Acórdão de 2º Grau

Obrigação de Fazer / Não Fazer 0805784-12.2023.8.18.0140


Ementa

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO C/C DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. DESCONHECIMENTO DO CONSUMIDOR. ALEGAÇÃO INFUNDADA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não procede a alegação da parte contratante de que fora induzida em erro, ao assinar contrato de cartão de crédito, quando pretendia contrair simples empréstimo bancário consignado, se do próprio instrumento contratual pode-se inferir qual a operação que está sendo celebrada. 2. Sentença mantida. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0805784-12.2023.8.18.0140 - Relator: JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 02/10/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0805784-12.2023.8.18.0140

APELANTE: MARIA ANTONIA NASCIMENTO DE ARAUJO

Advogado(s) do reclamante: ITALO ANTONIO COELHO MELO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ITALO ANTONIO COELHO MELO

APELADO: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado(s) do reclamado: JORGE DONIZETI SANCHEZ

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

 


EMENTA


 

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO C/C DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. DESCONHECIMENTO DO CONSUMIDOR. ALEGAÇÃO INFUNDADA. RECURSO DESPROVIDO.

1. Não procede a alegação da parte contratante de que fora induzida em erro, ao assinar contrato de cartão de crédito, quando pretendia contrair simples empréstimo bancário consignado, se do próprio instrumento contratual pode-se inferir qual a operação que está sendo celebrada.

2. Sentença mantida.







 





 



 

 







 


RELATÓRIO


APELAÇÃO CÍVEL (198) -0805784-12.2023.8.18.0140
Origem: 
APELANTE: MARIA ANTONIA NASCIMENTO DE ARAUJO 
Advogado do(a) APELANTE: ITALO ANTONIO COELHO MELO - PI9421-A

APELADO: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
REPRESENTANTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado do(a) APELADO: JORGE DONIZETI SANCHEZ - SP73055-A

RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Em exame APELAÇÃO intentada por MARIA ANTÔNIA NASCIMENTO DE ARAÚJO, em face do BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. , ora apelado, para o fim de reformar a sentença pela qual se julgou a ação de obrigação de fazer c/c ação de repetição de indébito e ação de danos morais com pedido liminar urgente inaudita altera parts, aqui versada.

A sentença consiste, essencialmente, em julgar improcedente a ação, extinguindo o feito, com resolução de mérito, e condenando a apelante no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sob o valor da causa atualizado, mas sob condição suspensiva, em virtude da gratuidade judiciária deferida.

Para tanto, entendeu o juiz sentenciante ter restado comprovado que a apelante sabia dos exatos termos do contrato que impugna, tanto que, não somente desbloqueou o cartão de crédito, como, também, o utilizou, efetuando saque, logo que o recebeu. Disse inexistirem irregularidades ou abusividades na avença, bem como erro nas suas cláusulas, de modo a autorizar a sua readequação e ensejar indenização por danos morais, como igualmente pedido na inicial.

Inconformada, a apelante alega, agora, que fora procurado por pessoa vinculada ao apelado e acreditou que contratava empréstimo consignado convencional e não cartão de crédito. Afirma que percebera que os descontos no seu contracheque continuam e, que, somente após contratar o empréstimo, fora informado de que havia sido realizado por prazo indeterminado.

Com base nas referidas alegações, requer, enfim, o provimento do recurso, para se reformar a sentença, acolhendo-se integralmente os pedidos da inicial e condenando o apelado nos termos da inicial.

O apelado, nas contrarrazões, limita-se a contestar os argumentos do recurso, requerendo que lhe seja denegado provimento.

Sem opinativo do Parquet.

É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto, deferindo-se, de logo, a gratuidade judiciária à parte apelante para efeito de admissão do recurso.


VOTO


Senhores julgadores, a apelante alega, em resumo, que foi induzida em erro, ao contratar cartão de crédito com o apelado, pois julgava contrair simples empréstimo bancário.

Ocorre que a mais perfunctória análise dos autos mostra que as suas alegações padecem à míngua de provas. Afinal, além de não ter demonstrado, de forma convincente, que fora induzida em erro ao aceitar o cartão de crédito que lhe fora oferecido, veja-se que ela assinou uma avença, cujo formulário indica, claramente, para o que seria, uma vez que está intitulado Termo de Adesão – Empréstimo Pessoal e Cartão, como comprova o documento acostado no ID.15658464.

Conforme decidiu o juízo de primeiro grau:

Inobstante isso, da análise detida das faturas do cartão de crédito contratado (ID 40577331), é possível verificar que o requerente efetuou diversas compras com o aludido cartão, em períodos diferentes, demonstrando, pois, a sua intenção de contratar de fato a referida modalidade de cartão consignado. Consta, ainda, que a parte autora jamais negou ter recebido o valor atinente ao contrato em análise.”

Destarte, resta inconteste que a parte apelante deve arcar com as obrigações do contrato que firmou com o apelado. Não fora assim e não teríamos julgados como estes, dentre outros que, igualmente, se ajustariam ao caso em exame e, do mesmo modo, poderiam vir à colação:

CIVIL E CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. RESCISÃO CONTRATUAL. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. DESCONHECIMENTO DA NATUREZA DO CONTRATO. ALEGAÇÃO AFASTADA. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. SENTENÇA REFORMADA.

1. A avença substanciada em contrato escrito representa a vontade das partes, livre e consciente, estabelecendo condições recíprocas para feitura do negócio, no caso, a abertura de uma conta em cartão de crédito.

2. Constando do contrato, além de cláusulas específicas, o título "Cédula de Crédito Bancário Tipo de Operação: Cartão de Crédito Consignado" e “Resumo da Solicitação de Cartão de Crédito Consignado”, e estando comprovado que o contratante realizou saques no cartão de crédito, afasta-se a alegação de desconhecimento da natureza do contrato e a alegada suposição de que se tratava de um empréstimo comum.

3. Recurso provido.

(TJDFT APELAÇÃO CÍVEL 0740664-57.2023.8.07.0001 / Acórdão 1896476 / Rel. Desembargador GETÚLIO MORAES OLIVEIRA 7ª Turma Cível, data de julgamento: 24.07.2024, publicado no DJE: 07/08/2024 )

Ante ao exposto e sendo o quanto basta asseverar, VOTO para que seja NEGADO provimento à apelação, mantendo-se incólume a decisão hostilizada, mercê dos seus próprios e jurídicos fundamentos.

Majoro os honorários advocatícios de 10% (dez por cento) para 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, suspendendo-se a exigibilidade, no entanto, em face do deferimento da gratuidade judiciária.





Teresina, 01/10/2024

Detalhes

Processo

0805784-12.2023.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Obrigação de Fazer / Não Fazer

Autor

MARIA ANTONIA NASCIMENTO DE ARAUJO

Réu

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Publicação

02/10/2024