Acórdão de 2º Grau

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes 0801119-37.2021.8.18.0167


Ementa

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA. RELIGAÇÃO À REVELIA. COBRANÇA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DÉBITO REFERENTE À RELIGAÇÃO À REVELIA. DANOS MORAIS DEMONSTRADOS. QUANTUM QUE ATENDE AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. PARCELAMENTO. DESCONTOS CANCELADOS POR CULPA EXCLUSIVA DA PARTE AUTORA. TERMOS CONSTANTES NO PARCELAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSOS CONHECIDOS E IMPROVIDOS. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0801119-37.2021.8.18.0167 - Relator: LEONARDO LUCIO FREIRE TRIGUEIRO - 1ª Turma Recursal - Data 28/08/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0801119-37.2021.8.18.0167

RECORRENTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Advogado(s) do reclamante: MARCOS ANTONIO CARDOSO DE SOUZA

RECORRIDO: MARIA MARGARET DA SILVA LEAL
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Advogado(s) do reclamado: HILBERTHO LUIS LEAL EVANGELISTA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO HILBERTHO LUIS LEAL EVANGELISTA, RONYEL LEAL DE ARAUJO

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA. RELIGAÇÃO À REVELIA. COBRANÇA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DÉBITO REFERENTE À RELIGAÇÃO À REVELIA. DANOS MORAIS DEMONSTRADOS. QUANTUM QUE ATENDE AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. PARCELAMENTO. DESCONTOS CANCELADOS POR CULPA EXCLUSIVA DA PARTE AUTORA. TERMOS CONSTANTES NO PARCELAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSOS CONHECIDOS E IMPROVIDOS.

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0801119-37.2021.8.18.0167
Origem: 
RECORRENTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A 
Advogado do(a) RECORRENTE: MARCOS ANTONIO CARDOSO DE SOUZA - PI3387-A

RECORRIDO: MARIA MARGARET DA SILVA LEAL
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Advogados do(a) RECORRIDO: HILBERTHO LUIS LEAL EVANGELISTA - PI3208-A, RONYEL LEAL DE ARAUJO - PI10912-A

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 

Trata-se de AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, na qual a parte autora, ora recorrida, requereu que a requerida, ora recorrente, seja condenada a declarar a inexistência do débito em nome da requerente junto à empresa requerida, pertinente as cobranças efetivadas indevidamente a título tarifas de religação a revelia, no valor de R$ 121,66 (cento e vinte e um reais e sessenta e seis centavos), canc.desc. s/jur. parcelam (12x), no valor de R$ 722,76 (setecentos e vinte e dois reais e setenta e seis centavos), canc. desc. s/cor. mon. parc (12x), no valor de R$ 498,84 (quatrocentos e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos), canc. desc. s/mul. parcelam (12x) 26,40 (vinte e seis reais e quarenta centavos), no valor total de R$ 1.369,66 (um mil trezentos e sessenta e nove reais e sessenta e seis centavos) e a condenação nos danos morais cabíveis, no valor de R$ 42.000,00 (quarenta e dois mil reais).

Sobreveio sentença que julgou parcialmente procedente os pedidos da exordial, in verbis:

“(...) Diante do exposto, julgo PROCEDENTE EM PARTE a presente ação, na forma do pedido constante na inicial, para:

a) Conceder os benefícios da Justiça Gratuita, nos termos da Lei nº 1.060/50, por entender ser a requerente pobre na forma da lei, tendo em vista que não dispõe de condições econômicas para arcar com as despesas de custas processuais e eventuais honorários advocatícios sem prejuízo de sua própria manutenção e de sua família;

b) Declarar a inexistência do débito no valor de R$ 121,66 (cento e vinte e um reais e sessenta e seis centavos), referente à “religação à revelia”, constante na fatura correspondente a novembro de 2020;

c) Condenar a parte requerida a pagar à parte requerente a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título de indenização por danos morais, em razão da cobrança indevida concernente à "religação à revelia", a fim de coibir a reiteração de atos ilícitos, devendo este valor ser acrescido de juros de mora de 1%, aplicados desde a citação, e correção monetária nos índices estabelecidos pela Tabela do Egrégio Tribunal de Justiça, incidindo desde a data do arbitramento, na forma da Súmula nº 362 do STJ;

d) Indeferir o pedido de inexistência dos débitos referentes ao CANC.DESC. S/JUR. PARCELAM (12X), no valor de R$ 722,76 (setecentos e vinte e dois reais e setenta e seis centavos), CANC. DESC. S/COR. MON. PARC (12X), no valor de R$ 498,84 (quatrocentos e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos), CANC. DESC. S/MUL. PARCELAM (12X) 26,40 (vinte e seis reais e quarenta centavos), sendo cobrança dos mesmos lícita.

Extingo o processo com resolução do mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC.

Após o trânsito em julgado, em sendo cumprida a obrigação, dê-se baixa e arquivem-se os autos.

Sem custas processuais e honorários de advogado, conforme os arts. 54 e 55 da Lei nº 9.099/95. (...)”

Opostos embargos de declaração, os quais fora negado provimento, mantendo a sentença em todos os termos.

Recurso inominado interposto pela requerida, alegando, em suma, a suspensão do fornecimento, a inexistência de danos morais, a irrazoabilidade do quantum de indenização por danos morais, e, por fim, requerendo o conhecimento e provimento do recurso a fim de reformar a sentença na parte em que condenou ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e na parte que declara a nulidade do débito, e ao pagamento em dobro, uma vez que o corte foi legal, e o e a cobrança de multa por autorreligação foi comprovada, portanto, não há fundamento para determinação de restituição em dobro de qualquer quantia.

Contrarrazões da recorrida, refutando as alegações da parte recorrente e requerendo a total procedência dos pedidos autorais.

Recurso inominado interposto pela parte autora, requerendo, em suma, que seja determinada a declaração de inexistência de débitos, das rubricas a título de “canc.desc. s/jur. parcelam (12x), no valor de R$ 722,76 (setecentos e vinte e dois reais e setenta e seis centavos), canc. desc. s/cor. mon. parc (12x), no valor de R$ 498,84 (quatrocentos e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos), canc. desc. s/mul. parcelam (12X) 26,40 (vinte e seis reais e quarenta centavos)”, no valor total de R$ 1.248,00 (mil duzentos e quarenta e oito reais), reiterando que tais valores, que foram cobrados indevidamente na fatura do mês de novembro 2020, encontram-se inseridos na rubrica “parcelamento de débito 1/60”. Pugnando, ainda, pela manutenção da declaração de inexistência de débito no valor de R$ 121,66 (cento e vinte e um reais e sessenta e seis centavos) à título de tarifas de religação a revelia, bem como a condenação da empresa Ré nos danos morais cabíveis.

Contrarrazões da recorrida, refutando as alegações da parte recorrente, sob o argumento de que não há nenhum abusividade, ou irregularidade quanto às cobranças negociadas.

É o relatório.

 


VOTO


 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos recursos e passo à análise do mérito.

Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão:

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.

Ante o exposto, voto pelo conhecimento dos recursos, para, no mérito, negar-lhes provimento, mantendo a sentença por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

Condeno a parte ré, ora recorrente, ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, os quais arbitro em 20% (vinte por cento) do valor da condenação atualizado.

Condeno a parte autora, ora recorrente, em custas processuais e honorários advocatícios no percentual de 10% (dez por cento) do valor da condenação atualizado. Porém, a exigibilidade do referido ônus deve ser suspensa, nos termos do disposto no artigo 98, §3º, do CPC, ante a concessão do benefício da gratuidade de justiça.

Leonardo Lúcio Freire Trigueiro

Juiz Relator

 



Teresina, 28/08/2024

Detalhes

Processo

0801119-37.2021.8.18.0167

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

LEONARDO LUCIO FREIRE TRIGUEIRO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes

Autor

EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Réu

MARIA MARGARET DA SILVA LEAL

Publicação

28/08/2024