Acórdão de 2º Grau

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes 0803880-56.2021.8.18.0162


Ementa

JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE DESCONSTITUIÇÃO DE DÉBITO COM PEDIDO LIMINAR C/C PEDIDO DE DANO MORAL. IRREGULARIDADE DO MEDIDOR. NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESCONSTITUIÇÃO DE DÉBITO. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. PROCEDÊNCIA PARCIAL. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0803880-56.2021.8.18.0162 - Relator: RAIMUNDO HOLLAND MOURA DE QUEIROZ - 1ª Turma Recursal - Data 30/08/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0803880-56.2021.8.18.0162

RECORRENTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Advogado(s) do reclamante: MARCOS ANTONIO CARDOSO DE SOUZA

RECORRIDO: CINTHIA SOUSA MARQUES, CLAUDIA SOUZA MARQUES BRITO

Advogado(s) do reclamado: MARIA TEREZA BRASIL ARAUJO

RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE DESCONSTITUIÇÃO DE DÉBITO COM PEDIDO LIMINAR C/C PEDIDO DE DANO MORAL. IRREGULARIDADE DO MEDIDOR. NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESCONSTITUIÇÃO DE DÉBITO. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. PROCEDÊNCIA PARCIAL. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0803880-56.2021.8.18.0162
Origem: 
RECORRENTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
REPRESENTANTE: EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A
 
Advogado do(a) RECORRENTE: MARCOS ANTONIO CARDOSO DE SOUZA - PI3387-A

RECORRIDO: CINTHIA SOUSA MARQUES, CLAUDIA SOUZA MARQUES BRITO
Advogado do(a) RECORRIDO: MARIA TEREZA BRASIL ARAUJO - PI15949-A

RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 

Trata-se de demanda judicial, na qual as autoras alegam: que a requerida diligenciou para substituir o medidor de energia na residência das requerentes; que receberam Termo de ocorrência e inspeção descrevendo suposta irregularidade de consumo; que não há indicação de violação no medidor de energia ou outras irregularidades; que foram penalizadas ao pagamento de R$ 3.343,37 (três mil trezentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos). Por esta razão, requererem: a inversão do ônus da prova, a extinção da cobrança e a condenação em danos morais.

 

Em Contestação, a Requerida aduziu: preliminar de incompetência do Juizado Especial Cível; a regularidade do procedimento de apuração do débito; que existe evidência fotográfica da irregularidade/regularização; que pela tela de histórico de consumo das requerentes, é provada a existência de valores não faturados pela concessionária em razão da existência do desvio na medição por pessoa não autorizada; a inexistência do dano moral.

 

Sobreveio sentença, resumidamente, nos termos que se seguem: Restou demonstrado nos autos que a requerida agiu de forma arbitrária e unilateral ao impor o pagamento de R$ 3.343,37 (três mil trezentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos), tendo em vista uma suposta irregularidade do medidor. Ainda que o medidor efetivamente estivesse violado em quaisquer de suas características, a veracidade de tal alegação não pode ser atestada pelas autoras, que tiveram seu direito ao contraditório e a ampla defesa totalmente esmagados. O procedimento adotado pela ré na cobrança de diferença de consumo in casu restou irregular e desrespeitoso ao direito fundamental das autoras, neste tocante. E, nesse diapasão, o débito imputado para elas não contém respaldo de legitimidade, devendo, portanto, ser desconstituído. Quanto ao pedido de indenização por danos morais, entendo que o caso vertente mais se caracteriza como mero aborrecimento, e não como fato ensejador de dano moral. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES EM PARTE os pedidos da inicial, nos termos do art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil, para desconstituir a dívida decorrente do termo de inspeção e ocorrência objeto da lide, no valor de R$ 3.343,37 (três mil trezentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos).

 

Inconformada, a requerida, ora Recorrente, alegou em suas razões: que o procedimento de inspeção adotado é legal; que o procedimento foi acompanhado por uma das recorridas; que as recorridas não impetraram reclamação administrativa facultada pela resolução da ANEEL; que existe presunção de legalidade dos seus atos. Requereu que a sentença seja reformada na parte que deu procedência aos pedidos de anulação da cobrança.

 

Em Contrarrazões, as Recorridas refutaram as alegações da recorrente e pugnaram pela manutenção da sentença.

 

É o relatório.

 


VOTO


 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Após a análise dos argumentos das partes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença recorrida não merece reparos, devendo ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

 

 

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão”.

 


Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo a sentença a quo em todos os seus termos.

 

Condenação da Recorrente em custas processuais e honorários advocatícios no percentual de 10% (dez por cento) do valor da causa atualizado.

 

 

É como voto.

 



Teresina, 29/08/2024

Detalhes

Processo

0803880-56.2021.8.18.0162

Órgão Julgador

1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

RAIMUNDO HOLLAND MOURA DE QUEIROZ

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes

Autor

EQUATORIAL PIAUI DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A

Réu

CINTHIA SOUSA MARQUES

Publicação

30/08/2024