parte apelante à penalidade por litigância de má-fé.

Deixo de majorar os honorários advocatícios, conforme Tema 1059 do STJ.

 



Teresina, 14/08/2024

Detalhes

Processo

0803416-18.2022.8.18.0026

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Litigância de Má Fé

Autor

GERALDO DOS REIS E SILVA

Réu

BANCO ITAU CONSIGNADO S/A

Publicação

28/08/2024